Jurados se reúnem para decidir se PMs são culpados no julgamento do Carandiru

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Após réplica e tréplica, os jurados estão reunidos na Sala Secreta para iniciar votação dos quesitos

Após duas horas de tréplica da defesa, os jurados estão reunidos na Sala Secreta para decidir se os dez policiais do Grupo de Operações Táticas Especiais da Polícia Militar são culpados pela morte de dez detentos e pela tentativa de homicídio de três presos que ocupavam o quinto pavimento do pavilhão 9, no caso que ficou conhecido como massacre do Carandiru.

O júri:

Debate final do julgamento do Carandiru fica para amanhã

Durante julgamento, perito diz que detentos não tiveram chance de reação

Futura Press
Julgamento do massacre do Carandiru

O julgamento foi retomado nesta quarta-feira (19). Antes da tréplica, os promotores do Ministério Público fizeram a réplica. Durante aproximadamente 2 horas, os promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo falaram aos jurados, exibiram um vídeo sobre a invasão e tentaram mostrar quem eram as vítimas, com detalhes como idade e profissão.

Segundo Friggi, o advogado de defesa, Celso Vendramini, usou um discurso que legitima a limpeza social, de que “bandido bom, é bandido morto”.

O promotor rebateu a principal tese da defesa, de que os dez policiais acusados não teriam agido no quinto pavimento (quarto andar) do Pavilhão 9. O promotor citou o depoimento de um preso que ocupava o quinto pavimento e que reconheceu o capitão Mascarenhas, por meio de uma touca usada exclusivamente pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Mascarenhas era responsável pela equipe de policiais do Gate.

O relato do comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), capitão Ronaldo, que atuou no segundo pavimento, também sugere que os dez policiais acusados tenham atuado no quinto pavimento, a mando do Coronel Ubiratan Guimarães.

Friggi citou trechos do livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos, que apontam o capitão Mascarenhas como um dos maiores matadores da Polícia Militar. De acordo com a obra, Mascarenhas é responsável por 34 mortes, inclusive de seis pessoas com doenças mentais na rebelião de um manicômio judiciário. O capitão especializou-se em repressão a rebeliões.

Mais:

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

3º juri: Advogado abandona plenário e julgamento do Carandiru é cancelado

A promotoria também criticou o advogado de defesa por ter abandonado o julgamento em na terceira etapa, o que lhe rendeu uma multa de R$ 50 mil. “Abandonou o plenário porque não estava contente com o que acontecia. Isso é lamentável, nunca abandonei um plenário em 10 anos”, disse Friggi.

O promotor disse que o advogado de defesa usa um discurso a favor da matança, e quer transformar o julgamento num espetáculo. Friggi trabalhava em um programa popular de televisão. “É inadmissível que [o julgamento] vire um programa de auditório, um circo. Isso não vai acontecer nesse plenário”, disse.

Após a realização de um intervalo para almoço, a sessão foi retomada com o advogado de defesa Celso Vendramini falando aos jurados. Após isso, o Conselho de Sentença se reunirá para decidir se condena ou não os réus. A sentença deve ser anunciada ainda hoje.

Nesta terça-feira, segundo dia da quarta etapa de julgamento, tiveram início os debates entre a promotoria e a defesa dos réus. Durante o debate, o promotor Eduardo Olavo Canto usou as duas horas e meia a que teve direito para também atacar o argumento utilizado pela defesa de que os policiais não estiveram no quinto pavimento e que, portanto, não poderiam responder pelas mortes dos dez detentos que ali estavam.

O advogado dos policiais Celso Vendramini disse que os militares não poderiam responder pelas mortes porque não estiveram no quinto pavimento e também porque não era possível individualizar as condutas, ou seja, dizer qual policial atirou e qual detento ele matou. Ele considerou a denúncia feita pelo Ministério Público contra os policiais "infundada e sem provas".

* Com Agência Brasil

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