Irão à estação Ana Rosa o MPL, centrais sindicais e até docentes da USP; Sem-Teto querem mobilizar no mínimo mil pessoas

Entrando no quinto dia consecutivo de greve, o Sindicato dos Metroviários organizará uma grande manifestação na entrada da estação Ana Rosa do Metrô, marcada para as 7h desta segunda-feira (9). Ainda não foi divulgado o itinerário do protesto, que os grupos, afirmam, definirão na hora.

Veja imagens da greve que já se arrasta por quatro dias:

Grupos como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Movimento Passe Livre (MPL), centrais sindicais e até professores em greve da USP se comprometeram a apoiar o ato, em solidariedade à falta de diálogo do Governo de São Paulo com a categoria.

"O MTST vai levar peso ao ato. Claro que, pelo horário, pode haver um problema de massificação. Mas estamos chamando moradores de nossas ocupações, como Copa do Povo e Nova Palestina, e pretendemos, só com o movimento, levar no mínimo mil pessoas", afirmou ao iG um representante dos Sem-Teto.

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O ato começou a ser organizado no sábado (7), antes mesmo de ser confirmada a paralisação para esta segunda, a poucos dias da abertura da Copa do Mundo. A manutenção da greve foi decidida em assembleia realizada na tarde de domingo (8).

"Vai ter muita gente", disse a assessoria do sindicato. "Já tem pessoal indo para lá hoje, já que está cada vez mais difícil se deslocar pela cidade. É um grande manifesto de solidariedade à greve, ainda mais depois desse golpe que tomamos do TRT, sentenciando uma multa de R$ 500 mil por dia de paralisação."

Apesar de ainda haver quatro dias para se chegar a um acordo, o sindicato não descarta manter a greve até quinta (12), quando ocorre a abertura do Mundial, na Arena Corinthians, localizada em Itaquera, zona leste da cidade. Desde o início da paralisação a estação ao lado do estádio - Corinthians-Itaquera, uma das mais movimentadas da capital - permanece fechada.

Durante a assembleia que decidiu pela continuidade da greve, trabalhadores seguravam cartazes com os dizeres "até a Copa", em referência a essa possibilidade. "Os metroviários estão firmes em conquistar suas reivindicações", afirmou o sindicato.

Quinto dia de greve
O Sindicato dos Metroviários decidiu manter a greve da categoria em São Paulo durante assembleia realizada na tarde deste domingo (8), na sede do grupo, na zona leste da cidade. A decisão vem no quarto dia de paralisação dos trabalhadores, que estão de braços cruzados desde a 0h de quinta (5).

Ao contrário da assembleia de sábado (7), no entanto, não houve unanimidade na decisão de manter a continuidade da greve. Os trabalhadores se dividiram entre os que gostariam de voltar aos trabalhos e os que preferiram insistir na demanda por reajuste salarial. A poucos dias da Copa do Mundo, a segunda-feira será o quinto dia de paralisação.

Em sessão extraordinária realizada horas antes da assembleia, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou abusiva e ilegal a paralisação, decidindo elevar a multa diária, antes em R$ 100 mil, para R$ 500 mil. Representantes do Metrô e do Sindicato dos Metroviários assistiram à sessão.

Relator do processo, o desembargador Rafael Pugliese afirmou que o transporte é um direito social e precisa ser garantido, mesmo que minimamente. Além disso, disse que a classe desrespeitou a decisão anterior que obrigava a categoria a garantir circulação de 100% dos trens no horário de pico e 70% nos demais. A paralisação afeta em média 4 milhões de pessoas.

O maior entrave na negociação é o índice de reajuste. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Metroviários de São Paulo pedia, inicialmente, 35,47% de aumento. O valor foi reduzido para 16,5% e, na última audiência, para 12,2%. O Metrô ofereceu 5,2%; 7,98% e, finalmente, 8,7%. Não há sinalização de acordo de ambas as partes.

Neste domingo, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo enviou carta à presidente Dilma Rousseff na qual pediu intervenção do Governo Federal junto a Geraldo Alckmin. O presidente da categoria, Altino de Melo Prazeres Junior, afirmou ter feito “todos os esforços para evitar que a greve causasse prejuízos à população. No entanto, o governador e o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, não permitiram evolução nas negociações.”

Prazeres disse ainda que a categoria não quer atrapalhar a Copa do Mundo, "assim como não nos interessa prejudicar a população. É por isso que pedimos à presidenta que auxilie nossa categoria a reabrir as negociações".

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