Após nova assembleia da categoria, neste sábado, trabalhadores optaram por manter paralisação no domingo

A abertura da Copa do Mundo se aproxima e o metrô segue paralisado em São Paulo. Em nova assembleia realizada no final da tarde deste sábado (7), o Sindicato dos Metroviários decidiu por manter para este domingo (8) a greve, que já afeta a cidade há três dias.

"A decisão foi unânime. Não teve voto contra nem abstenção", afirmou ao iG a assessoria da categoria, entrando em seu quarto dia de greve consecutiva no primeiro dia da semana do início do Mundial, na quinta (12), no Itaquerão.

No domingo, às 10h, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) voltará a julgar a paralisação, marcada por ataques de ambos os lados - trabalhadores criticando intransigência de negociar do governo estadual paulista e vice-versa. Às 14h, nova assembleia na sede da categoria, no bairro do Tatuapé, zona leste, decidirá se a greve continuará na segunda-feira (9).

A decisão da categoria é consequência da decisão da Companhia do Metropolitano (Metrô) de São Paulo de manter  sua última proposta de reajuste salarial (8,7%) feita aos trabalhadores, em audiência realizada na sexta (6), no TRT. Os mediadores do TRT tribunal chegaram a propor que a empresa apresentasse um aumento de, ao menos, 9%. A empresa, no entanto, não aceitou.

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Os mediadores propuseram então que, caso fosse dado aumento de 8,7%, a participação nos lucros e resultados (PLR) deveria ser dividida igualmente entre os empregados, uma das reivindicações dos metroviários. O Metrô também rechaçou essa possibilidade.

Os metroviários afirmaram, no início da sessão, que poderiam reduzir o pedido de reajuste de 12,2%, apresentado na quinta (5), desde que houvesse avanço na proposta da empresa. Esta foi a quinta reunião de conciliação entre as partes que terminou sem acordo. Sem nova proposta, as chances são mínimas de a assembleia dos trabalhadores, marcada para a noite desta sexta (6), decidir pelo encerramento da greve.

Na quinta, o TRT havia decidido que a fase de conciliação estava encerrada e que o julgamento do discídio coletivo caberia à Justiça. A pedido das partes, nova reunião foi marcada para esta sexta. O julgamento está pré-agendado para o próximo domingo (8), às 10h.

O maior entrave na negociação é o índice de reajuste. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Metroviários de São Paulo pedia, inicialmente, 35,47% de aumento. O valor foi reduzido para 16,5% e, na última audiência, para 12,2%. O Metrô ofereceu 5,2%; 7,98% e, finalmente, 8,7%.

Como alternativa à greve, os metroviários propuseram novamente a abertura das catracas à população e o desconto do dia de trabalho dos funcionários. A empresa, no entanto, negou, alegando que o Metrô não pode abrir mão da receita, por se tratar de recurso público. Para tanto, seria necessário um processo legislativo.

Por decisão da Justiça, 100% os metroviários estão obrigados a, mesmo em greve, trabalhar nos horários de pico e 70% nos demais períodos. A decisão é questionada pelos trabalhadores.

Neste sábado, plano de contingência do Metrô, que coloca supervisores para fazer o trabalho dos grevistas, levou 34 das 65 estações da capital paulista a funcionarem. Devido à falta de funcionários, no entanto, o horário de fechamento voltou a ser antecipado para as 23h - duas horas mais cedo do que o normal no dia.

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