Jurados se reúnem para decidir se PMs são culpados no julgamento do Carandiru

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após réplica e tréplica, os jurados estão reunidos na Sala Secreta para iniciar votação dos quesitos

Após duas horas de tréplica da defesa, os jurados estão reunidos na Sala Secreta para decidir se os 15 policiais do Grupo de Operações Táticas Especiais da Polícia Militar são culpados pela morte de oito detentos e tentativa de assassinato de outros dois que ocupavam o quarto pavimento do pavilhão 9, no caso que ficou conhecido como massacre do Carandiru.

A terceira fase do júri do massacre do Carandiru foi retomado na manhã desta quarta-feira (2), terceiro dia de julgamento, com a fase de réplica e tréplica dos representantes do Ministério Público e dos advogados de defesa. Cada parte tem duas horas para tentar convencer os jurados. 

Pela manhã, o promotor Márcio Friggi explorou a características das vítimas durante sua fala. Na parte da tarde, o advogado Celso Vendramini terá a atenção dos jurados por mais duas horas. Depois o Conselho de Sentença se reúne para decidir pela culpa ou absolvição dos 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE) acusados pela morte de detentos que ocupavam o terceiro andar do Pavilhão 9 da antiga Casa de Detenção do Carandiru.

2º dia

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Futura Press
Julgamento do massacre do Carandiru

Nesta terça-feira foi inicada a fase de dabates entre acusação e defesa. O primeiro a falar foi o promotor Canto Neto que, por duas horas e meia, defendeu a condenação dos 15 policiais.

“De todas as tropas [que estiveram no dia do massacre no Carandiru], a tropa do COE era a única a portar facas. Eles [policiais] podem ter matado os presos com as facas, mas os presos também podem ter feito isso. Por isso, absolvam os policiais pela morte dos presos por armas brancas”, disse o promotor.

O promotor disse que, apesar de ter sido necessária a presença policial no Carandiru para conter a rebelião no Pavilhão 9, houve excessos que precisam ser punidos. “Os policiais que cometem excessos precisam ser afastados da corporação. Eles se excederam de maneira criminosa”, falou. “A polícia tinha que conter a rebelião. Era o papel dela. Mas o que se condena é o excesso criminoso. A entrada era necessária para se conter a rebelião, não para se executar os presos”, ressaltou.

A defesa dos policiais defendeu seus clientes afirmando que seria impossível culpa-los pelos crimes porque o Estado se omitiu ao não propiciar as condições para os confrontos balísticos, que permitiriam saber quem atirou em quem.

As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) do Pavilhão 9 da instituição, que foi desativada. Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os outros por armas brancas.

"Não foi feita a balística forense não por culpa dos réus, mas por culpa do Estado. É assim que se faz justiça em meu País?”, questionou o defensor Celso Vendramini.

De acordo com o advogado, os presos mortos foram identificados de acordo com o andar em que viviam, não pela comparação entre as balas e as armas apreendidas. "Como vou saber se esses quatro mortos estavam no terceiro andar?", questionou. Para ele, os PMs foram a julgamento apenas porque admitiram ter atuado no terceiro andar.

1º dia:

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Vendramini concluiu tentando dissociar seus clientes da ditadura militar, que hoje completa 50 anos. “Os militares são vistos como os militares da época da ditadura. Vivi a época da ditadura militar. Não quero mais isso", afirmou.

Em um tom mais ameno que no último julgamento, quando chegou a dizer que “é melhor um bandido morto que um policial ferido”, o defensor dirigiu seu foco à imprensa. “Se eles [policiais] saírem absolvidos, não haverá manchete de jornal amanhã (2). Se eles forem condenados, estará em todos os jornais”, disse ele.

Após sua fala, que durou duas horas e 20 minutos, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo encerrou os trabalhos.

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

3º juri: Advogado abandona plenário e julgamento do Carandiru é cancelado

4º júri: Júri condena 10 PMs a penas de até 104 anos de prisão pelo massacre no Carandiru

O julgamento do Massacre do Carandiru apura as responsabilidades pela morte de 111 detentos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. Nesta etapa, estão sendo julgados 15 policiais do COE pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio. As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) da instituição, que foi desativada. Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os demais, por armas brancas.

*Com Agência Brasil

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