Copan supera decadência para ser um dos prédios mais admirados do centro de SP

Por Clarice Sá , iG São Paulo | - Atualizada às

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Maior prédio habitacional do País, edifício projetado por Niemeyer tem 5 mil moradores e é cartão-postal da cidade

As curvas do Copan dão fôlego à verticalidade sufocante das vistas panorâmicas de São Paulo. Exemplar do estilo sinuoso do arquiteto Oscar Niemeyer, o prédio começou a ser construído em 1952 e foi oficialmente inaugurado em 1966, depois de uma série de imbróglios envolvendo construtora e investidores e alterações no projeto inicial. Como a alvenaria e a estrutura de concreto armado ficaram prontas em 1961, já havia moradores no local no dia da inauguração, em 1966. Hoje, o que seriam partes de apartamentos de quatro dormitórios viraram quitinetes habitadas por quem adere à praticidade de morar no coração de São Paulo.

Mirante do Vale: Fama do prédio mais alto do País é ofuscada por vizinhos

Copan, a maior estrutura de concreto armado e maior prédio habitacional do  País. Foto: Clarice SáO Copan visto por baixo, por quem passa pela rua. Foto: Clarice SáLojas que ficam no térreo do prédio, no centro de São Paulo. Foto: Clarice SáMapas ajudam a circulação pelo Copan. Foto: Clarice SáVista parcial do centro de São Paulo. Foto: Clarice SáPrédio está entre os mais altos do centro de São Paulo. Foto: Clarice SáAluguel do espaço para antenas de rádio e telefonia ajudam a reforçar o caixa do condomínio do Copan. Foto: Clarice Sá/iGVista do terraço do Copan. À esquerda, o edifício Itália . Foto: Clarice Sá/iGVista do terraço do Copan. À esquerda o antigo hotel Hilton. Foto: Clarice Sá/iGÀ esquerda, a rua da Consolação, no centro, o Minhocão e à direita, o prédio do antigo hotel Hilton, atualmente abriga o Tribunal de Justiça de São Paulo. Foto: Clarice Sá/iGVista do terraço do Copan. À direita, a rua da Consolação e a praça Roosevelt abaixo, à esquerda, abaixo. . Foto: Clarice Sá/iGVista do terraço do Copan. Foto: Clarice Sá/iGRua da Consolação, ao centro e o Minhocão, á direita, abaixo. Foto: Clarice Sá/iGVista do terraço do Copan. Ao fundo, a serra da Cantareira. Foto: Clarice Sá/iGÀ direita, escada externa do Copan. Foto: Clarice Sá/iGEdifício Altino Arantes, visto do terraço do Copan. Foto: Clarice Sá/iGVista dom terraço do Copan. Ao fundo, antenas na avenida Paulista. Foto: Clarice Sá/iGVisto a partir do Edifício Itália, Copan insere novos contornos ao centro verticalizado. Foto: Clarice Sá/iGCopan, visto a partir do Edifício Itália. Foto: Clarice Sá/iGTerraço do Copan recebe visitantes de segunda a sexta às 10h30 e às 15h. Foto: Clarice Sá/iG

O iG publica desde a sexta-feira passada um especial com os edifícios mais emblemáticos da capital paulista. Será publicada uma reportagem por semana

“O centro facilita tudo”, diz o privilegiado morador de um apartamento do 31º andar do prédio, o físico biomédico Edyr Sabino. É dele a mais ampla das 1.160 unidades residenciais que ocupam 32 andares do Copan - há outros três andares comerciais. Sabino conseguiu reunir dois apartamentos e tomar conta do andar de um dos blocos. A morada tem de 440 m². Tão espaçosa que os filhos dele andam de bicicleta pela sala sem medo de esbarrar nos móveis.

A vista da janela é emoldurada pela Serra da Cantareira, de ponta a ponta. Do sofá, é possível ver, à noite, eventuais projeções do edifício Itália no antigo hotel Hilton, sobre as luzes da infinitude de prédios que se estendem pelas zonas leste e oeste e pelo centro da cidade. “São pedidos de casamento. Eles projetam ‘Quer casar comigo?’ E depois ‘Aceitou!’”. Ele acompanha também o movimento dos helicópteros e sabe de antemão de onde virão as principais notícias da cidade. Informações sobre os próprios vizinhos, no entanto, demoram a chegar. “A gente sabe que alguém morreu depois que já foi enterrado”, lamenta.

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O térreo é ocupado por 72 estabelecimento comerciais, entre cabeleireiros, restaurantes, lavanderias, uma locadora de DVDs e uma igreja evangélica desativada, que tomou o lugar de um antigo cinema. O espaço ocupado pelo comércio não dá conta de integrar os mais de cinco mil moradores que tornam o prédio o mais populoso do país. “É desumano. Os vizinhos não se conhecem, não tem área de convivência. Você sai, já está na rua”, diz Sabino. “Houve época em que levavam cadeira de praia lá embaixo para bater papo. Tem gente que senta na sarjeta, eu me recuso.” Mesmo na assembleia de condomínio, poucos se encontram. O evento costuma reunir cerca de 50 moradores. 

Morador conta as vantagens e desvantagens do Copan. Veja a vista do alto do prédio:

O condomínio é administrado há 21 anos por Affonso Celso Oliveira. Desde que assumiu como síndico, em 1993, reforçou o caixa do prédio alugando o terraço para instalação de antenas de rádio e telefonia. Até o primeiro semestre de 2013, a TV a cabo saía de graça. Quando a empresa que oferecia a permuta foi comprada, o serviço passou a ser pago. Mas o condomínio continua faturando. Entre os projetos de melhoria a serem implementados com o dinheiro, está a instalação de interfones no bloco B, que abriga o maior número de moradores. Atualmente, cabe ao porteiro decorar quem pode entrar ou não, o que gera uma série de pequenos desentendimentos.

O síndico Oliveira mora no Copan há 51 anos. Mudou-se antes da inauguração oficial, em 1966, acompanhou o processo de decadência a partir dos anos 1970, acompanhando o declínio da região central de São Paulo. Viu o edifício virar ponto de prostituição e tráfico de drogas e sofrer com problemas elétricos e hidráulicos. Viu o cinema dar espaço a um local de ensaios de uma orquestra e, mais tarde, virar igreja.

A situação começou a melhorar a partir da década de 1990 e neste início de século, seguindo a revitalização da região central da cidade. Hoje, a maior estrutura de concreto armado e maior prédio habitacional do País, com mais de 115 mil m² de área, é patrimônio histórico do município. “Agora só falta o Condephat (estadual) e o Iphan (nacional)”, diz Oliveira, apontado por muitos como peça fundamental no processo de mudança.

O síndico aposta no processo de tombamento para ajudar a reforçar o caixa e permitir mudanças estruturais. Ao virar patrimônio da cidade, por decreto municipal de junho de 2013, abriu-se a possibilidade de exibir propaganda na fachada - desde que haja aprovação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade (Conpresp). "Tudo isso é interessante para obter benefícios da lei Rouanet e buscar parcerias."


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