Três cidades concentram 38% dos casos de dengue no Estado de São Paulo

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo |

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Campinas, Americana e São Paulo registram 7.033 casos dos 18.445 notificados no estado nos três primeiros meses do ano

As cidades de Campinas e Americana, no interior paulista, e a capital São Paulo concentram 38% dos casos de dengue no estado em 2014, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

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Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Agentes fazem fiscalização de possíveis focos da doença na capital paulista

De acordo com dados da pasta, foram confirmados 18.445 casos da doença em todo Estado nos três primeiros meses deste ano - queda de 82,8% em relação aos 107.739 casos confirmados no mesmo período de 2013.

Segundo a administração, as cidades de Americana, com 2.711 pessoas infectadas, Campinas, com 2.520 casos confirmados, e São Paulo, que teve 1.802 ocorrências, são as campeãs do ranking (total de 7.033 casos). As outras 11.412 pessoas infectadas estão espalhadas nas outras 642 cidades do Estado.

Os números estaduais, no entanto, divergem do levantamento de cada município. Levando em consideração dados das prefeituras, as três cidades juntas registraram 8.112 casos, ou seja, 43,97% do total registrados no Estado.

A prefeitura de Campinas, por exemplo, registrou 3.615 casos da doença na cidade, ou 19,59% do total do Estado, até a última quinta-feira (10). Deste total, 143 são considerados graves. Outras 3.346 suspeitas estão sendo investigadas. A cidade registrou ainda a morte de uma mulher de 69 anos em decorrência da dengue.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, Campinas registrou queda de 31%  no número de casos em relação às 5.197 ocorrências de 2013.

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A administração municipal informou que o “calor intenso, a não interrupção na transmissão e a circulação de um vírus (tipo1), que não circulava desde 2001” contribuíram para o aumento dos casos.

Ainda na região de Campinas, a cidade de Americana, registrou 2.752 ocorrências (14,92% do total registrado no Estado), até o dia 7 de abril, segundo a prefeitura. A cidade tem ainda 793 casos em investigação. Segundo a prefeitura, uma morte foi registrada em decorrência da doença. A prefeitura diz que tem realizado ações de combate à dengue, ampliadas desde o início de fevereiro. "A partir da próxima semana uma equipe terceirizada reforçará a nebulização nos bairros junto com os profissionais do PMCD [Programa Municipal de Controle da Dengue]e da Superintendência de Controle de Endemias", informou.

A Secretaria Estadual da Saúde diz que também vem atuando no combate ao mosquito transmisso da dengue e já investiu R$ 50 milhões nos municípios para apoiar ações de combate à doença, como capacitação de funcionários e suporte nas visitas domiciliares. A pasta, diz ainda, que garante os exames para todos os casos suspeitos.

São Paulo

Divulgação/Prefeitura de São Paulo
Agentes de saúde visitam casas na zona oeste de São Paulo, região mais afetadas por casos neste ano

Na cidade de São Paulo, os dados da Secretaria Municipal da Saúde, atualizados até o último dia 8, informam que foram 1.745 casos da doença. O número de casos neste ano é 42% maior que os 1.229 registrados no ano passado.

A cidade de São Paulo também registrou uma morte em decorrencia da doença. Um menino de seis anos morreu na semana passada após passar duas vezes por um serviço de atendimento à saúde e ser dispensado, com diagnóstico de virose. A prefeitura diz que vai investigar o atendimento ao garoto.

Segundo Vivian Ailt Cardoso, subgerente de Vigilância de Doenças Transmitidas por Vetores, orgão da prefeitura responsável pelo combate à dengue, o aumento de casos tem relação com o aumento do número de criadouros na cidade. “A dengue tem uma característica de ter anos com mais casos e outros com menos. Tem a ver com a introdução de vírus e com o aumento no número de criadouros”, disse.

Ela diz que a tendência é que o número de casos comecem a diminuir em maio.

“A época que tem mais casos é essa [março e abril] porque é mais quente e com chuvas. As chuvas que aconteceram no mês passado ajudaram a acumular água. O mosquito precisa de calor para fazer a maturação e passar de ovo para adulto”, diz.

“Junho não é uma época de transmissão na cidade de São Paulo. O mosquito depende de condições climáticas e nessa época, a temperatura cai e isso faz com a atividade do mosquito diminua”. No entanto, ela alerta para os cuidados durante todo o ano. “O cuidado com o mosquito tem que ser o ano todo. Os ovos podem permanecer viáveis por um ano, esperando a água chegar para maturar”.

Ela diz que a população ainda tem que tomar cuidado com água acumulada em vasos de plantas, um dos criadouros mais comuns da cidade de São Paulo.

Para Paulo Olzon, infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a proliferação do mosquito é inevitável se a população não ajudar na prevenção.

“Estamos há 10 anos que sobe e abaixa os números de casos. Isso significa que não temos como controlar criadouros. A possibilidade de criadouros é infinita - até uma tampinha de garrafa pet que acumula água pode servir de criadouro. Nas casas e condomínios, as bromélias também são criadouros”, diz

Dicas para prevenir

- Pratos de vasos de plantas devem ser preenchidos com areia;
- Tampinhas, latinhas e embalagens plásticas devem ser jogadas no lixo e as recicláveis guardadas fora da chuva;
- Latas, baldes, potes e outros frascos devem ser guardados com a boca para baixo;
- Caixas d’água devem ser mantidas fechadas com tampas íntegras sem rachaduras ou cobertas com tela tipo mosquiteiro;
- Piscinas devem ser tratadas com cloro ou cobertas;
- Pneus devem ser furados ou guardados em locais cobertos;
- Lonas, aquários, bacias, brinquedos devem ficar longe da chuva;
- Entulhos ou sobras de obras devem ser cobertos, destinados ao lixo ou “Operação Cata-Bagulho”;
- Cuidados especiais para as plantas que acumulam água como bromélias e espadas de São Jorge, ponha água só na terra.

Sintomas
A presença de dois sinais, combinada com febre alta, é indicação para procurar o serviço médico. Os sintomas da dengue clássica como é chamada, acrescida de dor abdominal contínua, suor intenso e queda de pressão caracterizam a dengue hemorrágica.
- Febre alta (acima de 38°C)
- Fraqueza e prostração ou fraqueza
- Dor no corpo e nas juntas
- Dor de cabeça
- Dor no fundo dos olhos (Sem resfriado ou coriza)

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