Famílias planejam reconstruir comunidade após incêndio em SP

Por Agência Brasil | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Cerca de 600 famílias moram no local atingido pelo fogo, diz estimativa da Defesa Civil; 96 bombeiros trabalharam no local

Agência Brasil

Moradores da Comunidade Sônia Ribeiro, mais conhecida como Morro do Piolho, planejam reconstruir seus barracos na mesma área atingida por incêndio, relataram alguns deles nesta segunda-feira (8). O local tem aproximadamente 1 mil metros quadrados.

Hoje: Incêndio em comunidade de SP deixa ao menos 500 famílias desabrigadas

Futura Press
Rescaldo do incêndio na favela Buraco Quente no Campo Belo, SP


Ontem: Favela pega fogo na zona sul de São Paulo

Ao menos 600 famílias moravam no local atingido pelo fogo, segundo estimativa da Defesa Civil do município. De acordo com o capitão dos Bombeiros Mauro Antônio Brancalhão, 96 homens trabalharam para conter o incêndio – oito continuam no local. Além disso, foram usados 37 carros da corporação.

O incêndio começou as 20h30 de domingo (7) e as chamas foram controladas por volta da meia-noite. Desde então, os bombeiros atuam no rescaldo. Duas pessoas se feriram levemente – uma por intoxicação da fumaça e outra teve queimaduras de segundo grau nos membros inferiores. Um terceiro morador passou por crise nervosa.

Até as 9h30, haviam sido cadastradas 219 famílias para integrar programas sociais de moradia da prefeitura. Moradores formaram filas para receber colchões, cestas básicas e kits de higiene que eram distribuídos pela Secretaria de Assistência Social.

A maioria das famílias, porém, permanecia nas ruas em volta da comunidade, localizada entre a Avenida Roberto Marinho e a Rua Cristóvan Pereira, área nobre da zona sul da cidade. Eles temem perder os pertences que conseguiram salvar do fogo e que pessoas de outras comunidades invadam o local.

Entre os que planejam a reconstrução de seus barracos, está Tiago Leandro de São Francisco, zelador, de 18 anos.

"Pretendo continuar aqui. Espero que ajudem todo mundo com moradia, alimentação, assistência. Muitos perderam tudo, não conseguiram tirar nada", afirmou ele.

Incêndio atinge favela da zona sul de São Paulo. Foto: FAcebook/Gelly GigoIncêndio atinge favela da zona sul de São Paulo. Foto: FAcebook/Gelly GigoIncêndio atinge favela da zona sul de São Paulo. Foto: Facebook/Sabrina Alves Martinho EspinósIncêndio atinge favela da zona sul de São Paulo. Foto: Facebook/Sabrina Alves Martinho Espinós

No dia 3 de setembro de 2012, outro incêndio atingiu a comunidade. Segundo a Coordenadoria da Defesa Civil da subprefeitura de Santo Amaro, a prefeitura de SP estava em negociação com os moradores para construir uma rua na comunidade, que funcionasse como saída de emergência para facilitar a entrada do caminhão dos Bombeiros, mas o diálogo não avançou.

Desta vez, as famílias ainda têm de lidar com conflito entre traficantes e a Polícia Militar. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, traficantes não permitiram a entrada da corporação para apagar o fogo.

"Tivemos que recuar até eles saírem do local e a gente começar os trabalhos. Teve ameaças, mas a orientação que é dada aos bombeiros, em circunstâncias como essas, é primeiro cuidar da segurança pessoal", disse. Um efetivo da Polícia Militar foi enviado e permanece na comunidade enquanto é feito o rescaldo. Francisco conta que presenciou o momento do confronto.

"Estava dormindo. Quando acordei, as chamas já estavam estalando. Tentei ajudar, mas tudo começou por causa de um fio [curto-circuito], pegou no colchão e o fogo começou. O vento começou a alastrar o fogo. Nessa correria toda, chegaram os policiais. Foi uma guerra. Teve uma luta, de polícia e bandido. Tudo mundo no chão. O fogo foi se alastrando", relatou.

A Defesa Civil confirmou que a principal hipótese sobre o que causou o incêndio foi um curto-circuito, uma vez que a comunidade tem diversas instalações elétricas clandestinas. O capitão do Corpo de Bombeiros informou que o incêndio afetou apenas os barracos de madeira e papelão.

"As outras residências que são de alvenaria não estão em risco", disse. Agentes da subprefeitura vão vistoriar o local, assim que terminar o rescaldo.

O capitão informou ainda que outro problema dificultou no momento de apagar o fogo: a falta de água. "Os hidrantes públicos em torno do incêndio, num primeiro momento, estavam sem água. Fizemos o contato com a Sabesp [Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo], que fez uma manobra da rede hídrica do local, aí começamos a abastecer nossas viaturas por esses hidrantes públicos."

Moradores estouraram os canos da rua na tentativa de auxiliar os Bombeiros no combate às chamas. Eles relataram, porém, que não havia água no momento do incêndio.

Os bombeiros tiveram de buscar ajuda em condomínios próximos. "Quando nos constatamos que estava sem água, faz parte do procedimento utilizar a rede hidráulica dos prédios. Então, os prédios vizinhos nos forneceram água para o combate ao incêndio", declarou.

Leia tudo sobre: igspiGspsao paulosanto amaroincendio em spcampo belozona sul

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas