"Inesperado e inadmissível", diz Haddad sobre protesto de motoristas em SP

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Segundo o prefeito, a administração estava acompanhando as negociações entre os motoristas e as empresas de ônibus

Agência Brasil

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Fernando Haddad, prefeito de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse, na noite de hoje (20), que foi surpreendido pelo protesto de motoristas que paralisou metade dos 28 terminais de ônibus da capital. “Para nós, é completamente inesperado, inadmissível e incompreensível que a população venha a pagar por algo que ela sequer conhece, assim como nós”, afirmou, referindo-se à paralisação que chegou a deixar cerca de 230 mil pessoas sem transporte, nos horários de pico.

Segundo o prefeito, a administração municipal estava acompanhando as negociações entre os motoristas e as empresas de ônibus. Apesar disso, Haddad disse desconhecer as causas do protesto ou os responsáveis pelas ações. “Não houve nenhum comunicado para que a prefeitura ou o sindicato pudessem interferir na situação”, enfatizou.

O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, disse que a pasta está preparando um dossiê para que o Ministério Público possa investigar os fatos. Ele destacou que pretende acionar as polícias Federal e Civil para ajudar na apuração. Apesar de não apontar os responsáveis, Tatto disse que há indícios de que a ação é resultado de uma disputa interna no sindicato dos motoristas. “Tudo indica que é um problema de divergência política dentro do sindicato”.

Leia também: Motoristas protestam e fecham terminais de ônibus em São Paulo

Segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, mais de 4 mil trabalhadores compareceram à assembleia, que ocorreu no fim da tarde de ontem (19). Nela, eles aprovaram a proposta que garante reajuste de 10% no salário, vale-alimentação mensal no valor de R$ 445,50, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 850,00, melhoria dos produtos da cesta básica, 180 dias de licença-maternidade e reconhecimento da insalubridade, dando o direito à aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho.

Desde a manhã de hoje, entretanto, um grupo de motoristas e cobradores atuou para impedir a circulação de coletivos na cidade, atravessando os veículos nas saídas dos terminais e nas ruas. De acordo com Tatto, em muitos casos, as chaves dos ônibus foram jogadas e os pneus, furados.

Por volta das 19h, o Terminal Bandeira, que fica no Vale do Anhangabaú, centro da cidade, ainda estava completamente paralisado. As entradas e saídas foram bloqueadas com ônibus com pneus murchos. Pelos alto-falantes, os passageiros eram avisados de que o terminal estava sem operação e que não havia previsão para retorno das atividades. Nenhum motorista estava no local.

Mesmo assim, algumas pessoas esperavam nas plataformas a circulação de ônibus. O estudante Vinicius Carvalho contou que estava há mais de 40 minutos esperando a condução para a faculdade, que fica na Vila Olímpia, zona sul. “Tinha ouvido falar da paralisação, mas não sabia que o Terminal Bandeira tinha parado”, contou o rapaz, que chegou ao local por meio do metrô da zona leste. “Espero conseguir pegar o ônibus”, disse.

Josefa Pereira contou que chegou ao terminal às 16h e estava “revoltada” com a situação. Recém-chegada de viagem, ela enfrentou problemas ao desembarcar no Terminal da Barra Funda, pela manhã. Agora, não sabia se conseguiria voltar para a casa, no Capão Redondo, zona sul. “Dei sorte de achar essas duas revistas no lixo, para ficar olhando”, amenizou.

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