Construído para atender emergências de 90 mil usuários, hoje Iamspe recebe 800 mil pessoas em diversas especialidades

Concebido em 1957 e posto de pé em 1961, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) permanece com o mesmo número de leitos 53 anos depois de inaugurado. “O hospital começou atendendo 90 mil segurados. Hoje esse número é de 800 mil, mas os leitos permanecem os mesmos: mil”, afirma o presidente da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Iamspe, Sylvio Micelli.

Idosos aguardam nos corredores da Ortopedia. Assista:

“A ideia inicial era criar o hospital para atender apenas urgências”, explica Micelli, que vê com preocupação o aumento da demanda. “Em 2007, havia 450 mil servidores que utilizavam o hospital. Hoje esse número está em 800 mil. Estimo em 500 mil pessoas a demanda reprimida.” De acordo com suas contas, o Iamspe vai atender 1,3 milhão de pacientes até o final da década.

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Micelli lamenta o fato de se estender a outros setores o caos testemunhado pelo iG no setor de ortopedia do hospital . “Não é só na ortopedia que isso acontece, e a tendência é aumentar a demanda porque muitos servidores que hoje usam convênio médico estão recorrendo ao Iamspe.”

Corredor do setor de Ortopedia do Hospital do Servidor Público Estadual
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Corredor do setor de Ortopedia do Hospital do Servidor Público Estadual

De acordo com ele, é muito difícil baixar a demanda porque “60% dos pacientes do Iamspe são idosos”.  Além da reforma no prédio, prevista para ser concluída em maio de 2015, o hospital precisa descentralizar o atendimento. "Primeiro, a reforma vai tornar o cuidado mais humanizado e acabar com a espera nos corredores."

“O processo de descentralização começou em 2008, mas precisa se intensificar com a assinatura de convênios com unidades de saúde que fiquem perto da casa do servidor. Hoje chega paciente de todos os cantos do Estado”, diz o presidente da CCM.

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Esse é o caso da professora Célia Manfre, que desde maio do ano passado aguarda autorização para operar a coluna da filha adolescente. “Eu sai de Mogi das Cruzes, tinha um rapaz de Campinas, outro de Piracicaba... A gente não tem convênio por perto e precisa vir pra cá.”


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