Movimento grevista assinou uma ata com os termos da negociação e pediu audiência com o prefeito Fernando Haddad

Os representantes dos motoristas e cobradores há dois dias em greve em São Paulo fecharam acordo com o Ministério do Trabalho e se comprometeram a encerrar a parallisação a partir da 0h. Eles exigiram uma reunião com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a partir das 10h de amanhã para pedir a retomada das negociações salariais.

O movimento grevista assinou uma ata na qual apontam os termos do acordo. A reunião começou no final da tarde em um escritório da Superintendência Regional do Trabalho. Reuniram-se representantes do movimento grevista, do sindicato dos trabalhadores - que não participa da greve - de três empresas e do Ministério do Trabalho. As negociações tentavam por fim aos congestionamentos na cidade, que hoje registrou 194 km às 19h30, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Na noite de ontem, havia 236 km de filas no mesmo horário.

Os motoristas pedem reajuste salarial de 13,5% e vale-refeição de R$ 22. O acordo proposto pelas empresas e aprovado em na última segunda-feira (19) em assembléia prevê aumento de 10% no salário e vale-refeição de R$ 16,50.

De acordo com a SPTrans, as empresas Sambaíba, Gato Preto e Santa Brígida, que operam na zona norte; Viasul, que atua na região sudeste; e Vip Garagem M'Boi Mirim, da zona sul, estão sem operar. Durante o dia, nenhum ônibus saiu de onze garagens destas cinco empresas.

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SSP: Polícia Civil investiga se há crime em paralisação de ônibus em São Paulo

A SPTrans calcula que 300 mil passageiros foram prejudicados com a paralisação nas zonas norte, oeste, leste e sul. Segundo o SPUrbanoss, sindicato das empresas de ônibus, o impacto da paralisação é menor do que ontem, mas as zonas norte e oeste foram muito afetadas.

Além das garagens fechadas, pelos menos 19 terminais tiveram sua operação prejudicada pela greve. Às 15h, havia bloqueios feitos com ônibus enfileirados nos terminais Mercado, Lapa, Pinheiros, Pirituba, Casa Verde, Sacomã, Santo Amaro, João Dias e Vila Nova Cachoeirinha.

De acordo com a SPTrans, os terminais Parque Dom Pedro II, Princesa Isabel, Santana, Barra Funda, Jardim Britânia, Grajaú, Capelinha, Guarapiranga, Aricanduva e AE Carvalho estão abertos, mas há menos ônibus que em dias de operação normal do sistema. Os terminais Santana e Barra Funda são estações do Metrô que têm operação de ônibus municipais.

Investigação

Em coletiva, o secretario municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, defende uma investigação policial dentro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus
Taba Benedicto/Futura Press
Em coletiva, o secretario municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, defende uma investigação policial dentro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus

Ainda hoje, o secretario municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, concedeu uma entrevista coletiva sobre a paralisação. Ele defendeu uma investigação policial dentro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do município para saber quem são as lideranças que estão sabotando e paralisando a cidade.

De acordo com o secretário, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar uma eventual ocorrência de crime nas manifestação e paralisações promovidas por motoristas de ônibus na cidade de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, líderes do Sindicato dos Motoristas de São Paulo foram intimados a prestar depoimento.

A Secretaria de Segurança Pública informou que não cabe à PM a remoção de ônibus que tenham sido abandonados por manifestantes nas vias públicas, que é responsabilidade das autoridades de trânsito por meio de guinchos e motoristas ou servidores que possam fazê-lo. A Polícia Militar também esteve à disposição das autoridades municipais para dar segurança aos funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego.

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