Bairros nobres são os que menos economizam água na capital paulista, diz Sabesp

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Levantamento da companhia mostra que moradores do Jardins consomem quase o dobro de água do que os do Jaçanã

Levantamento divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), nesta quinta-feira (28), mostra que moradores de regiões mais abastadas da capital paulista foram os que menos economizaram água ao longo do primeiro semestre de 2014. Desde fevereiro está em prática a todos os atendidos pelo Sistema Cantareira o Programa de Incentivo à Redução de Consumo de Água, segundo o qual clientes que reduzam em 20% o consumo mensal ganham 30% de desconto na conta de água.

Patricia Stavis
Situação calamitosa do Cantareira, que, com 11,4% de sua capacidade, abastece 6,5 milhões

O relatório mostra que a região dos Jardins - que abrange os bairros Jardins Paulista, Europa e América -, uma das mais valorizadas da cidade, foi a que menos reduziu o consumo, em apenas 7,36%, seguida por Vila Mariana e Sé, respectivamente, com diminuição de 11,18% e 11,4%. Do outro lado da tabela, os bairros periféricos Jaçanã, Perus, na zona norte, e Pirituba, na oeste, lideram a lista, com economia de 20,43%, 20,06% e 19,82%, respectivamente.

Outras regiões de classe média alta, como Butantã, Mooca, Campo Limpo e Ipiranga também reduziram menos o consumo do que outras com populações de menor poder aquisitivo como São Mateus, Artur Alvin, Vila Maria e Itaim Paulista.

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Comparando os índices apenas de junho dos dois lados opostos da tabela, a média de consumo por domicílio nos Jardins foi de 18,11 mil litros, enquanto no Jaçanã, de 11,42 mil litros.

Para a Sabesp, o fato de a região dos Jardins ser amplamente verticalizada - maioria da população vive em prédios -, a grande presença de estabelecimentos comerciais e o histórico de maior consumo são as principais causas que explicam os números. Também existe um abismo de poder aquisitivo entre a área com menor redução e aquelas que mais economizaram, mas a companhia prefere não citar essa característica como uma das responsáveis pelos gastos. 

A média de redução na capital paulista no período foi de 16,23%.

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