Motoristas de vans e mototaxistas clandestinos aproveitam greve do Metrô e ônibus lotados para cobrar a mais por trajetos

A greve dos metroviários de São Paulo nesta quinta-feira (05) abriu espaço para motoristas de vans e mototaxistas clandestinos transportarem os passageiros que não conseguiram entrar nos coletivos lotados nos pontos de ônibus da cidade.

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Vans fazem trajetos de ônibus por até R$ 10 na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira (05)
Ana Flávia Oliveira
Vans fazem trajetos de ônibus por até R$ 10 na zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira (05)

Na região da estação Jabaquara do Metrô, na zona sul da capital, vans e mototaxistas anunciavam o trajeto até a estação Ana Rosa, uma das que está funcionado na capital, por preços que variavam entre R$ 5 e R$ 10. 

O motorista de uma van, que disse fazer o trajeto pela rodovia Imigrantes e pela avenida Ricardo Jafet, por R$ 10, conforme presenciou a reportagem do iG nesta manhã. Mais tarde, o preço já havia caído para R$ 5. 

Alguns motofretistas também aproveitaram a situação para fazer o transporte clandestino de passageiros. O valor da corrida sempre é negociado entre o passageiro e o condutor e a maioria das corridas é feita até o destino final do usuário. 

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Táxis

Os taxistas dizem que a greve também não é lucrativa para eles. Alguns afirmaram ao iG que até tem passageiros nas ruas, mas eles não querem pegar táxi por causa do trânsito. "Já aviso que está tudo parado e que não tem previsão [da hora de chegada]. O passageiro escolhe. Para nós não compensa ficar no trânsito. Ganho mais quando está andando", disse o taxista Roberto Serafim Trovo, 63 anos.

O taxista Roberto Serafim Trovo, 63 anos, também reclama da greve:
Ana Flávia Oliveira
O taxista Roberto Serafim Trovo, 63 anos, também reclama da greve: "Para nós não compensa ficar no trânsito"

O taxista afirma que demorou uma hora e dez minutos do Jabaquara até a estação Santa Cruz, hoje pela manhã. Segundo ele, o normal é que a viagem leve cerca de 20 minutos se não tiver trânsito. "Deu R$ 36. O valor é R$ 18, geralmente". Ele diz ainda que começou a para trabalhar às 6h e até as 10h40 tinha feito apenas quatro corridas. "Costumo fazer até essa hora oito ou dez corridas, normalmente".

Espera

A greve, anunciada na noite desta quarta-feira (4) pegou muita gente desprevinida. Mas até mesmo quem se preparou para o caos na manhã de hoje foi prejudicado. Na estação Jabaquara, a recepcionista Querlla Soares, de 25 anos, disse que sabia da greve e saiu de casa, em Interlagos, duas horas antes do que costuma sair, mas mesmo assim não conseguiu chegar no horário ao trabalho, uma clinica médica na Vila Mariana, também na região sul.

"Costumo sair de casa às 8h30 e entro às 9h30. Hoje sai às 6h30. Tinha muito trânsito e ônibus demorou duas horas entre minha casa e o Jabaquara. Estou há uma horas tentando pegar um ônibus e não consigo entrar." 

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