Reforma no Hospital do Servidor é insuficiente para acabar com superlotação

Por iG São Paulo |

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Mesmo com investimento de R$ 146 milhões, especialista recomenda descentralização do atendimento e até a construção de novas unidades pelo governo do Estado

Wanderley Preite Sobrinho
Hospital do Servidor

Conhecido pelo congestionamento de idosos em seus corredores, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) promete reduzir as filas com uma grande reforma, prevista para terminar em maio do ano que vem. Com R$ 146,7 milhões desembolsados pelo governo do Estado, a promessa é que, pelo menos, novos laboratórios, pronto-socorro e setores de especialidade, como Ortopedia, ganhem novas instalações. A medida, no entanto, não será suficiente para acabar com a superlotação do hospital.

Idosos aguardam nos corredores da Ortopedia. Assista:

A previsão é do presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Iamspe, Sylvio Micelli. “A entrega do novo pronto-socorro será feita em abril, mas ainda sim vai ser difícil dar conta da demanda porque ela só aumentou nos últimos anos.”

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De acordo com a CCM, havia 450 mil servidores que utilizavam o hospital em 2007. Hoje, esse número está em 800 mil. “Estimo em 500 mil pessoas a demanda reprimida”, diz Micelli. De acordo com suas contas, o Iamspe vai atender 1,3 milhão de pacientes até o final da década, apesar de ainda contar com a mesma quantidade de leitos de sua inauguração, em 1961: mil vagas.

Para resolver o problema, diz ele, a alternativa é descentralizar o serviço ao assinar convênio com laboratórios e hospitais em outras cidades do Estado. “Com uma contribuição maior do governo, daria para fazer convênio com Santas Casas, por exemplo.”

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Superlotação no Hospital do Servidor se mantém 1 ano após promessa de reforma

Micelli explica que a descentralização começou em 2008, mas ainda é insuficiente. “Esse processo precisa se intensificar com a assinatura de convênios com unidades de saúde que fiquem perto da casa do servidor. Hoje chega paciente de todos os cantos do Estado.”

Com 1.400 médicos, o Hospital do Servidor Estadual atende 43 especialidades. Foto: Wanderley Preite SobrinhoCom fortes dores de cabeça, idosa de 83 anos aguardava atendimento no corredor do Hospital do Servidor Estadual. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDona Terezinha de Jesus, 75, gosta do atendimento, mas lamenta espera de sete horas . Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGRoseli Nascimento Magalhão, 45 anos, aguardava atendimento havia seis horas. (Fotos seguintes foram tiradas no ano passado). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGIdosa aguarda no corredor do pronto socorro para receber atendimento. Foto: Wanderley Preite SobrinhoA acompanhante, também idosa, é quem precisa levar a maca até o consultório. Foto: Wanderley Preite SobrinhoCerca de 60% dos pacientes no Hospital do Servidor são idosos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho “O problema são as pulseiras”, reclama a aposentada Vera Lurdes (62). Ela se refere à triagem, que prioriza atendimento aos casos graves. Foto: Wanderley Preite SobrinhoA professora Verônica Lúcia (30) chegou às 10h37 com enxaqueca. "Já são seis da tarde e ninguém tira esse cateter do meu braço". Foto: Wanderley Preite SobrinhoA aposentada Carmen Viana (59) preferiu não mostrar o rosto. Depois de um mês internada, o remédio receitado lhe causou alergia pelo corpo todo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho

O presidente acredita que os convênios são a tendência natural porque a própria reforma vai atrair outros servidores que contribuem, mas não usam o hospital. “Em cinco anos o público vai ser ainda maior. Como vamos equacionar essa conta? Fazendo credenciamento e descentralizando.”

Sonho

A primeira parte da reforma será concluída no ano que vem, enquanto a segunda parte será tocada entre 2015 a 2017. “Haverá uma estação de Metrô em frente ao hospital, o que certamente vai facilitar o acesso ao atendimento e atrair mais usuários.”

Micelli afirma que, “em um mundo ideal”, além dos convênios, o governo precisaria construir hospitais de médio porte nas principais regiões do Estado. “Um no norte, em São José do Rio Preto, por exemplo, outro no Oeste (Presidente Prudente), outro no Vale do Paraíba, algum no Centro do Estado (em Bauru ou Marília) e mais um no litoral.”

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