Acordo com a Polícia Militar assegura um prazo de 15 dias para que ação seja realizada; sem-teto passaram a noite no local

Agência Brasil

Após conseguirem com a Polícia Militar (PM) o adiamento de 15 dias para a reintegração de posse da ocupação Portal do Morumbi, cerca de 130 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que ocupavam a sede da construtora Even deixaram o local, no início da tarde desta quinta-feira (17). Eles passaram a noite acampados na entrada prédio, localizado na Rua Hungria, no bairro Jardim Europa, para pressionar a empresa proprietária de terreno a negociar a área de 60 mil metros quadrados. O MTST quer que sejam construídas moradias populares no local.

Integrantes do movimento passam noite de quarta-feira em frente a construtora na zona oeste
Edison Temoteo/Futura Press
Integrantes do movimento passam noite de quarta-feira em frente a construtora na zona oeste


Representantes do movimento e da PM assinaram um documento que assegura o prazo para que a reintegração seja feita. De acordo com o major Ezequiel Morato, que participou da negociação, o período de 15 dias foi combinado com o Judiciário. “Não vamos fazer nesse prazo. É o tempo que eles vão ter para recorrer da decisão”, explicou o policial.

Antes de deixar o local, os manifestantes bloquearam por aproximadamente 40 minutos a pista local da Marginal Pinheiros, em frente à construtora Even, na zona oeste. “Ganhamos um tempo para continuar a nossa luta. Pelo menos temos a garantia de que, nos próximos 15 dias, ela [a reintegração] não vai acontecer”, declarou Simone Sousa, uma das coordenadoras do MTST. Ela informou que a decisão de desmontar o acampamento em frente à construtora foi tomada em assembleia pelos sem-teto e que eles retornarão à ocupação no Morumbi.

A assessoria de imprensa da Even informou que a empresa é proprietária do terreno há três anos e já tem projetos para construção de um condomínio residencial no local. Também negou que haja dívidas fiscais do imóvel. Para a coordenadora do movimento, é preciso mudar a lógica de que “quem é pobre tem que morar longe”. “Cada vez mais a gente é empurrado para bairros distantes. Se hoje eu demoro uma hora e meia para chegar ao trabalho, daqui a pouco vou levar duas horas. Nossa vida só piora desse jeito”, reclamou.

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