Greve é descartada e metrô de SP funciona na abertura da Copa

Por David Shalom - iG São Paulo | - Atualizada às

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Sindicato não descarta, no entanto, novas paralisações; assembleias acontecerão nas próximas semanas

Em votação realizada no início da noite desta quarta-feira (11), metroviários decidiram pela não suspensão do expediente a partir de meia-noite desta quinta-feira (12), primeiro dia da Copa.

O clamor da direção sindical agora é pela readmissão dos funcionários desligados da companhia após a greve ter sido considerada abusiva pela Justiça. A indignação com as demissões monopolizou a pauta e chegou a minimizar os clamores por aumento. Pela primeira vez, as lideranças sindicais se referiram ao reajuste salarial já concedido, de 8,7%, como uma vitória.

Nesta quinta-feira (12), às 10h, a categoria voltará a se reunir em passeata pela readmissão dos funcionários desligados da companhia. O sindicato não descartou a possibilidade de novas greves. O tema será decidido em assembleias que devem acontecer nas próximas semanas.

O presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres, havia enfatizado em discurso que antecedeu o pleito que a proposta era não realizar nova greve, e sim comandar uma campanha pelo fortalecimento da categoria. "Entre todos os companheiros, a maioria diz para darmos um tempo, mas não desistir", disse. 

Sua fala teve papel crucial na votação. Embora inicialmente o clima fosse a favor da nova paralisação, a decisão pela não realização da nova greve foi quase unânime entre os cerca de 1500 presentes. 

David Shalom/iG São Paulo
Altino discursa em assembleia no início da noite desta quarta-feira (11) pela readmissão de funcionários desligados por Alckmin






Um dos 42 demitidos, Fabio Gregorio, operador da linha 1, defendeu a realização de nova greve.

"Uma luta de cinco dias, organizada, não pode recuar sem a readmissão dos funcionários. Falamos que não íamos arregar, que não íamos perder. A gente tem força pra seguir, companheiros. Neste momento, f* a Copa. Eu quero é meu emprego", finalizou, sendo bastante aplaudido.

Durante a assembleia também foi votado um conjunto de novas propostas para a categoria. Às reivindicações pela readmissão dos funcionários se somaram questões como a abertura de uma conta bancária para doações da população e dos próprios sindicalizados com o objetivo de subsidiar os salários dos demitidos até sua reintegração e também a quitação da multa imposta pela Justiça.

"(A não realização de nova greve) foi uma estratégia, não um recuo. Somos um sindicato democrático e ouvimos a categoria. Ela percebeu que neste momento era melhor aguardar, porque não seria bom um enfrentamento durante a Copa", discursou Prazeres.

A categoria havia suspendido uma greve parcial de cinco dias na última segunda-feira (9), após 42 metroviários serem demitidos por justa causa. As demissões são consideradas injustas e políticas pela categoria, que pretende pressionar o governo a revogá-las. Segundo o governo do Estado, os demitidos foram identificados como alguns dos responsáveis por dano ao patrimônio do Metrô durante ações do grevistas e confrontos com a polícia.

