Sem-teto fecham a Radial Leste e protestam em frente ao Itaquerão

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Protesto faz parte da série de manifestações realizadas na capital paulista pelo MTST na manhã desta quinta-feira

Cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), bloquearam a Radial Leste, uma importante avenida de ligação entre a zona leste e o centro de São Paulo, em direção ao estádio do Corinthians, que sediará a abertura da Copa do Mundo de 2014. Eles protestam contra os gastos públicos do Mundial e reivindicam moradia

Divulgação/MTST
Ato em frente ao Itaquerão, em São Paulo, nesta quinta-feira (15)

Os manifestantes saíram em caminhada às 8h da ocupação Copa do Povo em Itaquera. A área ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fica a 4 quilômetros do estádio do Corinthians. O ato faz parte de uma série de mobilizações que ocorrem nesta quinta-feira (15) nas cidades-sede do evento. O movimento estima que 4 mil pessoas participam do protesto.

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“Queremos mostrar a contradição que é gastar bilhões com esse evento, quando o povo precisa mesmo é de moradia e tantos outros direitos”, explicou Maria das Dores Cerqueira, uma das coordenadoras do movimento. A ocupação Copa do Povo começou no dia 3 e já reúne cerca de 4 mil famílias, segundo a organização.

Integrantes de ocupações do MTST fazem manifestações em outros pontos da cidade. Os sem-teto da Nova Palestina e Dona Deda protestam na Marginal Pinheiros, próximo à Ponte João Dias; os da Faixa de Gaza e Capadócia manifestam na Giovanni Gronchi, próximo ao Shopping Jardim Sul; e os da Anchieta Grajaú fazem um ato na Ponte do Socorro. Os três atos ocorrem na zona sul. Na zona norte, integrantes do MTST da Ocupação Estaiadinha ocupam a pistas da Marginal Tietê, próximo à Ponte Estaiadinha.

Além das atividades convocadas pelo MTST, o Comitê Popular da Copa – formado por organizações como o Movimento Passe Livre (MPL) – faz um ato a partir das 17h, com concentração na Praça do Ciclista, na avenida Paulista.

Protesto do MTST na região do Terminal João Dias, na zona sul de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (15). Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressProtesto do MTST bloqueia a Marginal Tietê, na altura da Ponte Orestes Quércia (Estaiadinha), sentido Rodovia Ayrton Senna, nesta quinta-feira (15). Foto: Alice Vergueiro/Futura PressProtesto bloqueia a Marginal Tietê, na altura da Ponte Orestes Quércia (Estaiadinha), nesta quinta-feira (15). Polícia agiu para liberar a pista. Foto:  Alice Vergueiro/FuturaAto em frente ao Itaquerão, em São Paulo, nesta quinta-feira (15). Foto: Divulgação/MTSTManifestantes protestam em frente ao Itaquerão, na manhã desta quinta-feira (15), na zona leste de São Paulo. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes protestam em frente ao Itaquerão, na manhã desta quinta-feira (15), na zona leste de São Paulo. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes protestam em frente ao Itaquerão, na manhã desta quinta-feira (15), na zona leste de São Paulo. Foto: Divulgação/MTSTIntegrantes da ocupação Copa do Povo, realizam protesto no terreno ocupado, em São Paulo, na manhã desta quinta. Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSAmanhacer na ocupação Copa do Povo, em Itaquera, na zona leste de São Paulo nesta quinta-feira (15). Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESSManifestantes ligados à Ocupação Esperança, em Osasco (SP), realizam protesto na rodovia Anhanguera. Foto: Oslaim Brito/Futura PressIntegrantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes realizam protesto na avenida Presidente Wilson, na Mooca, em São Paulo, nesta quinta (15). Foto: Renato Mendes/Futura PressManifestantes da ocupação Copa do Povo chegando a Radial Leste, próximo ao Itaquerão. Foto: Divulgação/MTSTMomento da interrupção da Marginal Tietê, na altura da Ponte Estaiadinha. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes na Marginal Tietê, na altura da Ponte Estaiadinha. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes na Marginal Tietê, na altura da Ponte Estaiadinha. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes da ocupação Copa do Povo, chegando na Radial Leste. Foto: Divulgação/MTSTManifestantes da ocupação Copa do Povo, chegando na Radial Leste. Foto: Divulgação/MTST

A especulação imobiliária na região onde foi construído o Itaquerão, como é conhecido o estádio da Copa, foi um dos motivos que levaram a auxiliar de limpeza Luciana Perisse, 38 anos, a aderir à ocupação. “A gente já mora longe e agora nem aqui a gente pode morar mais”, reclamou. Itaquera fica no extremo leste da capital. Segundo ela, um aluguel de dois cômodos mais que dobrou depois que os jogos foram anunciados. “Estamos pagando R$ 500, R$ 600, e já tem gente sendo despejada, porque os donos aumentam e a pessoa fica sem pagar dois meses e é expulsa”, relatou.

Na semana passada, movimento sociais, que formam o coletivo Resistência Urbana, iniciaram uma série de manifestações que devem ocorrer até a Copa do Mundo. A concentração dos protestos ocorreram simultaneamente em três pontos da capital paulista. O alvo foram grandes construtoras que receberam recursos para construção e reforma dos estádios. O movimento foi recebido pela presidenta Dilma Roussef, que fazia uma visita ao Itaquerão naquele dia. Ela prometeu estudar a possibilidade de construir moradias no terreno da ocupação Copa do Povo.

A manifestação faz parte da campanha “Copa sem Povo, tô na Rua de Novo”. As reivindicações do movimento são divididas em seis eixos, em referência à busca pelo hexacampeonato da seleção brasileira de futebol. No eixo moradia, eles pedem leis para o controle do valor dos aluguéis, a formação de uma Comissão Nacional de Prevenção de Despejos Forçados e mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida. Na área da saúde, os movimentos querem o fim dos subsídios aos planos de saúde, o fim das privatizações e 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o sistema público.

No transporte, pedem-se a redução imediata das tarifas, a criação de um fundo federal para redução anual do valor das passagens e tarifa zero com controle público. Para a educação, as reivindicações são a ampliação e construção imediata de creches, 10% do PIB para o sistema público e que a política de cotas e assistência estudantil seja permanente.

No âmbito da Justiça, eles querem a formação de uma Comissão Nacional da Violência do Estado contra a Periferia, a desmilitarização da Polícia Militar e o fim dos tribunais especiais e leis antimanifestação. Por fim, no eixo relacionado à soberania, eles pedem a garantia do trabalho informal durante a copa, a prevenção efetiva da exploração sexual e o pagamento de pensão vitalícia para as famílias dos operários mortos e feridos durante as obras da copa.

* Com informações da Agência Brasil

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