'Nossa força está além da nossa categoria', afirma metroviária demitida em SP

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Cerca de 60 metroviários grevistas foram demitidos por justa causa nesta segunda-feira. Dois deles falaram com o iG hoje

Cerca de 60 metroviários grevistas foram demitidos por justa causa nesta segunda-feira (9), segundo a assessoria do Metrô de São Paulo. Decisão foi tomada após a greve dos ser considerada abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho neste domingo (8).

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Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
A agente de estação Camila Lisboa ,29 anos, foi uma dos metroviários demitidos durante greve em SP

A agente de estação Camila Lisboa, 29 anos, foi uma dos 60 metroviários demitidos durante a greve. Ela trabalhava há dois anos na companhia e, segundo ela, foi demitida por ser diretora da base do sindicato e tinha como obrigação participar ativamente dos atos da paralisação. 

Camila afirma que realizou piquetes nas estações, colou cartazes, participou de assembleias e conversou com a população nos trens sobre a ação da categoria. Ela espera que o governo reveja as demissões. "Nossa força está além da nossa categoria. Temos o apoio da população e o governo vai ter que rever a força da nossa categoria".

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Everton Bruno, 27 anos, também foi um dos metroviários demitidos durante greve em SP

O agente da estação Ana Rosa Everton Bruno, 27 anos, também foi um dos metroviários demitidos. Ele afirma que as demissões foram uma maneira que o governo estadual encontrou para intimidar a categoria.

"Primeiro o governo negociou com cassetete, depois com a liminar de justiça. A ideia é acabar o movimento cortando as cabeças. Pelo menos quatro demitidos são ativistas da categoria. A demissão é política", afirmou Bruno.

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Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Agente de estação Everton Bruno recebeu telegrama de demissão na manhã desta segunda-feira (9)

O agente ainda diz que as demissões são ilegais. "Sou diretor de base do sindicato e cipista eleito. Tenho estabilidade durante um ano e meio depois do mandato". Bruno estava na estação Ana Rosa quando os 13 grevistas foram detidos. "A PM manteve a gente em cárcere privado. Estávamos negociando nossa saída quando a polícia veio para cima". O agente recebeu o telegrama de demissão por volta das 11h30 de hoje em sua casa.

Nesta segunda, a greve dos metroviários entrou em seu quinto dia, com funcionamento parcial das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. Já a Linha-5 Lilás opera normalmente desde as 4h50, em toda a extensão. A Linha-4 Amarela, operada pela Via Quatro, tem funcionamento normal desde o horário de abertura, às 4h40.

A greve

A assembleia dos metroviários realizada neste domingo (08) decidiu manter a paralisação, contrariando decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo que determinou a ilegalidade do movimento e o fim da greve.

Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato da categoria, disse que a proposta oferecida pelo governo estadual, a mesma da Justiça – 8,7% de aumento sobre os salários em 30 abril deste ano, que considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de 3,5% de aumento real – é insuficiente. O sindicato deve recorrer da decisão.

Altino disse ainda que o sindicato não tem intenção de prejudicar a Copa do Mundo – a abertura do evento ocorre daqui três dias na capital paulista. “O sindicato não quer acabar com a Copa. Sou torcedor de futebol e vou torcer pelo Brasil. Mas tem que ter dinheiro também para o trabalhador, não pode gastar só com o Itaquerão, só com grandes obras”, declarou.

O presidente do sindicato comentou ainda sobre a possibilidade de demissões. “Se tiver demissão, a situação vai piorar, porque nós vamos aumentar a greve. Se demitir vamos ficar mais dias em greve. Eu espero que a gente volte. Se o governador buscar uma negociação, a gente sai desse impasse”, disse ele.

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