Apelido foi dado pelo escritor Oswald de Andrade, devido ao cimento rosa misturado com sangue de boi e pó de mica

Quem olha para ele, tão imponente ali na rua São Bento, bem no centro de São Paulo, nem imagina que na época de sua construção, no fim da década de 1920, os vizinhos venderam as residências com medo de que o primeiro arranha-céu da cidade pudesse cair a qualquer momento. 

O prédio não caiu e fez fama por seu terraço, no 26º andar, que além de proporcionar uma vista de 360° de São Paulo tem uma espécie de vila Italiana criada pelo idealizador do prédio, o imigrante italiano Giuseppe Martinelli (23 de julho de 1870 - 25 de novembro de 1946).

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Com cimento rosa misturado com sangue de boi e pó de mica, o edifício Martinelli, apelidado de Bolo de Noiva pelo escritor brasileiro Oswald de Andrade, apresenta uma arquitetura eclética que mescla estilos como o barroco, o neoclassicismo e o gótico.

“Ele criou uma verdadeira mansão no terraço: quatro andares, 15 cômodos, um salão de festas, dois quartos de hóspedes e uma casa para os empregados. É possível ver daqui de cima as zonas norte, sul, leste e oeste”, afirma o relações públicas do prédio, Edson Cabral.

Cabral é responsável pelo programa de visitas ao edifício que começou em 2010 e já recebeu 80.000 visitantes de diversas partes do mundo. As visitas acontecem de segunda à sexta-feira, das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h; aos sábados, das 9h às 15h, e aos domingos das 9h às 13h e todas têm a duração de aproximadamente 30 minutos.

História

Apaixonado por construções, Giuseppe Martinelli elaborou o projeto inicial para a criação de um prédio de 12 andares quando tinha 52 anos de idade, em 1922. Dois anos depois, ele modificou o plano para 18 pavimentos. A fundação do edifício, no entanto, é capaz de suportar até 30 andares e Martinelli decidiu que seu prédio teria 25 andares com um grande terraço na cobertura.

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“Na época, o edifício parecia um monstro! As pessoas fugiam dele”, explica Cabral, responsável por contar a história do prédio. “Os moradores ao redor começaram a vender suas casas, pois acreditavam que o prédio poderia cair a qualquer momento”, afirma o cicerone. Para acompanhar a obra e provar que a construção era segura, Martinelli foi morar no nono andar até o terraço ficar pronto.

Para pagar uma dívida adquirida após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, Martinelli teve de oferecer o edifício para um banco italiano. Com a Segunda Guerra Mundial, o prédio passou por diversas administrações, chegando a ter 103 donos como sócios.

“Na década de 60, os apartamentos começaram a ser vendidos de forma irregular e com isso o prédio passou a abrigar 3 mil pessoas, entre elas prostitutas, bandidos, assassinos. Virou realmente um pardieiro. Quem mandava por lá era Zé Pernambuco, um lampião [cangaceiro] que transformou um fosso de ventilação em uma lixeira, onde mais tarde foram encontradas ossadas humanas e animais mortos”, diz o relações públicas Cabral.

Somente após a entrada do exército durante a Ditadura Militar (1964-1985), em 1976, é que foi possível pensar em uma restauração para o prédio. “Depois da restauração, 70% do edifício passou a ser da esfera pública”, explica hoje Cabral.

A restauração terminou em 1979 e, atualmente, o edifício Martinelli abriga as secretarias de Desenvolvimento Urbano, Licenciamento, Habitação - e o seu braço para habitação popular, a Cohab, além do Comitê Olímpico e São Paulo Urbanismo. Além disso, também fazem parte do prédio a Caixa Econômica Federal e o Sindicato dos Bancários.

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