MPL contesta PM e nega responsabilidade por quebra-quebra em protesto

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Militante diz que informou trajeto e atividades e assim não haveria necessidade de a "PM tensionar o ato"

O Movimento Passe Livre (MPL) negou nesta sexta-feira (20) que os militantes do grupo tenham responsabilidade pelo quebra-quebra promovido no ato de quinta-feira (19). O protesto, convocado pelo movimento para marcar um ano das manifestações que acabaram com a revogação das tarifas do transporte público em diversas cidades do País, terminou ontem com a depredação de agências bancárias e uma concessionária de veículos de luxo na região da marginal Pinheiros (zona oeste).

São Paulo: Ato do MPL termina após quebra-quebra, foco de incêndio e depredação 

Prejuízo: Valor de carros de luxo depredados pode chegar a R$ 2 milhões

Divulgação/PMSP
Carta que MPL enviou a Polícia Militar

O coronel do Comando de Policiamento da Capital, Leonardo Torres Ribeiro, disse ontem ter recebido, antes do protesto, uma carta do MPL pedindo que a PM mantivesse distância dos manifestantes durante a caminhada. Ribeiro informou que o pedido citava o ato do Comitê Popular da Copa no dia 15 de maio, que transcorreu sem conflitos, quando provocações geradas pela proximidade da PM e manifestantes deflagrou uma brutal repressão ao protesto. A Polícia Militar decidiu respeitar a solicitação do MPL e levou um efetivo preparado para acompanhar o protesto a distância.

A estudante Letícia Cardoso, 18 anos, militante e uma das porta-vozes do grupo, confirmou o envio da carta à polícia, mas disse que a proposta do movimento foi a de realizar um ato "lúdico" sem confrontos com a polícia.

"A PM tentou negociar um projeto para manter a manifestação segura e a gente escreveu essa carta que tinha a programação do ato. Não queríamos conflito. Nós planejamos o trajeto e dispomos para PM nossas intervenções teatrais e de música, com festa, show. Deixamos claro o objetivo do ato e o percurso e assim não haveria necessidade da presença da PM tensionando o ato".

Letícia diz que a apesar do pedido formal, a PM acompanhou o ato o tempo inteiro com Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta), helicóptero e viaturas. "Nós estávamos na marginal Pinheiros quando recebemos a informação de que a Tropa de Choque e a cavalaria estavam chegando e começamos a dispersar em direção ao largo da Batata, onde seria mais fácil e menos perigoso. Seguimos para lá e quando estávamos chegando, eles foram reprimir os manifestantes. A repressão na dispersão foi incoerente", disse.

Veja imagens do ato:

Ato do MPL dispersa e mascarados invadem e quebram loja de carros de luxo em São Paulo. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloManifestantes colocam fogo em catracas cenográficas, de papelão, na Marginal Pinheiros, altura da Ponte Bernardo Goldfarb, durante ato contra a tarifa de transportes. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloApós incidentes na Avenida Rebouças, grupo de manifestantes segue para Marginal Pinheiros. Foto: Iran Giusti/iG São PauloCentenas de manifestantes marcham em direção à av. Rebouças em protesto do MPL. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressMPL reúne centenas em protesto que marca um ano da redução de tarifas em SP. Foto: Facebook MPLMPL retoma protesto para marcar um ano de redução da tarifa de ônibus em SP. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press


Segundo o coronel, a confusão só aconteceu depois da queima simbólica de catracas de papelão, quando alguns manifestantes dispersaram e partiram para a depredação, que aconteceu ainda na marginal Pinheiros e na avenida Rebouças. Ele nega que a polícia tenha sido ingênua ao não agir para evitar o quebra-quebra.  

“Não fomos ingênuos, porque a experiência que temos com manifestantes tem demonstrado resultados obtidos e a contenção desses eventos. A demora foi no deslocamento do nosso efetivo que estava nas proximidades de lá, se é que se pode considerar isso demora”, disse Torres. “Sempre houve depredações em todas as manifestações, com a presença próxima ou não. Se fizer uma retrospectiva, mesmo com a presença física próxima [da polícia], a intenção desses manifestantes foi sempre depredar”, acrescentou.

Confira o conteúdo da carta enviada pelo MPL à PM:

Ilmo
Sr. Secretário de Segurança Pública de São Paulo
Fernando Grella

Ref: Ato do MPL-SP por Tarifa Zero no Dia 19 de Junho

O Movimento Passe Livre – São Paulo vem por meio deste informar sobre o trajeto e as disposições da manifestação que será realizada no dia 19 de junho, com concentração marcada para as 15h na Praça do Ciclista, esquina da av. Paulista com a r.Consolação.

O ato seguirá pela av.Rebouças até a Marginal Pinheiros, onde, próximo a Estação Pinheiros do Metrô, realizaremos uma festa popular de ocupação da via. A proposta do ato é se colocar como uma contraposição lúdica à realização da Copa do Mundo no país, combater a priorização pelo transporte individual pelo poder público e defender a tarifa zero no transporte coletivo.

Sendo assim, o ato tem esse trajeto e essa proposta pré-definida e não serão modificados, não há qualquer disposição dos organizadores da manifestação em levar a marcha para as áreas de exceção da FIFA, seja o Estádio seja as “fan fests”. A organização da manifestação conta com comissão de seguranças que orientará os presentes em manter a proposta da manifestação.

Entendemos que a manifestação pretende promover uma ocupação lúdica da cidade e nos causa preocupação a presença ostensiva da PM de SP que tem impedido em atos recentes que as manifestações ocorram dentro das propostas de seus organizadores. Citamos como exemplo principal o ato do 15 de maio, organizado pelo Comitê Popular da Copa de São Paulo, que transcorria sem conflitos, até que provocações pela grande proximidade de manifestantes e policiais deflagrou uma brutal repressão e o fim da manifestação com menos de 15 minutos de ato.

Por isso, entendemos que os movimentos sociais devem ter autonomia para promover sua própria segurança. A disposição do MPL em manter uma manifestação como celebração pelo um ano da derrubada dos 20 centavos está aqui expressa.

Att,
Movimento Passe Livre - São Paulo

*Com informações da Agência Brasil

Leia tudo sobre: IGSPatoMPLPMdepredação

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas