Polícia de SP prende professor suspeito de depredar agência bancária em protesto

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Diretor do Deic, Wagner Giudice afirma que docente de português e inglês confessou ter ajudado a depredar banco

Agência Brasil

Um professor de 30 anos foi preso pela Polícia Civil de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (24), sob suspeita de ter participado da depredação de uma agência bancária durante uma manifestação ocorrida no dia 19 de junho em São Paulo, convocada pelo Movimento Passe Livre (MPL). A agência depredada é de propriedade do Citibank e fica na Avenida Rebouças, na zona oeste da capital.

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Segundo o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Wagner Giudice, o professor, que dá aulas de português e inglês na rede estadual, confessou ter depredado o banco. O docente não tinha antecedentes criminais e foi preso depois que foi expedido um mandado de prisão temporária dele, com prazo de cinco dias, por associação criminosa e dano qualificado. As penas podem atingir entre quatro e oito anos de reclusão.

A polícia apresentou a jornalistas imagens que mostram uma pessoa de costas, perto da agência bancária, pronta para arremessar algum objeto. “Ele [professor] viu as imagens e confirmou que era ele”, disse o delegado. Com o suspeito foram apreendidos uma calça, uma camisa xadrez e um casaco preto que teriam sido utilizados por ele no dia da depredação.

Perguntado por jornalistas o motivo pelo qual o professor pode responder pelo crime de associação criminosa, o diretor do Deic respondeu: “Eles [diversos manifestantes, o que incluiria o professor] se associaram previamente, por meio de redes sociais ou telefones, para o cometimento de crimes”. Segundo o delegado, o investigado participou de várias manifestações em São Paulo. “Antes do cometimento do crime, eles se organizam, se associam e partem para a depredação. É só entrar na página dele [do professor] no Facebook. Eles sempre estão juntos em todos os lugares. Em todas as vezes em que eles estão juntos, há depredação. E nessa ele foi pego quebrando”, acrescentou Giudice, completando que o professor não admitiu adotar a tática black bloc nas manifestações.

Veja fotos do protesto que culminou na prisão do professor:

Ato do MPL dispersa e mascarados invadem e quebram loja de carros de luxo em São Paulo. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloCentenas de manifestantes marcham em direção à av. Rebouças em protesto do MPL. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL reúne centenas em protesto que marca um ano da redução de tarifas em SP. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press

A prisão foi criticada pelos advogados André Zanardo e Brenno Tardelli, que disseram não ter conseguido sequer acompanhar o depoimento do cliente à polícia. “Chegamos aqui [ao Deic] quando ele já estava sendo ouvido. Dissemos que sem advogado não [era correto] e que ele seria ouvido na presença dos advogados. Mas, quando o encontramos, ele estava chorando e o delegado disse que ele estava confessando [o crime]. Pedimos para acompanhar, mas o delegado nos disse que aqui não iria acontecer isso”, reclamou Zanardo.

O advogado contou que a intenção da defesa era ouvir o professor reservadamente: "O advogado tem o direito de escutar o seu cliente de forma privada. Mas esse direito também foi negado, pois os policiais ficaram do lado. O delegado nos disse que ele estava sendo acusado por associação criminosa, mas não nos falou quem eram as pessoas [a quem ele estaria associado]”, prosseguiu Zanardo. O advogado contou possuir uma gravação feita com o delegado que será apresentada à Justiça, na qual fica comprovado o fato de eles terem sido impedidos de fazer a defesa.

Segundo o diretor do Deic, os advogados estiveram no local mas não quiseram acompanhar o depoimento. “Eles puderam acompanhar o depoimento e o leram, não quiseram assinar e foram embora. Viram que ele declarou que tinha quebrado tudo e foram embora”, disse Giudice.

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Os advogados informaram que pretendem buscar a nulidade do depoimento: “Ele [o professor] não pôde ter seu depoimento acompanhado pelos advogados desde o início e então nos retiramos da sala. Esse depoimento é completamente nulo e inválido e, se não foi possível defendê-lo na polícia, vamos fazer isso no Judiciário. Seja com habeas corpus ou reclamando da restrição do direito de defesa."

Após a entrevista coletiva para explicar a prisão do docente, ocorrida na tarde desta quinta-feira (24), a imprensa pôde fazer imagens do preso, algemado, circulando pelo local, acompanhado sempre por um policial. A exibição do preso para a imprensa foi criticada pelos advogados. "Não há por que ele estar algemado. Ele não apresenta risco para a sociedade", reclamou Zanardo.

De acordo com o diretor do Deic, cinco pessoas que participaram de manifestações em São Paulo, incluindo o professor, foram presas pelo departamento este ano. “Não prendemos manifestantes, mas quem comete crime”, afirmou o delegado. Segundo ele, existem outros casos de pessoas que foram presas durante manifestações na capital paulista, mas em distritos de área que não foram computados nessa relação: “Dos nossos, todos continuam presos".

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