Primeiro grande prédio de SP, Sampaio Moreira abriga mercearia centenária

Por Beatriz Atihe - iG São Paulo | - Atualizada às

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Edifício no centro da capital paulista passa por restauração para ser o novo endereço da Secretária Municipal de Cultura

O número 346 da rua Líbero Badaró, no centro de São Paulo, é conhecido por abrigar o prédio que abriu a tradição de arranha-céus na maior cidade do País. O edifício Sampaio Moreira ainda é famoso por alojar a Casa Godinho, uma das mais antigas mercearias paulistanas em funcionamento, mas em pouco tempo, o prédio também será o novo endereço da Secretaria de Cultura de São Paulo.

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Fachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, que está fechado para restauração em São Paulo. Foto: Beatriz AtiheInterior da Casa Godinho, no prédio Sampaio Moreira. Foto: Beatriz AtiheQuadro com a fachada antiga do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheQuadro com a fachada antiga do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz AtiheInterior da Casa Godinho, no prédio Sampaio Moreira. Foto: Beatriz AtiheInterior da Casa Godinho, no prédio Sampaio Moreira. Foto: Beatriz AtiheInterior da Casa Godinho, no prédio Sampaio Moreira. Foto: Beatriz AtiheFachada do edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo. Foto: Beatriz Atihe

O iG publica toda sexta-feira um especial com os edifícios mais emblemáticos da capital paulista. Será publicada uma reportagem por semana

Fechado desde 2010, o edifício de 12 andares e 50 metros de altura passa por obras de restauração realizadas pela prefeitura de São Paulo. As obras que começaram no início de 2012 estão orçadas em mais R$ 14 milhões e devem ser terminadas ainda este ano.

Construído pelo imigrante português José de Sampaio Moreira, o edifício comercial foi considerado o prédio mais alto da cidade entre 1924 e 1929, quando foi superado pelo edifício Martinelli com 26 andares.

Por ser considerado o primeiro modelo dos arranha-céus de São Paulo, já que ele tinha 12 andares em uma época em que os edifícios possuíam no máximo quatro pavimentos, o prédio foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo.

Desde sua criação, foi administrado pela família Sampaio Moreira e utilizado como edifício comercial. O seu mais tradicional inquilino é a Casa Godinho. Fundada em 1888, a casa de secos e molhados teve como seu primeiro endereço a praça da Sé, também no centro da cidade. Somente em 1924, ano de inauguração do edifício Sampaio Moreira, que o mercado foi para o seu endereço atual.

“Naquela época, esta região onde a mercearia está localizada atualmente ficou conhecida como o centro novo de São Paulo e, com isso, as empresas acompanharam a modernização da cidade”, explica Miguel Romano, sócio da Casa Godinho há 20 anos.

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Em janeiro do ano passado, a mercearia foi declarada patrimônio cultural imaterial da cidade pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp), sendo o primeiro estabelecimento comercial a receber este título na capital paulista.

“A mercearia está na memória afetiva de muitas gerações. Nós temos clientes que quando chegam aqui, lembram de quando vinham com seus pais e avós.”, conta Romano. Como se tivesse parado no tempo, o estabelecimento ainda preserva as instalações desde 1924. A Casa Godinho, que oferece mais de 3 mil produtos, recebe aproximadamente 700 pessoas por dia e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

Romano lembra que a mercearia já foi administrada pelo edifício Sampaio Moreira. “Além de administrar a mercearia, o prédio tinha vários escritórios, onde trabalhavam ourives, advogados, engenheiros, arquitetos”.

Sobre o fechamento do prédio, Romano conta que teve um efeito sobre a mercearia. “Muitos dos nossos clientes trabalhavam no edifício e sem dúvida, se eles ainda estivessem aqui, a Casa Godinho teria muito mais clientes para atender”.

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