Movimento pretende levar 5 mil a ato simbólico que celebra um ano da revogação do aumento da tarifa dos transportes em SP

Exatamente um ano atrás, no dia 19 de junho de 2013, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin anunciaram uma decisão impensável até dias antes. Após duas semanas de intensas manifestações e conflitos na capital paulista, o chefe do poder executivo paulistano e o governador do Estado de São Paulo decidiram revogar o aumento de R$ 0,20 das tarifas de ônibus e metrô, instituído no início de junho, dando ao Movimento Passe Livre (MPL) uma importante vitória, que será celebrada em ato simbólico marcado para esta quinta-feira (19).

Integrantes do MPL em protesto pela melhoria do transporte público paulistano, em outubro
Gabriela Bilo/Futura Press
Integrantes do MPL em protesto pela melhoria do transporte público paulistano, em outubro

Batizado de "Não Vai Ter Tarifa - Ato na Copa do Mundo pela Tarifa Zero", a manifestação será a primeira de grande projeção do grupo na capital paulista desde o dia 26 de outubro do ano passado, quando o MPL organizou a Semana Nacional de Luta pelo Transporte Público, com protestos concomitantes em outras 12 cidades brasileiras. De lá para cá, pouco se ouviu sobre o movimento, a não ser quando envolvido em outras causas, como as por moradia do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ou pelas melhorias nas condições de trabalho exigidas pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

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"A gente costuma dizer que saiu das ruas do centro e se voltou para a periferia", afirma Letícia Cardoso, jovem de apenas 18 anos que assumiu para este ato o papel de ser uma das porta-vozes do grupo, função revezada entre militantes para deixar clara a característica do MPL de não possuir lideranças. "Fizemos atos ao longo do ano, mas sempre focados no transporte e na mobilidade de localidades específicas, como os organizados no Jardim Marsilac. Acreditamos que focar nesses extremos da cidade pode ajudar o grupo a se fortalecer também em questões maiores, como a tarifa zero."

A bandeira de transporte gratuito faz parte da própria origem do MPL, criado em 2005, e será novamente empunhada como principal foco do ato desta quinta-feira, apesar de todo o simbolismo da data. O grupo também deverá contar com apoio de outros movimentos, como o Sindicato dos Metroviários, voltando a insistir na readmissão dos 42 funcionários demitidos na semana passada, após greve da categoria.

Veja fotos das manifestações de junho de 2013:

Protagonista em 2013
Partiu do Movimento Passe Livre a grande força dos protestos de 2013, quando, depois de uma série de atos, conseguiu atrair a atenção da mídia e da população para sua causa, ampliando a adesão popular às passeatas. Foi no dia seguinte à revogação do aumento da tarifa de transporte público que ocorreram os maiores protestos no País, que chegaram a reunir mais de 1 milhão de pessoas em um total de mais de cem cidades brasileiras.

Assim, quase sete meses depois de ter deixado o papel de protagonismo nas ruas, o MPL volta a testar sua força política em pleno feriado, com a intenção de reunir ao menos cinco mil pessoas em manifestação que pretende atravessar cerca de cinco quilômetros da cidade a pé, fechando diversas vias importantes da capital. O encontro está marcado para as 15h, na Praça do Ciclista, Avenida Paulista, e passará pelas Avenidas Rebouças e Eusébio Matoso até chegar à Marginal Pinheiros, ao lado do Metrô Pinheiros, onde serão realizadas atividades culturais, com dança, música e espetáculos teatrais.

"A tarifa zero é tecnicamente possível. O que a inviabiliza é o discurso político", afirma Letícia. "A data de 19 de junho foi muito importante porque, quando os poderes políticos voltaram atrás no aumento da tarifa, ela mostrou à população que as mudanças podem ocorrer de baixo para cima, com as massas, não só de cima para baixo, como é de costume. A intenção é a de termos um ato sem confronto, em linha reta, com o apoio de todos os outros movimentos."

Observadores Legais
O dia do retorno do MPL às ruas registra também a segunda atuação dos Observadores Legais em manifestações pelo Brasil. Inspirada em um grupo criado na década de 1930 nos EUA com o intuito de denunciar arbitrariedades da polícia em protestos, a ideia foi trazida ao País pelos Advogados Ativistas, profissionais de Direito que voluntariamente prestam auxílio a pessoas envolvidas com problemas legais durante os atos nas ruas.

A primeira atuação dos Observadores ocorreu no último dia 12 de junho, data da abertura da Copa do Mundo, em frente à estação de Metrô Carrão, onde foi realizado um pequeno protesto contra o Mundial marcado por confrontos entre PMs e manifestantes. Identificados com coletes chamativos para evitar que fossem confundidos com militantes, 40 voluntários espalhados pela região tiveram a missão de registrar cada aspecto do ato, com especial atenção à atuação dos policiais.

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