MTST volta a protestar nesta quarta-feira contra Plano Diretor de SP

Por Agência Brasil |

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Movimento dos Trabalhadores Sem Teto espera reunir 15 mil pessoas em manifestação na Avenida Paulista

Agência Brasil

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) deve voltar às ruas nesta quarta-feira (18) para protestar contra a condução da revisão do Plano Diretor da cidade de São Paulo, informou o coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos.

A expectativa do MTST é reunir 15 mil pessoas na manifestação, que ocorrerá na Avenida Paulista. Boulos disse que apesar do acordo com o governo federal, o movimento não deixará as ruas. O acordo prevê a construção de moradias populares no terreno, ocupado pelo movimento Copa do Povo.

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“Para o MTST, estar nas ruas e fazer mobilização não é um ponto negociável. Não fechamos nenhum acordo nesse sentido”, disse. “O que nos comprometemos foi a não fazer mobilizações que inviabilizem a Copa do Mundo. E não iremos inviabilizar. Foram R$ 2 bilhões em segurança para impedir que [a Copa] seja inviabilizada”. A intenção da manifestação, explica ele, é denunciar o lobby do setor imobiliário no plano diretor.

O Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo é o principal instrumento de planejamento urbano. Os instrumentos estão sendo revistos “para organizar melhor os espaços da cidade”, como informa o site da prefeitura. O plano vigente é o de 2002.

Veja imagens da manifestação do MTST que reuniu 15 mil pessoas em maio

Manifestantes caminham à Marginal Pinheiros em protesto convocado pelo MTST, na quinta-feira (22). Foto: Futura PressCerca de 15 mil pessoas participaram da manifestação, segundo a PM. Foto: Futura PressManifestantes avistando a Ponte Estaiada Octávio Frias Filho, na Marginal Pinheiros. Foto: Facebook/ReproduçãoManifestantes se aproximam da Ponte Estaiada Octávio Frias Filho, na Marginal Pinheiros. Foto: Facebook/ReproduçãoManifestantes atravessam a Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, na noite desta quinta-feira (22). Foto: Facebook/ReproduçãoProtesto teve início no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista. Foto: Facebook/ReproduçãoDe lá, os manifestantes partiram em direção à Marginal Pinheiros. Foto: Facebook/ReproduçãoO objetivo do grupo era chegar à Ponte Octávio Frias Filho, símbolo de um dos pólos financeiros da capital. Foto: Facebook/ReproduçãoFoi terceiro ato contra o Mundial às vésperas da Copa do Mundo. Foto: Manifestação MTST - 22-05-2014Manifestantes fecham pista da Faria Lima em caminhada rumo à zona sul de SP. Foto: Facebook/ReproduçãoNúmero de participantes aumentou ao longo do protesto; estimativa inicial de 2 mil subiu para 15 mil ao fim da manifestação. Foto: Facebook/Reprodução


Boulos explica que não apenas São Paulo, mas o país precisa reverter a lógica urbana. A política urbana não pode ser apenas habitacional é preciso oferecer infraestrutura - escolas, transporte, saúde, bibliotecas - aos moradores, segundo ele. “[É preciso] uma política que não seja excludente. É disso que se trata quebrar os muros sociais. Temos os bairros centrais que são providos de infraestrutura e os periféricos, onde os trabalhadores são jogados, os serviços são precários e a estrutura é precária”.

Nesse sentido, o coordenador do MTST critica o Programa Minha Casa, Minha Vida, um dos principais do governo federal. “O programa faz moradias ruins e mal localizadas”, disse e acrescenta que os grandes beneficiados são as empreiteiras, que recebem a mesma quantia do governo independente do local e da qualidade do que constroem. Apesar disso, reconhece que o programa “foi a grande política habitacional depois de 30 anos, desde a década de 80”.

Boulos também diz que o problema habitacional do Brasil poderia ser resolvido com desapropriações, que não são feitas por falta de legislação e porque esbarram em interesses econômicos de grandes grupos imobiliários. De acordo com ele, o déficit habitacional do Brasil chega a 7 milhões de unidades habitacionais. Na outra ponta, o número de unidades ociosas é 6,1 milhões. “A maioria dos prédios não está condenada. Está vazia por especulações. Esperando investimentos para que possa ser vendida a valores mais altos”.

Perguntado sobre o que é não ter acesso a moradia, responde: “É a desestruturação da vida como um todo. Pense nisso, uma família, pai, mãe, filhos, morando no mesmo cômodo, que estutura familiar se construiu? As pessoas não têm as condições básicas de subsistência e sobrevivência”. O coordenador acrescenta que a conquista da moradia digna “é um passo para que as pessoas vivam dignamente”.


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