Haddad veta projeto aprovado na Câmara que acaba com rodízio de carros em SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Decisão, publicada neste sábado no Diário Oficial, diz que é necessário estudo e diálogo com a sociedade antes da mudança

Como já era esperado, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vetou na íntegra o projeto aprovado pela Câmara Municipal na última quarta-feira (28) que colocava fim ao rodízio municipal de veículos.

André Lucas Almeida/Futura Press
Trânsito na Marginal Tietê sentido Rodovia Castelo Branco em São Paulo

De acordo com a decisão, publicada neste sábado (31) no Diário Oficial do Município, o rodízio "tem se mostrado relevante para a redução do trânsito" e, portanto, qualquer mudança deveria ser recomendada por estudos técnicos e apoiada por políticas públicas complementares. A extinção do rodízio, diz o veto, “deve ser precedida de amplo debate com a sociedade."

Mais: Governo descarta planos de expansão e compromete futuro do metrô de SP

De fato, a aprovação do projeto não deu confiança nem a seu autor, o vereador Adilson Amadeu (PTB): "Eu acredito que ele não vá sancioná-lo, porque para fazer qualquer mudança em São Paulo precisa ter muita coragem", afirmou ele ao iG logo após a aprovação de seu texto pelo plenário.

A votação foi feita de maneira simbólica, o que significa que todos os vereadores que registraram presença, na prática, votaram a favor. Somente o PSDB, PSD, PT e PSOL registraram voto em contrário.

O rodízio municipal de veículos foi instalado em 1997 com o intuito de desafogar o trânsito da capital paulista. Por meio dele, carros são proibidos de circular pela cidade uma vez por semana nos horários de pico (7h às 10h e 17h às 20h). A ordem para isso é feita através do último digito das placas dos veículos.

A multa para o motorista que desrespeita a regra é de R$ 85,13 mais a perda de quatro pontos na carteira de motorista.

Articulação

A votação em primeira instância ocorreu em 2007 e voltou à pauta da Câmara em um momento de tensão para construir maioria para a votação do Plano Diretor (PDE). As votações de projeto de vereadores ganham maior importância para agradar a base e acalmar a oposição.

Amadeu disse que não fez nenhuma pressão para aprovar o projeto, parado há 8 anos. "Não precisei fazer nada, só estava sentando lá atrás. Nem vi que ia ser votado hoje", disse.

O líder do Governo, Arselino Tatto, disse que não tinha acordo para votar o projeto e que o ato foi feito à "revelia" do Executivo. "Eu cuido dos projetos do Executivo, dos vereadores é a casa que cuida", disse.

O presidente da Casa, vereador José Américo (PT), não quis falar com a imprensa e disse que quem pode explicar a questão é o líder do Governo.

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