Crise de água: padarias e cafés fecham as portas na zona oeste de São Paulo

Por David Shalom , iG São Paulo | - Atualizada às

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Gerente de comércio na Vila Madalena contratou caminhão-pipa para garantir meio período de trabalho nesta quarta

Um corte abrupto no fornecimento de água em áreas da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, levou parte do comércio do bairro a ficar com as portas fechadas desde terça-feira (29). Gerente-geral da padaria Le Pain Quotidien, na Rua Wisard, Eduardo Godoi afirma ao iG que às 17h as torneiras do local ficaram completamente secas, obrigando-o a deixar de servir os clientes.

Facebook/Reprodução
Funcionária exibe cartaz explicando que cafeteria na V. Madalena ficará fechada por falta d´água

"É na região inteira. Hoje [quarta-feira, 30] conseguimos trazer um caminhão-pipa pela manhã para não perdermos tanto dinheiro, mas já estamos fechando as operações de novo agora, às 16h, porque o que compramos não está mais dando conta", afirma Godoi. "Nosso prejuízo deve ficar entre R$ 10 mil e 20 mil. E a Sabesp não avisou nada, não deu previsão de quando volta. Já estamos chamando o caminhão para voltar amanhã de novo para o caso de a situação permanecer assim."

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A situação de Isabela Raposeiras é também delicada. Proprietária da cafeteria Coffee Lab, na Rua Wisard, ela diz que desde as 16h de terça-feira não chega água a seu comércio, essencial para a venda de seu principal produto. "É impossível operarmos sem, pois só trabalhamos com café. Perdemos o faturamento de ontem [terça-feira] e hoje [dia 30] graças a esse corte de fornecimento sem aviso prévio", lamenta. "É importante ressaltar que não somos contra o racionamento, pelo contrário, ele já deveria ter começado. Mas precisamos ser avisados, até para informar o cliente com antecedência."

Por possuir outras reservas para captação do recurso, no entanto, alguns comércios sequer tomaram conhecimento do corte instituído na região nas últimas 24 horas. É o caso da Villa Grano, na mesma Rua Wisard, que conta com poço artesiano com capacidade suficiente para atender sua demanda. "Sempre usamos essa fonte alternativa, então não somos afetados quando isso ocorre", afirma o gerente da padaria, José Antônio Pereira de Oliveira.

O caso é semelhante ao de bares da zona oeste que há meses vêm passando por cortes no fornecimento do recurso ao longo da madrugada. "Fica sem água quase todo dia, por volta das 23h, quando ainda estamos servindo os clientes, e só volta lá pelas 6h, 7h", diz José Robson Barbosa Cavalcante, proprietário do Empanadas Bar, em Pinheiros. "Mas aí, no momento em que cortam, nossa caixa d´água está cheia e, como é inverno e o movimento não é tão grande, vamos consumindo devagarinho e dá para ir levando."

Procurada pelo iG, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirma que houve interrupção no abastecimento da região devido "a obras de reparo de uma rede de distribuição localizada entre as ruas Galeno de Almeida e João Moura. A empresa diz que o serviço deverá ser finalizado às 22h desta quarta-feira, com normalização gradativa da distribuição ao longo da noite.

A Sabesp ainda afirma ter adequado a pressão da água nas redes responsáveis por atender as áreas mais altas do bairro.

Veja o cenário desolador do Sistema Cantareira:

Sistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis
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