Em carta, Altino de Melo Prazeres Junior diz ter feito esforços para não prejudicar população e pede ajuda com negociações

O sindicato dos metroviários de São Paulo enviou uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff pedindo para ela intervir no impasse junto ao governo do Estado. Neste domingo (8), o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) julgou a greve da categoria, que já dura quatro dias, abusiva e ilegal.

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Na carta, o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres Junior, afirma ter feito “Todos os esforços para evitar que a greve causasse prejuízos à população. No entanto, o governador Geraldo Alckmin e o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, não permitiram evolução nas negociações.” 

Prazeres diz ainda que a categoria não quer atrapalhar a Copa do Mundo, "Assim como não nos interessa prejudicar a população. É por isso que pedimos à presidenta que auxilie nossa categoria a reabrir as negociações". A paralisação já entra em seu quarto dia.

Leia a carta na íntegra:

Excelentíssima Presidenta da República Dilma Vana Rousseff, 

Nós, do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, estamos em um processo de reivindicação trabalhista junto ao governo do Estado de São Paulo há alguns meses. Isso culminou na deflagração de uma paralisação da categoria desde o dia 5 de junho.

Fizemos todos os esforços para evitar que a greve causasse prejuízos à população (sugerimos a realização de greve com catraca livre e funcionamento normal do Metrô) e para alcançar um acordo de maneira rápida e satisfatória. No entanto o governador do Estado Geraldo Alckmin e o secretário Estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, não permitiram evolução nas negociações com o sindicato e os trabalhadores.

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Nossa categoria enfrenta diversas dificuldades, tais como perdas reais acumuladas de 35% no valor de nossos salários, evolução de planos de carreira, não pagamento de adicionais de periulosidades, entre outros problemas. Como prova de disposição ao diálogo, sinalizamos aceitar um reajuste menor do que era nossa proposta inicial. E embora as instâncias judiciais tenham se manifestado em favor da reabertura das negociações, o governo do Estado tem se recusado a dialogar.

Assim, para que a população da cidade de São Paulo não seja prejudicada, gostaríamos de pedir à Presidenta que intervenha no conflito e auxilie nossa categoria na reabertura das negociações. Evoluído o atendimento de nossas reivindicações, é nosso interesse voltar ao trabalho o mais breve possível, porém a interrupção das negociações inviabilizam essa hipótese. Sabemos que estamos a poucos dias da abertura da Copa do Mundo de Futebol, um grande evento que realizará sua abertura na cidade de São Paulo e que depende, em grande medida, para sua realização bem-sucedida, do trabalho que realizamos todos os dias.

Não é nosso objetivo prejudicar esse evento, assim como não nos interessa prejudicar a população da cidade. É por isso que pedimos à Presidenta que auxilie nossa categoria a reabrir as negociações com o governo do Estado de São Paulo, para que esse litígio trabalhista possa ser resolvido da maneira mais rápida, de forma satisfatória a ambas as partes, da população de nossa cidade e do país.

Agradecendo a compreensão e na certeza de que Vossa Excelência tomará as medidas necessárias para reverter esse impasse.

Atenciosamente, 

Altino de Melo Prazeres Junior

Funcionamento 

Quatro linhas do Metrô funcionam parcialmente em São Paulo neste domingo após os metroviários decidirem manter a greve em assembléia realizada no sábado (7). 

A linha 4-Amarela está interditada em trecho das estações Paulista e Faria Lima por causa das obras de expansão nas futuras estações Fradique Coutinho e Oscar Freire. Os usuários poderão recorrer a operação Paese, Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência, nesse trecho, que coloca ônibus à disposição dos passageiros.

Já as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha continuam operando parcialmente. A linha 1-Azul opera entre o trecho Ana Rosa e Luz; a linha 2-Verde entre o trecho Ana Rosa e Clínicas e a linha 3-Vermelha das estações Bresser-Mooca a Marechal Deodoro. A linha 5-Lilás funciona normalmente desde as 4h45.

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