PM de São Paulo reprime ato pela liberação de manifestantes presos

Por Agência Brasil |

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A Polícia Militar usou gás lacrimogênio e spray de pimenta para dispersar os grupos de manifestantes; alguns foram presos

Agência Brasil

A Polícia Militar (PM) de São Paulo reprimiu ato, na noite desta terça-feira (1º), pela libertação de ativistas, na Praça Roosevelt, centro da capital paulista. Foram feitas algumas detenções, entre elas a de dois membros dos Advogados Ativistas, coletivo que acompanha as manifestações. Os policiais usaram ainda gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os grupos que protestaram contra as prisões feitas no local. Não foi divulgado nem o número exato, nem o motivo das detenções. Na manhã desta quarta-feira (2), a PM não informou quantas detenções foram feitas.

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Estudantes, professores e militantes se reuniram em assembleia para pedir a liberação do funcionário e aluno da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki e do professor de inglês Rafael Marques. Presos em uma manifestação contra a Copa do Mundo, no último dia 23, eles foram acusados dos crimes de resistência, desobediência, incitação ao crime, formação de quadrilha e porte de artefato explosivo.

Antes mesmo do início da reunião, o local foi cercado pela Tropa de Choque e pela Cavalaria da PM. Manifestantes que chegavam ao local eram revistados. O advogado Daniel Biral foi preso e levado à delegacia após discutir com PMs que estavam sem identificação. Segundo nota divulgada pelos Advogados Ativistas, ele chegou a desmaiar em consequência da ação policial. A advogada Silvia Dascal, que acompanhava Biral, também foi detida.

Apesar dos momentos de tumulto, os manifestantes conseguiram manter os debates no centro da praça. Ao microfone, o professor de direito da Universidade de São Paulo (USP) Ari Solon afirmou que a prisão dos militantes não tem fundamento legal. “O Rafael e o Fábio estão presos por causa dessa ideologia facista da ordem pública, como se eles fossem perigosos”, criticou. “Já viram quadrilha de dois”, ironizou sobre a imputação do crime de formação de quadrilha aos ativistas.

De acordo com Solon, a soma das penas dos crimes pelos quais ambos são acusados não é suficiente para garantir o cumprimento em regime fechado. Portanto, não há sentido na prisão temporária impetrada contra eles: “Tudo isso não suscita regime fechado. Como alguém pode estar preso cautelarmente se a pena final dele não será privativa de liberdade”?

Juiz titular da 3ª Vara do Trabalho de Jundiaí e também professor da USP, Jorge Souto Maior disse que o ato desta noite defendeu direitos fundamentais. Para ele, a ação policial criminalizou o movimento. “Não é possível que pessoas como vocês, que se dispõem a vir até este ato para defender esses direitos, em solidariedade, que estão nas ruas desde junho do ano passado, defendendo os direitos sociais, sejam tratados como criminosos, na perspectiva de terem em volta um batalhão de soldados”, reclamou.

O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, disse que estava no momento da prisão de Fábio, e garante que as acusações imputadas a ele são falsas. “Vi o Fábio ser preso de maneira covarde, sem nenhuma prova e sem nada na mochila”, destacou.

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