Apesar de impasse sobre a legalidade da greve, representantes dos motoristas afirmaram que vão manter os ônibus nas ruas

A audiência de conciliação realizada na tarde desta quinta-feira (22) na Justiça do Trabalho, em São Paulo, terminou sem definição sobre a legalidade da paralisação dos motoristas de ônibus em São Paulo. Apesar do impasse, os representantes dos motoristas de ônibus afirmaram que vão manter os ônibus nas ruas.

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O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) não aceitou negociar a legalidade da greve. Sem acordo, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Rilma Hemetério, deu prazo de 24 horas para que sindicato e empresas se posicionem sobre a paralisação, e deixou para o julgamento de um colegiado, que deve acontecer em até um mês, a decisão se a greve foi ou não legal. Até o julgamento, ainda sem data marcada, continua valendo a liminar que determina o funcionamento de, no mínimo, 75% da frota.

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Apesar de não entrarem em consenso, o sindicato patronal e o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), que representa os trabalhadores, informaram que a paralisação de motoristas e cobradores está encerrada na capital paulista. A informação foi apresentada pelas duas partes no juízo trabalhista e incorporada à ata da audiência de conciliação.

O sindicato dos trabalhadores ressaltou que a paralisação foi iniciada por uma “facção” de empregados vencida na assembleia da categoria. Segundo a entidade, o ajustado na convenção coletiva, ou seja, o aumento de 10%, é o que deverá ser acatado pela categoria. 

Representantes dos grevistas das viações Santa Brígida, Sambaíba e Gato Preto disseram que suspenderam a paralisação até a definição da Justiça. Eles pedem uma renegociação do reajuste de 10% fechado entre os sindicatos dos motoristas e o patronal. A reunião está sendo presidida pela desembargadora do Trabalho Rilma Aparecida Hemetério e, entretanto, tratou apenas quanto a legalidade da greve. Ao final da sessão, a desembargadora disse que os dois sindicatos estão de acordo quanto a negociação do reajuste.

Rilma deu um puxão de orelha nos dois sindicatos, que deveriam ter acionado o sistema PAESE, que é a frota de emergência que atende em casos de paralisação, e chamado a Polícia Militar no caso de ações violentas que teriam obrigado os motoristas a ficarem nas garagens. Para ela, causa "estranheza" que o sistema não tenha sido acionado. "O dono de uma coletividade, de trabalhadores andando o dia inteiro, é irreparável", disse. "Greve é uma paralisação, mas dentro do direito da lei. A lei dá o direito, e ela cobra."

A desembargadora disse que não dirige há 10 anos e que depende de ônibus para se locomover. Ela só conseguiu trabalhar graças ao carro que o Tribunal disponibilizou, mas que sua colaboradora em casa sofreu com a greve.

Ela não viu necessidade de oficiar a Prefeitura ou a Sptrans para explicar o que aconteceu, e disse que o sindicato dos motoristas é o responsável por toda a categoria, inclusive pela "facção" que iniciou a paralisação. "O sindicato representa a todos, os dissidentes e os concordantes", afirmou.

Nesta quinta-feira, a situação foi mais tranquila em comparação aos dois dias anteriores, quando mais da metade dos terminais da cidade foram fechados. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a greve afetou 30% do transporte de ônibus, o que prejudicou cerca de 1 milhão de pessoas. Uma reunião ontem (21) na Superintendência Regional do Ministério do Trabalho acertou o retorno às atividades com a condição de que a prefeitura intermediasse a reabertura das negociações com os empresários.

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