Obra de Niemeyer, edifício Triângulo se destaca por painel de Di Cavalcanti

Por Beatriz Atihe - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Edifício no centro de São Paulo teve painel do artista modernista atingido por fogueira feita por moradores de rua e busca recursos para restauração. Fechada do prédio é tombada

Na região central de São Paulo, um prédio com desenho moderno e todo revestido por vidros não revela a época em que foi construído. Projetado na década de 50 por Oscar Niemeyer, considerado um dos maiores arquitetos brasileiros, o edifício Triângulo - que leva o nome pelo formato da cosntrução - chama atenção no número 24 da rua José Bonifácio.

Leia também: Veja quais são os dez prédios mais altos de São Paulo

Edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloFachada do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPlanta do projeto feita por Oscar Niemeyer . Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloVista do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloVista do terraço do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloVista do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloVista do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloEscada gira no sentido horário até 15º andar. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloA partir do 16º andar, escada gira no sentido anti-horário. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPainel de Di Cavalcanti na entrada do edifício. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloPainel foi atingido por fogueira feita por moradores de rua para se aquecer na década de 90. Foto: Beatriz Atihe/iG São PauloEntrada do edifício Triângulo. Foto: Beatriz Atihe/iG São Paulo

O iG publica toda sexta-feira um especial com os edifícios mais emblemáticos da capital paulista. Será publicada uma reportagem por semana.

Logo na entrada, o edifício tem um painel de Di Cavalcante, um dos pintores mais conhecidos do modernismo brasileiro. Na década de 90, a obra foi atingida por uma fogueira feita por moradores de rua que procuravam se aquecer. Como solução provisória, e que se estende até hoje, as pastilhas de vidros foram trocadas por outras de cerâmica.

Beatriz Atihe/iG São Paulo
Painel de Di Cavalcanti na entrada do edifício

"A restauração da fachada do prédio, que foi feita há cinco anos, foi bancada pelos condôminos. Agora nós estamos tentando buscar maneiras de restaurar o painel de forma adequada, pois uma obra de Di Cavalcanti não pode ficar daquele jeito”, conta Everaldo Santos que é zelador do edifício há 17 anos.

Inaugurado em 1955, o edifício de 18 andares e 70 metros de altura foi um projeto do escritório-satélite que o arquiteto carioca manteve em São Paulo na década de 50, no comando do arquiteto Carlos Lemos. Diferentemente do projeto inicial, os andares superiores apresentam um recuo maior. “A prefeitura, na época, não aprovou o projeto inicial, pois na maioria dos seus prédios, os andares superiores têm a mesma estrutura dos inferiores”, relata Everaldo.

“Quando as obras estavam sendo executadas, Niemeyer teve que fazer um recuo nos andares superiores para o projeto ser aprovado. Por causa desse recuo, os três últimos andares têm três salas, enquanto os outros têm quatro salas”, explica Everaldo. 

O edifício chama a atenção já na entrada, onde é preciso descer um lance de escadas para chegar à recepção. “O painel que fica na entrada do edifício foi tombado pela prefeitura de São Paulo em 2004”, diz o zelador. Ele ainda explica que os halls dos andares têm formatos diferentes devido à arquitetura do prédio. “Em alguns andares, o hall é bem estreitinho e as paredes são retas, em outros o espaço é mais largo”.

Outros prédios:

Mirante do Vale: Fama do prédio mais alto do País é ofuscada por vizinhos

Copan: Prédio supera decadência para ser um dos prédios mais admirados do centro

Edifício Itália: Segundo prédio mais alto atrai por ter a melhor vista de São Paulo

Banespão: Torre do Banespa, terceiro maior prédio de SP, conta a história da cidade

Martinelli: Apelidado de Bolo de Noiva, foi o primeiro arranha-céu de São Paulo

Sampaio Moreira: Primeiro grande prédio de SP, edifício abriga mercearia centenária

Alexandre Mackenzie: Hoje shopping, edifício foi a sede da energia elétrica de SP

Outra característica diferente do edifício é a escadaria que gira no sentido horário até o 15º andar e a partir do 16º ela gira no sentido anti-horário. “Eu realmente não sei o motivo disso, acredito que talvez a ideia inicial fosse que o edifício tivesse só quinze andares, mas eu acho bonito”, afirma o zelador.

O edifício recebe o nome de triângulo devido à posição na qual ele se encontra no centro da cidade. “O prédio está localizado entre as ruas José Bonifácio, a Quintino Bocaiuva e a Direita. Apesar dele ter apenas uma entrada, ele tem três laterais que formam o formato de um triângulo”, explica Everaldo.

O zelador conta que se sente privilegiado por morar no edifício. “Minha casa fica no 18º andar e do terraço eu consigo ter uma vista de 360° de São Paulo. Quando o céu está limpo, eu consigo até ver os aviões pousando no aeroporto de Guarulhos”. O funcionário ainda relata que muitas pessoas sempre vão visitar o prédio e pedem para ver a vista do terraço. “Eu sempre brinco e falo que eles só precisam passar pela minha casa para conhecer o terraço. É uma pena um prédio tão bonito como esse não ter um mirante”.


Leia tudo sobre: edifíciosedifício triânguloigsp

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas