Espremidos sob pontos de ônibus para se esconder da chuva, paulistanos sofrem para ir ao trabalho com a greve do Metrô

Agravada pela chuva que ajuda a travar o trânsito em São Paulo , a greve do metroviários de São Paulo deixou a vida de muitos paulistanos mais complicada nesta sexta-feira (06), no segundo dia de paralisação da categoria . Questionados sobre qual dia - ontem ou hoje - foi pior para chegar ao trabalho, a maioria tem a mesma opinião: "Hoje está mais difícil".

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Nas grandes filas de espera por coletivos, os passageiros que tentavam embarcar nos ônibus lotados tiveram que se espremer embaixo das coberturas dos pontos. A reportagem do iG flagou coletivos cheios parados por cerca de 10 minutos nos pontos. Vans e mototaxistas clandestinos também voltaram a lucrar alto com as viagens .

O técnico de manutenção Everton Silva, de 21 anos, afirmou que hoje está muito pior por causa da chuva. Ele mora em São Bernardo do Campo e ontem andou do Jabaquara até a estação São Judas para de lá pegar um ônibus até a região de Santa Cruz, onde trabalha. "Mas hoje não da para ir andando nessa chuva", afirmou.

Silva disse que não pode nem pensar em faltar porque o dia é descontado do salário dele. Ontem ele chegou 1h30 atrasado e hoje já está o mesmo tempo atrasaso na metade do caminho.

Querlla Soares teve a sensação de menos ônibus nesta sexta-feira
Ana Flávia Oliveira
Querlla Soares teve a sensação de menos ônibus nesta sexta-feira

Querlla Soares, de 25 anos, recepcionista, que também foi entrevistada pelo iG na quinta-feira , diz que parece que os ônibus estão demorando mais para passar do que ontem. "Não sei se é por causa do trânsito, mas parece que tem menos", afirma.

Querlla diz que na quinta-feira chegou às 12h30 no trabalho, na Vila Mariana. E saiu da clínica onde trabalhar às 19h30. Com a greve, só chegou em casa às 23h. Hoje ela diz que repetiu os horários de ontem - saiu de casa, em Interlagos, às 6h30 - e acha que vai chegar ainda mais tarde no trabalho.

A promotora Vânia Alves, de 30 anos, disse que faltou ontem ao trabalho por causa da greve. Ela mora em Diadema e trabalha na região do Sacomã. "Não tem ônibus para lá. No Sacomã ainda tenho que pegar outro ônibus". Ela tirava foto da estação fechada para mostrar para o chefe. "Tem que torcer para eles não descontarem o dia, né?". Ontem, ela não conseguiu chegar ao trabalho. 

A recepcionista Ingrid Freitas Ferreira, de 22 anos
Ana Flávia Oliveira
A recepcionista Ingrid Freitas Ferreira, de 22 anos

Por volta das 11h, a recepcionista Ingrid Freitas Ferreira, de 22 anos, afirmou que estava há uma hora esperando o ônibus 574A Cambuci-Americanópolis. "Passou um, mas estava tão cheio que eu não consegui entrar e depois não passou mais nenhum".

Ela trabalha no Cambuci (região central) e disse que não pode faltar porque, além de descontarem o dia, ela deixa de receber o fim de semana. "Tenho que chegar. Mesmo que for só para bater o ponto e voltar". Ela, que mora no bairro Eldorado, em Diadema, diz que ontem chegou duas horas atrasada ao trabalho. O horário de entrada dela é as 6h45. Mas hoje até saiu mais tarde de casa porque sabia que estaria complicado.

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