Passeata da manifestação contra a Copa do Mundo durou cerca de duas horas e meia entre a av. Paulista e a praça da República

Entre 1,5 mil e 2 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar (PM), participaram do quarto protesto do ano em São Paulo contra o dinheiro gasto para a realização da Copa do Mundo em detrimento dos serviços públicos. Os ativistas saíram da praça do Ciclista, às 19h30, passaram pela pela avenidas Paulista, Brigadeiro Luís Antônio e percorreram ruas do centro da cidade. O fim do protesto foi Praça da República, com a convocação do próximo ato, dia 15 de abril, em frente ao Masp, com o tema "Se não tiver Saúde, não vai ter Copa".

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Antes do início da marcha, os ativistas leram um manifesto pedindo mais qualidade no transporte público, contra abusos no Metrô e contra o gasto de dinheiro público na construção de estádios para a Copa. Segundo a Polícia Militar, às 19h22 aproximadamente 800 ativistas estavam na concentração do protesto.

Os manifestantes seguiram em passeata por ruas da capital cercados pela escolta da polícia. Sem confrontos, a passeata terminou por volta as 22 horas sem o registro de prisões. 

Tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela ação policial no protesto desta quinta-feira
Ana Flávia Oliveira
Tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela ação policial no protesto desta quinta-feira

Segundo o tenente-coronel Marcelo Pignatari, cerca de mil policiais participam da segurança do ato, incluindo os agentes chamados da "tropa do braço", especializados em confronto sem o uso de armas. "A PM não precisa esperar a quebra da ordem para justificar a ação. A estratégia do isolamento dos manifestantes se mostrou acertada e o judiciário deu parecer favoravel a ação", afirmou.

O policia responsável pelo policiamento do ato afirmou que o único problema para o trabalho da polícia durante o protesto foi a falta do trajeto da passeata.

O artesão Antônio José da Silva, 49 anos, presença conhecida em outros protestos na capital paulista, pediu que as pessoas se unam para buscar as melhorias sonhadas para o País. "O Brasil está sendo saqueado. Espero que as pessoas se unam a nós e venham para a rua porque para ele a corrupção é arte e protestar é crime", diz lembrando os casos do mensalão, petrobras e cartel do Metrô. "Todo dia é um roubo diferente. Quando o barco afundar, vai todo mundo junto".

Manifestante andam entre os carros durante o protesto:

Um manifestante mascarado que afirmou ser integrante de um grupo que usa a tática black bloc afirmou ao iG que protestava contra o superfaturamento dos estádios e contra a falta de transparência dos gastos públicos. "As imposições da Fifa, acatadas pelo governo, favorecem apenas uma minoria que vai ao estédio. Falta investimento na saúde e educação. Não vai ter Copa é simbólico. Não somos contra o futebol, somos contra a falta de transparência no processo e o superfaturamento dos estádios".

Thiago Aguiar, de 24 anos, diretor de Recursos Humanos da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do movimento Juntos
Ana Flávia Oliveira
Thiago Aguiar, de 24 anos, diretor de Recursos Humanos da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do movimento Juntos

Para o diretor de Recursos Humanos da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do movimento Juntos, Thiago Aguiar, 24 anos, esses protestos em várias cidades mostram a indignação da população contra a Copa. "Os atos foram ganhando corpo porque a população percebeu o descompasso entre os gastos com a copa e os gastos com as demandas sociais".

Protestos

Este foi o terceiro protesto paulista com participação da chamada "tropa do braço" ou "tropa ninja" , que ao atuar pela primeira vez, em 22 de fevereiro, causou polêmica ao contribuir com a detenção de cerca de um quarto dos manifestantes e agressão a jornalistas

O primeiro protesto do ano aconteceu no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, e terminou com cerca de 130 detidos e um jovem baleado . Houve confronto com a Tropa de Choque e depredação de estabelecimentos comerciais no centro da cidade. Além de São Paulo, pelo menos outras doze capitais realizaram protestos contra a realização da Copa do Mundo na mesma data.

O último ato contra a Copa aconteceu no dia 13 de março e teve cinco detidos e um princípio de tumulto entre manifestantes e a Tropa de Choque na avenida Paulista . Cerca de 1,5 mil ativistas participaram do protesto e 1,7 mil policiais foram mobilizados.

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