Sede da Bovespa, prédio da rua 15 de Novembro abrigou grande banco em SP

Por Beatriz Atihe - iG São Paulo | - Atualizada às

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Fundado na década de 40, o prédio era a matriz do Comind por décadas e foi adquirido pela Bolsa de São Paulo no final de 1986

Encravado em um dos diversos calçadões do centro velho de São Paulo, o edifício localizado no número 275, da rua 15 de novembro, que hoje abriga a Bolsa de Valores de São Paulo, tem em seu "DNA" o mundo financeiro. Hoje é símbolo do capitalismo moderno ao abrigar entidade responsável por controlar o mercado de ações do País, mas antes disso, o prédio construído na década de 40 foi a matriz do Banco do Comércio da Indústria (Comind).

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Fachada do prédio da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloEdifício fica no número 275, da rua 15 de novembro. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPortão da entrada do edifício da Bolsa de Valores de São Paulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloBolsa de Valores de São Paulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloBolsa de Valores de São Paulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPeças do acervo histórico do Centro de Memória da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPeças do acervo histórico do Centro de Memória da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPeça do acervo histórico do Centro de Memória da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPeça do acervo histórico do Centro de Memória da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPeça do acervo histórico do Centro de Memória da Bovespa. Foto: Beatriz Atihe/iG São Paulo

"O prédio sempre me impressionou pela arquitetura imponente, com grandes portões metálicos, cheios de voltas elegantes e sóbrias”, conta Ernst Schneider, que trabalhou no ambulatório do banco. Ele ainda lembra de detalhes do prédio. “O saguão era grande e elegante. Naquele espaço ficavam os caixas e o suporte direto aos clientes".

Sobre os funcionários do banco, Ernst conta que era no pequeno ambulatório onde se ouvia muitas histórias. “Lembro-me de um caixa que me procurou preocupado porque estava ficando surdo e tinha dificuldade em ouvir os clientes no salão agitado do térreo. De fato o tampo largo de madeira e o espesso vidro com um furo redondo que separavam o cliente do caixa atrapalhava ouvir o que estava sendo solicitado”, relembra o ex-funcionário do banco.

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“O caixa estava envergonhado porque um cliente achou que ele estava sendo mal educado e descuidado, mas o problema mesmo era a surdez do rapaz. Conversamos com a chefia e o rapaz foi transferido para uma posição de apoio e retaguarda aos colegas mais novos”, continua Ernst.

O banco Comind marcou bastante a vida do médico, pois foi lá onde ele teve seu primeiro contato com a Aids e com os distúrbios relacionados ao trabalho. “Um dia um dos técnicos de aviação que acompanhava os executivos do banco nas viagens para os Estados Unidos entrou muito preocupado no consultório e me perguntou se eu conhecia aquela doença (HIV) e me mostrou uma matéria da revista Times”.

“Naquela época, as noticias demoravam a chegar e como os grupos executivos do banco frequentavam os mercados financeiros fora do Brasil era natural que eles tivessem informações privilegiadas do mundo”, explica Ernst.

Sobre o fim da Comind, Ernst relembra que ficou sabendo do fato por meio do jornal. “No dia seguinte, ninguém sabia o que fazer, o prédio da XV [rua 15 de novembro] ficou uma confusão. Muitos não queriam a intervenção e não entendiam o que estava acontecendo. O pior era que os clientes queriam explicações que os funcionários não tinham”.

O banco, que foi fundado em 1889, ficou naquele endereço até o final de 1986 quando foi leiloado por US$ 10 milhões devido a uma liquidação extrajudicial. Na época, os 17 mil funcionários espalhados pelas 300 agências foram realocados pelo Banco Central.

Atualmente, o prédio ainda mantém o estilo neoclássico e características bastante sofisticadas, como as escadas de mármore italianas e móveis da época da inauguração. A Bovespa oferece visitas monitoradas gratuitas em que as pessoas podem conhecer o funcionamento da Bolsa e informações sobre o mercado de ações. Nas visitas também é possível conhecer o Centro de Memória que guarda o acervo histórico da Bovespa e o acervo das bolsas de valores regionais, como a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.


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