De acordo com reportagem do Jornal Nacional, perícia constatou que vítima não bateu a cabeça antes de morrer

Eduardo Martins no momento de sua prisão
Futura Press
Eduardo Martins no momento de sua prisão

A versão do publicitário Eduardo Tadeu Martins sobre a morte do zelador Jezy de Souza foi desmentida pelo laudo preliminar da Polícia Técnico-Científica, divulgado nesta sexta-feira (6). As informações são do Jornal Nacional.

Segundo os peritos responsáveis pela análise do corpo da vítima, Souza não teve traumatismo craniano, ou seja, a morte não ocorreu da forma como narrada pelo suspeito. Martins, 47 anos, alega que o zelador teria morrido após bater a cabeça no batente de uma porta no momento em que os dois brigavam.

O publicitário foi preso quando tentava queimar os restos da vítima e os vestígios do crime em sua casa em Praia Grande, no litoral paulista.

Com o laudo, a investigação passa a trabalhar o caso como homicídio doloso, quando há intenção de matar. "Ele pode ter sido asfixiado, desmaiado e depois sedado, pode ter sido levado ainda vivo dentro da mala. Toda as circunstâcias estão sendo verificadas pelo IML (Instituto Médico Legal)", disse o delegado responsável pela investigação do caso, Ismael Rodrigues.

Uma análise da bota que a mulher de Martins, Ieda, usava no dia do crime ainda constatou que o calçado foi lavado. Agora, a procura é por vestígios de sangue nela. A polícia suspeita que Ieda tenha ajudado no crime, comprando o material usado pelo marido para cometer o assassinato.

O caso
As imagens de segurança do condomínio mostram que, por volta das 15h30 da última sexta-feira (30), o zelador desceu em um dos andares para entregar cartas, mas não retornou nem pelo elevador nem pelas escadas.

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Ainda segundo o registro policial, uma moradora do 11º andar disse ter ouvido uma discussão em um apartamento do mesmo andar, cujo morador, segundo ela, não teria um bom relacionamento com o zelador.

As câmeras internas do prédio mostram que, por volta das 17h, esse morador do 11º andar e a esposa arrastaram uma mala e um saco grande até um veículo Logan preto. Questionado pela polícia, o morador admitiu não ter uma boa relação com o zelador, mas negou que tenha acontecido algo de errado entre eles naquele dia.

Os policiais vasculharam o apartamento do casal e encontraram mala e sacos similares aos exibidos pela gravação do prédio. Mas verificaram que dentro deles havia roupas e tênis. Depois, desceram com a mulher até o estacionamento e verificaram que dentro do automóvel do casal estava uma mala parecida com as da filmagem, mas dentro delas também só tinham roupas.

Indagados pelos policiais, os dois moradores contaram que tinham ido levar as roupas para uma igreja, mas retornaram porque ela estava fechada no dia. Os policiais informaram na delegaia que não visualizaram nenhum sinal de violência no apartamento do casal ou no veículo.

Em depoimento divulgado em vídeo, Martins confessou o assassinato do zelador, mas afirmou que a morte foi acidental. Ele também inocentou sua mulher de participação no crime. Ela foi libertada da prisão após conseguir um habeas corpus na Justiça.

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