Paralisação dos metroviários entrou no quinto dia nesta segunda (9). Três linhas têm funcionamento parcial

A greve dos metroviários em São Paulo que entrou no quinto dia nesta segunda-feira (9) segue afetando milhares de pessoas que dependem do Metrô para chegar ao trabalho e aos seus compromissos.

Mais:  No quinto dia de greve, Metrô de São Paulo tem paralisações em três linhas

Demissões: Metrô afirma que cerca de 60 funcionários grevistas serão demitidos em SP

O desenvolvedor de sistemas Lincoln Andriatto, 36 anos, diz que a greve está saindo cara para ele. Ele mora nos bairro São João Clímaco, na zona sul da cidade, e trabalha em Alphaville. Por causa da greve, ele chegou a ir de carro para o trabalho nos dois primeiros dias e além da gasolina e do pedágio, teve que pagar R$ 26 de estacionamento.

Câmeras pela cidade: Veja como está o trânsito em na capital paulista

Confusão: PM e manifestantes entram em confronto próximo a estação do Metrô

O desenvolvedor de sistemas Lincoln Andriatto disse que a greve dos metroviários está saindo cara para ele
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
O desenvolvedor de sistemas Lincoln Andriatto disse que a greve dos metroviários está saindo cara para ele

Geralmente, Andriatto vai de Metrô até a avenida Paulista, onde pega um ônibus intermunicipal. "Hoje fiquei duas horas dentro do ônibus do Sacomã até Ana Rosa. Vou demorar umas quatro horas para chegar ao trabalho", afirmou o desenvolvedor de sistemas.

Já o consultor de investimentos João Martins, 23 anos, disse que precisou andar entre as estações Praça da Árvore, onde mora, e Ana Rosa. Ele trabalha perto da estação Brigadeiro e por causa da greve tem chegado atrasado todos esses dias, mas afirma que o chefe entende. "Ele também fica preso no trânsito", diz o consultor. 

Durante greve dos metroviários,o consultor de investimentos João Martins tem chegado todos os dias atrasado no trabalho
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Durante greve dos metroviários,o consultor de investimentos João Martins tem chegado todos os dias atrasado no trabalho

 "Eu trabalho na iniciativa privada e não tenho aumento acima da inflação. Acho que com tanto tempo de negociação já deviam ter chegado a um acordo. A população está sendo muito prejudicada", afirma Martins que é contra a greve.

O auxiliar de transporte Jeremias do Prado, 47 anos, participa da manifestação que acontece no centro de São Paulo em apoio à greve do Metrô.  "Apoio a greve, os trabalhadores têm que ir para rua para tirar esse governo que está ai", afirma.

Concentração de manifestantes e policiais em frente à secretaria municipal de Transportes, neste segunda-feira (09)
Ana Flávia Oliveira
Concentração de manifestantes e policiais em frente à secretaria municipal de Transportes, neste segunda-feira (09)

Três linhas do Metrô de São Paulo parcialmente. As linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha funcionam em trechos intermediários. Já a Linha-5 Lilás opera normalmente desde as 4h50, em toda a extensão. A Linha-4 Amarela, operada pela Via Quatro, tem funcionamento normal desde o horário de abertura, às 4h40.

A greve e decisão da Justiça

A assembleia dos metroviários realizada neste domingo (08) decidiu manter a paralisação, contrariando decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo que determinou a ilegalidade do movimento e o fim da greve.

Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato da categoria, disse que a proposta oferecida pelo governo estadual, a mesma da Justiça – 8,7% de aumento sobre os salários em 30 abril deste ano, que considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de 3,5% de aumento real – é insuficiente. O sindicato deve recorrer da decisão.

Altino disse ainda que o sindicato não tem intenção de prejudicar a Copa do Mundo – a abertura do evento ocorre daqui três dias na capital paulista. “O sindicato não quer acabar com a Copa. Sou torcedor de futebol e vou torcer pelo Brasil. Mas tem que ter dinheiro também para o trabalhador, não pode gastar só com o Itaquerão, só com grandes obras”, declarou.

O presidente do sindicato comentou ainda sobre a possibilidade de demissões. “Se tiver demissão, a situação vai piorar, porque nós vamos aumentar a greve. Se demitir vamos ficar mais dias em greve. Eu espero que a gente volte. Se o governador buscar uma negociação, a gente sai desse impasse”, disse ele. Segundo o sindicato, uma nova assembleia da categoria foi marcada para hoje, às 13h.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.