Polícia de São Paulo espera prender black blocs antes da Copa do Mundo

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Segundo secretário de Segurança Pública, polícia monitora suspeitos de organizar atos violentos durante a Copa de Mundo e espera conseguir autorização judicial para prendê-los

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A polícia de São Paulo está tentando prender manifestantes de uma facção violenta antes do início da Copa do Mundo, em duas semanas, usando escutas telefônicas e outros mecanismos de vigilância para evitar confrontos que prejudiquem o torneio. Os chamados black blocs, que usam as manifestações para depredar prédios públicos e de grande corporações, são o principal alvo.

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Em entrevista, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, disse que a polícia está preparando possíveis acusações criminais contra um pequeno número de líderes dos manifestantes, que, segundo ele, estão conspirando para “cometer atos de violência, quebrar, depredar, agredir pessoas”.

Paulo Whitaker/Reuters
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella

O trabalho de inteligência ainda não está finalizado, por isso não está claro se os promotores irão concordar em fazer acusações que resultariam em prisões preventivas, declarou Grella.

A probabilidade de manifestações violentas é uma das maiores preocupações do governo brasileiro e da Fifa à medida que se aproxima o dia 12 de junho, início do Mundial.

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Desafio: o futuro dos black blocs nas manifestações de rua

Parte da população que não concorda com o gasto de dinheiro público no torneio, entre outras queixas, vêm organizando protestos periódicos há um ano. Embora a maioria dos manifestantes sejam pacíficos, vários protestos resultaram em embates com a polícia e vandalismo, que as autoridades atribuem a um pequeno número de estudantes e outros jovens.

A "intensa operação de inteligência" descrita por Grella é uma das mais abrangentes das forças de segurança do país, mas as agências federais também estão reunindo informações sobre os manifestantes.

Grella afirmou que a polícia usou imagens de câmeras de vigilância e registros internos para identificar os manifestantes mais violentos e, em alguns casos, grampearam seus telefones e monitoraram suas mídias sociais e e-mails.

O objetivo, ele disse, é identificar casos de violência premeditada e organizada que constituiriam “associação criminosa” – acusação semelhante à de conspiração mais comumente utilizada no Brasil contras facções do crime organizado.

Se os promotores concordarem em fazer as acusações, alguns líderes dos manifestantes poderiam ser detidos imediatamente e presos por um período de alguns dias ou mais, afirmou Grella.

“É um policiamento preventivo que garante o direito de manifestação e a liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que procura organizar esses movimentos de forma que eles perturbem o menos possível a vida do cidadão e evidentemente evitar os atos de violência”, disse o secretário.

Ele disse que preparar um processo contra os manifestantes é “difícil, mas não impossível”. “Quero crer com a sua conclusão talvez nas próximas semanas possamos ter eventualmente alguns pedidos de prisão”, acrescentou.

Veja imagens de protesto ocorrido no ano passado em São Paulo:

Manifestante fica ferido em protesto em São Paulo. Foto: Futura PressO grupo Black Bloc depreda instituição bancária durante protesto em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressManifestantes se reúnem no vão livre do Masp em São Paulo . Foto: Agência BrasilManifestante do grupo Black Bloc . Foto: Futura PressProtesto de Black Bloc e mascarados Vingadores, em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura Press Black Bloc e mascarados Vingadores ocupam ruas de São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressAs manifestações pedem passe livre e liberdade de expressão . Foto: Futura PressGrupo Back Block critica políticos . Foto: Futura PressProtesto de Black Bloc e mascarados Vingadores,são conhecidos por manifestarem com rostos cobertos. Foto: Futura PressManifestante do grupo Mascarados Vingadores, em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressManifestantes vão às ruas contra corrupção. Foto: Futura PressCartazes chamando a população para a rua integram a manifestação. Foto: Futura PressManifestante do grupo Mascarados Vingadores, em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressManifestação ocorrem no dia em que se comemora a independência da república . Foto: Futura PressManifestantes do grupo Back Block . Foto: Futura PressBlack Bloc e mascarados Vingadores, pedem também a cassação do governador Geraldo Alckmin. Foto: Futura PressManifestação tem concentração no vão livre do Masp em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressManifestante realiza performance de protesto. Foto: Futura PressProtesto de Black Bloc e mascarados Vingadores, em São Paulo (SP), neste sábado (07). Foto: Futura PressManifestante com mascara de Guy Fawkes. Foto: Futura PressManifestantes se reúnem no vão livre do Masp em São Paulo . Foto: Agência BrasilProtesto de black blocs e mascarados Vingadores no vão livre do Masp, em São Paulo. Foto: Futura Press

Ceticismo

Duas fontes de alto escalão do Ministério Público, que teria que aprovar as acusações criminais contra os manifestantes, declararam estar céticos quanto à legitimidade das acusações de conspiração.

A professora universitária Esther Solano, que estudou os protestos ao longo do ano passado, disse que, de forma geral, eles não têm uma liderança e uma organização, tornando difícil para a polícia identificar arruaceiros em potencial.

“O que (a polícia) está tentando fazer parece excessivo”, disse ela. “Isso mostra a pressão que a polícia e os políticos estão sofrendo para evitar uma grande bagunça durante a Copa do Mundo”.

O Ministério da Justiça, que supervisiona a polícia em todo o País, não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

Indagado se as manifestações podem ser maiores do que aquelas que atraíram centenas de milhares de pessoas às ruas em junho passado, durante a Copa das Confederações, espécie de aquecimento da Copa do Mundo, Grella declarou: “É difícil dizer”.

Ele declarou, entretanto, que o dia 12 de junho, quando a seleção brasileira estreia contra a Croácia na Arena Corinthians, em São Paulo, “é o que mais preocupa” em termos de manifestações.

Grella disse não ter recebido indicações de uma ameaça em particular de terroristas internacionais ou facções do crime organizado do Brasil.

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