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Movimentação de passageiros na estação Barra Funda do Metrô após suspensão da paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta terça-feira (10). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressMetroviário se preparam para votar a continuidade da greve em São Paulo. Foto: Ana Flávia OliveiraManfentantes caminham por ruas do centro de São Paulo, nesta segunda-feira, em apoio à greve do metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraManfentantes caminham por ruas do centro de São Paulo, nesta segunda-feira, em apoio à greve do metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraManfentantes caminham por ruas do centro de São Paulo, nesta segunda-feira, em apoio à greve do metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraConcentração de manifestantes e policiais em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraConcentração de manifestantes e policiais em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraConcentração de manifestantes e policiais em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraConcentração de manifestantes e policiais em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraProtesto em frente a estação Ana Rosa do Metrô durante a paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta segunda-feira (9). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressProtesto em frente a estação Ana Rosa do Metrô durante a paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta segunda-feira. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressPolícia Militar reforça a segurança na estação Ana Rosa do Metrô, após confronto entre manifestantes e a Tropa de Choque, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraPolícia Militar reforça a segurança na estação Ana Rosa do Metrô, após confronto entre manifestantes e a Tropa de Choque, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraPolícia Militar reforça a segurança na estação Ana Rosa do Metrô, após confronto entre manifestantes e a Tropa de Choque, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraPolícia Militar reforça a segurança na estação Ana Rosa do Metrô, após confronto entre manifestantes e a Tropa de Choque, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraRestos de lixo queimado durante protesto na estação Ana Rosa, nesta segunda-feira (09). Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação na estação após o confronto desta manhã (09). Foto: Ana Flávia OliveiraMesmo com estação reaberta, ônibus saem lotados da estação Ana Rosa. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação na estação Ana Rosa após confronto entre a PM e manifestantes no quinto dia de greve do Metrô. Foto: Ana Flávia OliveiraOutro dias de greve: Estação Corinthians-Itaquera do Metrô amanhece fechada devido à paralisação dos metroviários em São Paulo, na sexta-feira (6). Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSTropa de Choque da Polícia Militar reforça a segurança na estação Brás do Metrô, durante a paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta sexta-feira (06). Foto: Paulo Lopes/Futura PressHomem é detido na estação Brás do Metrô, durante a paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta sexta-feira (6). Foto: Paulo Lopes/Futura PressMovimentação na estação Ana Rosa do Metrô de São Paulo, após confronto entre manifestantes e policias, nesta sexta-feira (06), no segundo dia de greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação na estação Ana Rosa do Metrô de São Paulo, após confronto entre manifestantes e policias, nesta sexta-feira (06), no segundo dia de greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraSem Metrô, paulistanos enfrentam dificuldades em pegar ônibus em manhã chuvosa desta sexta-feira (06). Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação na estação Ana Rosa do Metrô de São Paulo, após confronto entre manifestantes e policias, nesta sexta-feira (06), no segundo dia de greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraNa quinta-feira, primeiro dia de greve, a estação Corinthians-Itaquera do Metrô amanhece fechada com paralisação dos metroviários em São Paulo. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSEstação Palmeiras-Barra Funda fechada devido à paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta quinta-feira (5). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressEspera por ônibus em frente a estação Palmeiras-Barra Funda do Metrô, que amanheceu fechada devido à paralisação dos metroviários em São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressUsuários invadem a estação Corinthians-Itaquera da CPTM, devido à paralisação dos metroviários em São Paulo, nesta quinta-feira (5). Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSUsuários invadem a linha da estação da CPTM Corinthians-Itaquera, nesta quinta-feira (5). Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSTrânsito intenso na Radial Leste, nesta quinta-feira (5), próximo a estação Carrão do Metrô, durante a paralisação dos metroviários. Foto: Evaldo Fortunato/Futura PressMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraO auxiliar de loja Oséas Pinheiro de Souza, de 23 anos, esperando por um ônibus na região da estação Jabaquara do Metrô de São Paulo, nesta quinta-feita (05). Foto: Ana Flávia OliveiraPassageiros tentam entrar em ônibus na zona sul da capital paulista, nesta quinta-feira (05), em dia de greve de metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraVans fazem trajetos de ônibus por até R$ 10 na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira (05). Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraBalconista de farmácia tira foto da estação fechada como prova da impossibilidade de ir a curso. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMotorista de ônibus parado no ponto: "O normal é levar 1h30, mas estou fazendo em 3 horas". Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraMovimentação em frente a estação Jabaquara do Metrô, que amanheceu fechada nesta quinta-feira (05) com a greve dos metroviários. Foto: Ana Flávia OliveiraO taxista Roberto Serafim Trovo, 63 anos, também reclama da greve: "Para nós não compensa ficar no trânsito". Foto: Ana Flávia OliveiraAssembleia dos Metroviários vota pela greve. Foto: Sindicato dos Metroviários/SP


Durante ato anterior à assembleia de metroviários desta quarta-feira (11), a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) elogiou as paralisações dos metroviários e as classificou como 'lição de coragem". Seu discurso engrossou o coro das lideranças sindicais, que insistiam pela reversão das demissões.

"Vim agradecer a vocês pela lição de coragem, garra e consciência de classe. Quem diz que não há luta de classe, ou organização de trabalhadores, tem que vir para São Paulo. A lição que vocês estão dando de indignação e organização é um exemplo para o Brasil", declarou a ex-prefeita de São Paulo. "O desrespeito do direito à greve é uma afronta ao estado democrático. Não podemos fazer concessões em relação aos nossos direitos. A paralisação de vocês está acordando a população. Não cedam, fiquemos juntos. Vim trazer meu apoio, minha solidariedade e meu mandato, que é do povo. Quero apresentar projeto de lei na Câmara dos Deputados para anistiar os que foram demitidos. É preciso restituir o emprego destes trabalhadores. Parabéns, meu povo, e obrigada pela lição."

Mais cedo houve uma reunião entre o sindicato e representantes do Metrô, que terminou sem acordo. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino Prazeres, a empresa não aceitou reverter a decisão de demitir 42 trabalhadores, desligados após a greve de cinco dias.

Os metroviários, que reivindicavam aumento de 35,47%, começaram a greve na última quinta-feira (5). O governo estadual ofereceu 7,8%. Após audiências entre as partes, a Justiça entendeu que a greve era abusiva e estabeleceu aumento de 8,7%. O índice não foi aceito pela categoria, que continuou em greve. O presidente do Sindicado dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Junior, disse que a categoria não aceitaria reajuste menor que 10% . Uma multa de R$ 500 mil por dia foi aplicada ao sindicato.


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