Feiras livres de SP comemoram cem anos com mais de 16 mil barracas cadastradas

Por Beatriz Atihe - iG São Paulo | - Atualizada às

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60% dos feirantes são homens entre 36 e 65 anos; idosos representam 13% dos comerciantes, mais velho tem 95 anos

Às terças a barraca de pastel está na zona sul. Na quarta, na oeste. Na quinta, pode ser no centro e por aí a semana vai. Se tem um coisa que Vagner Santana, de 41 anos, se orgulha, é de não ter endereço fixo de trabalho. “A parte mais legal de ser feirante é conhecer pessoas de várias regiões. Pode parecer tudo igual, mas não é. Tem feira com mais velhinho, outras com mais crianças. O que quase não tem é homem sozinho", analisa o dono de uma das 16.300 cadastradas na cidade de São Paulo.

No último dia 25, as feiras livres e toda a tradição da chepa [desconto do fim do estoque] e dos galanteios ao público feminino completaram cem anos de regularização na capital paulista. A primeira surgiu em 1914, no Largo General Osório, zona central, e tinha 26 feirantes. Logo na segunda vez, 116 comerciantes se reuniram no Largo do Arouche, também no centro, para vender de alimentos a missangas. Atualmente, existem 880 feiras distribuídas por 32 subprefeituras de terça a domingo.

Feira de Mirandópolis, na Vila Mariana, zona sul da cidade, conta com 153 feirantes. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloMauro Tevez, 46 anos, trabalha na feira de Mirandópolis há 15 anos. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloFrancisco Ney diz que segredo das vendas é a simpatia.. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloFeiras livres de São Paulo completam 100 anos. Foto: SecomVagner Santana, 41 anos, já chegou a vender 500 pastéis em um dia. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloJosé Oliveira, 62 anos, trabalha em feiras na cidade há 30 anos. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloFeiras livres de São Paulo completam 100 anos. Foto: SecomFeiras livres de São Paulo completam 100 anos. Foto: SecomFeiras livres de São Paulo completam 100 anos. Foto: SecomFeiras livres de São Paulo completam 100 anos. Foto: Secom

Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, dos 12.073 feirantes cadastrados, 60% são homens com idades entre 36 e 65 anos. Já os jovens até 25 anos correspondem a 3% de comerciantes do ramo e os idosos compõem 13% – o mais velho feirante da cidade tem 95 anos.

Santana começou a trabalhar com pastéis na feira de Mirandópolis, no bairro Vila Mariana, zona sul. “Arranjei um trabalho nessa barraca, mas depois de um tempo a minha patroa decidiu se aposentar. Comprei o negócio dela e hoje me orgulho de ter minha própria barraca”. O feirante, que só nesse ponto trabalha há 20 anos, conta com a ajuda de mais duas funcionárias. “Já tivemos dias em que vendemos até 500 pastéis. Os que mais saem são os tradicionais, de queijo, carne, frango com catupiry e palmito”.

A aposentada Maria Luiza Hook, de 70 anos, aprova os sabores da barraca. “Venho toda terça-feira aqui. Não falto por nada e ele até já deixa o pastel de palmito reservado, porque quando posso trago minhas amigas da ginástica para experimentar”, brinca Maria Luiza.

O segredo da profissão? "Saber lidar com as pessoas", conta Francisco Ney, 34 anos. Funcionário do Metrô, ele usa a folga de terça para montar sua barraca de frutas. "Acredito que não precisa fazer barulho para atrair clientes. O feirante precisa ser simpático, tratar todos de maneira igual e ter alimentos de alta qualidade que façam com que as pessoas voltem sempre ao seu estabelecimento.”

Modernizar o negócio também alavanca as vendas. "Fiquei impressionada, pois é a primeira vez que vejo barracas aceitando cartão de crédito”, disse a enfermeira Maria Carmen, 38 anos, enquanto escolhia duas melancias e um abacaxi. Como se mudou há pouco tempo para a região, era a primeira vez dela naquela feira.

De pai pra filho

Uma pequena caminhada por uma feira e logo se constata que a profissão tem uma espécie de "herança genética". É muito comum feirante ser filho, neto de feirante. Nascer e crescer em meio às barracas. Mauro Teves, 46 anos, desde pequeno ajudava o pai na barraca de aves e vísceras. Virou negócio da família. Hoje, Teves e seus dois irmãos têm nove bancas espalhadas por São Paulo. O pai se aposentou. Mas não se aguenta. Uma vez na semana vai dar uma olhadinha naquele ambiente que une de crianças a idosos em meio ao aroma do pastel de carne e das frutas da época. 


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