Júri do Carandiru é composto por seis homens e uma mulher

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Quinze policiais militares do Gate são acusados pela morte de oito detentos e tentativa de assassinato de outros dois

A terceira etapa do julgamento do Massacre do Carandiru começou por volta das 13h40 desta segunda-feira (31), após uma testemunha considerada imprescindível para a defesa ser localizada. O júri é composto por seis homens e uma mulher.

O nome da testemunha considerada fundamental por Vendramini é o agente penitenciário Francisco Carlos Leme, chefe de plantão no dia do massacre e que já foi ouvido em fevereiro deste ano, antes da etapa do julgamento ter sido anulada e adiada pelo advogado Celso Vendramini. Naquela ocasião, Leme disse ter visto 75 corpos de detentos antes da entrada da Polícia Militar no presídio.

A expectativa do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo é que todas as testemunhas sejam ouvidas nesta segunda-feira e que o interrogatório dos 15 réus aconteça amanhã (1º). A previsão inicial é de que o julgamento seja encerrado na quinta-feira (3).

Na última fase do caso que falta ser julgada, 15 policiais militares do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) são acusados pela morte de oito detentos e tentativa de assassinato de outros dois no quarto pavimento do Pavilhão 9, do Carandiru. O júri iniciou às 15h com o depoimento da única testemunha de acusação, o perito Osvaldo Negrini. Em seguida, foi a vez do desembargador Fernando Torres Garcia dar seu depoimento, abrindo a fase das testemunhas de defesa. 

A segunda testemunha de defesa a falar foi o ex-secretário da Segurança Pública na época do massacre do Carandiru, Pedro Franco de Campos. Por volta das 18h20, começou o interrogatório dos réus.

Futura Press
Julgamento do massacre do Carandiru, em São Paulo

A terceira etapa começou no dia 17 de fevereiro, mas teve que ser adiada porque o advogado Celso Vendramini, defensor dos réus, abandonou o julgamento alegando estar recebendo menos atenção do juiz do que a promotoria. Vendramini foi punido com multa de R$ 50,6 mil pelo abandono.

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

3º juri: Advogado abandona plenário e julgamento do Carandiru é cancelado

4º júri: Júri condena 10 PMs a penas de até 104 anos de prisão pelo massacre no Carandiru

A previsão é que o julgamento tenha início com o sorteio de sete pessoas que vão compor o Conselho de Sentença. Em seguida serão ouvidas as testemunhas de acusação, as testemunhas de defesa e os réus. A previsão que o julgamento dure de três a sete dias.

Por envolver muitos réus e vítimas, o julgamento do Massacre do Carandiru foi desmembrado em quatro etapas, de acordo com os acontecimentos em cada um dos pavimentos do Pavilhão 9 da Casa de Detenção do Carandiru.

Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de reclusão, cada um, pela morte de 13 detentos. Na segunda etapa, em agosto, 25 policiais foram condenados a 624 anos de reclusão, cada um, pela morte de 52 detentos que ocupavam o terceiro pavimento do Pavilhão 9.

Na quarta etapa, que começou dia 17 de março, nove policiais militares foram condenados a penas de 96 anos cada e um a 104 anos de prisão pela morte de oito detentos.

O Massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 do Carandiru, na zona norte da capital paulista.

*Com Agência Brasil

Leia tudo sobre: são paulocarandirumassacre do carandiruigsp

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas