Pelo segundo dia, motoristas fazem paralisação e fecham terminais em SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Paralisação prejudica a operação em 19 terminais de ônibus da cidade; coletivos de cinco empresas da cidade não circulam

Edison Temoteo/Futura Press
Motoristas e cobradores fecham a garagem da viação de ônibus Sambaíba

Após um dia de paralisações, manifestações e recorde de lentidão na cidade de São Paulo, motoristas e cobradores da capital paulista seguem em protesto contra o acordo salarial feito entre o sindicato da categorias e a prefeitura. O rodízio municipal de veículos foi suspenso mais uma vez.

De acordo com a SPTrans, as empresas Sambaíba, Gato Preto e Santa Brígida, que operam na zona norte; Viasul, que atua na região sudeste; e Vip Garagem M'Boi Mirim, da zona sul, estão sem operar. Durante o dia, nenhum ônibus saiu de onze garagens destas cinco empresas.

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A SPTrans calcula que 300 mil passageiros foram prejudicados com a paralisação nas zonas norte, oeste, leste e sul. Segundo o SPUrbanoss, sindicato das empresas de ônibus, o impacto da paralisação é menor do que ontem, mas as zonas norte e oeste foram as mais afetadas. 

Além das garagens fechadas, pelos menos 19 terminais tiveram sua operação prejudicada pela greve. Às 15h, havia bloqueios feitos com ônibus enfileirados nos terminais Mercado, Lapa, Pinheiros, Pirituba, Casa Verde, Sacomã, Santo Amaro, João Dias e Vila Nova Cachoeirinha. De acordo com a SPTrans, os terminais Parque Dom Pedro II, Princesa Isabel, Santana, Barra Funda, Jardim Britânia, Grajaú, Capelinha, Guarapiranga, Aricanduva e AE Carvalho estão abertos, mas há menos ônibus que em dias de operação normal do sistema. Os terminais Santana e Barra Funda são estações do Metrô que têm operação de ônibus municipais.

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Em protesto, os motoristas repetem as ações realizadas na terça-feira (20). Ônibus são estacionados em algumas regiões e os motoristas realizam interrupções momentâneas de avenidas como a Rebouças, Guarapiranga, Francisco Morato e a Estrada do MBoi Mirim.

Protesto de motoristas e cobradores da Viação Santa Brígida, em São Paulo, nesta quinta-feira (22). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressTerminal da Barra Funda vazio, em São Paulo, nesta quarta-feira (21), após a paralisação de motoristas e cobradores. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressEm coletiva, o secretario municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, defende uma investigação policial dentro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus. Foto:  Taba Benedicto/Futura PressÔnibus não saem da garagem da viação Santa Brígida, na zona oeste, nesta quarta-feira. Foto: Alex Falcão/Futura PressMotoristas e cobradores realizam protesto e fecham a garagem da viação de ônibus Sambaíba, em São Paulo, SP, na madrugada desta quarta-feira (21). Foto: Edison Temoteo/Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus fazem paralisação e fecham Terminal Sacomã, em São Paulo. Foto: Renato Mendes/Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus fazem paralisação e fecham Terminal Bandeiras, em São Paulo  . Foto: Renato S.Cerqueira/Futura PressEstação da Sé fica lotada por causa das paralisações dos terminais de ônibus nesta terça-feira (20), em São Paulo. Foto: Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus fazem paralisação e fecham Terminal Sacomã, zona sul de São Paulo (SP), nesta terça-feira (20). Foto: Futura PressGreve provocou fila de ônibus nas ruas de São Paulo. Foto: Alexandre Serpa/Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus se reúnem para reivindicar reajuste salarial e causam trânsito na região da Prefeitura de São Paulo, nesta terça-feira (20). Foto: Futura PressMotoristas e cobradores fecham terminal Santana, na zona norte da cidade, nesta terça-feira (20). Foto: Futura PressFuncionários fazem paralisação e fecham Terminal Parque Dom Pedro, em São Paulo (SP), nesta terça-feira (20). Foto: Futura PressFila de ônibus causa lentidão no trânsito da Avenida Eusébio Matoso em São Paulo (SP), nesta terça-feira (20). Foto: Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus fazem paralisação e fecham Terminal Bandeiras, na República, em São Paulo. Foto: Futura PressMotoristas e cobradores de ônibus fazem paralisação no Terminal da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo (SP), na manhã desta terça-feira (20). Foto: André Lucas Almeida/Futura Press

Em razão do movimento, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio para automóveis, que hoje restringiria os carros com placas finais 5 e 6 das 17h às 20h. Segundo a CET, existem nove pontos de manifestação de grevistas, mas todos concentrados nas faixas exclusivas para ônibus, para não causar impacto na fluidez do trânsito que registrou engarrafamento de 39km às 12h30, considerado normal para o horário.

Às 15h, será retomada a mesa-redonda entre empresas, empregados e representantes sindicais, na Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A reunião foi interrompida, no final da manhã, para que fosse convocada a presença de líderes dos grevistas. O superintendente regional do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, preferiu ir, pessoalmente, à Viação Santa Brígida, na zona oeste, onde começou a greve, para pedir aos trabalhadores que elegessem uma comissão para participar do encontro.

O presidente do sindicato da categoria, Valdevan de Jesus Santos, manifestou a expectativa de que haja uma solução ainda hoje. Ele se declarou surpreso com o retorno de um grupo à greve, afirmando que a aprovação do acordo que prevê reajuste salarial de 10% foi aprovada, em assembleia.

Terça-feira

A paralisação, que começou nesta terça-feira (20), é um protesto contra um acordo de reajuste firmado entre o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário e a prefeitura. O acordo prevê reajuste de 10% no salário, vale-alimentação mensal no valor de R$ 445,50, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 850,00, melhoria dos produtos da cesta básica, 180 dias de licença-maternidade e reconhecimento da insalubridade, dando o direito à aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho.

Segundo o sindicato, o acordo foi aceito em assembleia por mais de 4 mil trabalhadores.  No entanto, parte da categoria, descontente com o acordo, impediu a circulação de de coletivos na cidade, atravessando os veículos nas saídas dos terminais e nas ruas.

Futura Press
Estação da Sé fica lotada por causa das paralisações dos terminais de ônibus nesta terça-feira (20), em São Paulo

Devido a paralisação, o rodízio municipal de veículos foi suspenso e o trânsito ficou ainda mais complicado. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o congestionamento chegou a 261 km por volta das 19h, o maior índice de congestionamento do ano. A SPTrans diz que 261 mil passageiros foram prejudicados.

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse ontem que foi surpreendido pelo protesto de motoristas. “Para nós, é completamente inesperado, inadmissível e incompreensível que a população venha a pagar por algo que ela sequer conhece, assim como nós”, afirmou.

Segundo o prefeito, a administração municipal estava acompanhando as negociações entre os motoristas e as empresas de ônibus. Apesar disso, Haddad disse desconhecer as causas do protesto ou os responsáveis pelas ações. “Não houve nenhum comunicado para que a prefeitura ou o sindicato pudessem interferir na situação”, enfatizou.

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