Funcionários denunciam infestação de ratos em maternidade de São Paulo

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Sem reformas, Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros convive com goteiras e infiltrações que estragam prontuários. Funcionários dizem que não se assustam mais com os ratos

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Entrada da Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Belenzinho, zona leste

A denúncia de que ratos infestavam a Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Belém, zona leste de São Paulo, já havia sido feita em julho do ano passado aos administradores. O assunto, no entanto, só ganhou os corredores do hospital referência em cirurgia de alto risco quando, no último dia 25, o forro de uma das recepções cedeu e um rato caiu sobre a cabeça da chefe da recepção, que buscou atendimento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Desde então, a área foi isolada e aguarda reforma.

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Funcionários do complexo consultados pelo iG confirmaram não apenas a história, mas uma série de irregularidades alertadas no ano passado por um relatório técnico redigido pelo Instituto Síntese. Na ocasião, os técnicos relataram aos administradores as condições do prédio, com fiação elétrica exposta, telhas quebradas, vazamento nos telhados e infiltração nas paredes que já danificavam os prontuários, guardados em uma sala que “inunda quando chove”.

Esta recepção foi interditada depois que o teto cedeu e um rato caiu sobre a cabeça de uma das funcionárias. Foto: ReproduçãoFezes de rato no arquivo do hospital. Foto: ReproduçãoFezes de rato no almoxarifado  . Foto: ReproduçãoAsas de barata e fezes de rato em setores do hospital. Foto: ReproduçãoProntuário da maternidade em estado de deterioração. Foto: ResproduçãoA sala em que fica o arquivo de prontuários está com infiltração. Foto: ReproduçãoParede com infiltração nos arquivos da maternidade. Foto: Reprodução

O ambiente, impróprio para os funcionários da limpeza e manutenção, era propício para a procriação dos ratos. Uma funcionária, que prefere não se identificar, disse que a presença desses animais é tão comum que ela nem se assusta mais quando encontra algum pela frente “às vezes vivo, às vezes agonizando”.

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Foto de um rato morto no arquivo do Leonor Mendes de Barros

Até uma ratoeira foi permanentemente armada em um dos arquivos. “Baratas e ovos de pombo estão por todo o lugar”, conta outra funcionária. Em relato aos técnicos, uma delas lamenta os R$ 666 de salário que recebe e o fato de recentemente ter perdido o direito à insalubridade, que lhe rendia mais R$ 218 mensais. “Eu tenho até vergonha. Não compro nada com esse dinheiro.”

O iG visitou a instituição, administrada pelo governo do Estado, e flagrou goteiras na recepção onde mulheres grávidas aguardam para marcar consulta. A área que cedeu no mês passado continua interditada, enquanto móveis improvisados servem de recepção no ambulatório e restos de balança, ventiladores e equipamentos de saúde aguardam descarte encostados nas paredes.

O relatório denuncia ainda ausência de brigada contra incêndio, banheiros com infiltração, portas de madeira mofadas, carrinhos de medicamentos enferrujados e teto da farmácia deteriorado.

O que diz o hospital?

De acordo com a assessoria da maternidade "de forma nenhuma existe uma epidemia de ratos na unidade. O hospital possui contrato com empresa altamente capacitada de eliminação de insetos e roedores que realiza ações periodicamente. Desde janeiro deste ano até agora, 5 ações de desratização e 6 de desinsetização foram feitas na unidade, incluindo esta quarta-feira, dia 16."

Em relação a infiltrações e vazamentos, "o hospital conta com uma equipe de manutenção técnica em período integral, 24 horas por dia, que é acionada sempre que necessário. Entre os dias 23/03 e 01/04 foram realizados diversos reparos estruturais na UTI Neonatal, Recepção e setor de Registro Geral. A unidade monitora constantemente suas condições estruturais, mas é impossível realizar qualquer reparo ou intervenção, por menor que seja, de um dia para o outro, já que o fluxo de pessoas é muito alto na unidade e são necessários alguns procedimentos prévios como isolar o local, remanejar pacientes e disponibilizar instalações para recebe-los."

Sobre as fotos publicadas na reportagem, a assessoria disse duvidar que elas sejam recentes e "não confia" em denúncias feitas "por funcionários que não se identificam".

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