Sindicato contesta Metrô e diz que há 50% mais falhas do que o divulgado em SP

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Companhia diz que quantidade de problemas graves nos trens é menor do que apresentado por relatório do sindicato

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo contesta, em relatório, o número de falhas notáveis (incidentes que paralisaram o sistema por mais de seis minutos ou têm grande repercussão) divulgados pela companhia ao iG no começo deste mês. Segundo o sindicato, os trens de São Paulo tiveram 133 falhas notáveis no ano de 2013 e 119 ocorrências em 2012. O número do ano passado é 50% maior que o divulgado pelo Metrô.

Falhas: Metrô e CPTM têm uma grande falha a cada três dias em São Paulo

Tumulto na Estação da Sé na noite desta terça-feira (4), após falha na Estação República, afetando a circulação da Linha 3-Vermelha . Foto: Oslaim Brito/Futura PressSeguranças do Metrô caminham sobre os trilhos na estação da Sé após falha que paralisou a Linha 3-Vermelha. Foto: Oslaim Brito/Futura PressEstação da Barra Funda fechou na noite desta terça, após falha que afetou dez das 18 estações da Linha 3-Vermelha. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Em reportagem do iG publicada no dia 6 de março, com base em informações fornecidas pelo Metrô, foram 84 falhas notáveis no ano passado contra 96 em 2012. Nesta semana, a companhia mudou a informação e divulgou que foram 71 casos. Ainda segundo o Metrô informou na ocasião, 70% das falhas estão relacionados com “problemas nas portas”, sem destacar quais as linhas que tiveram mais problemas.

O sindicato não informou a natureza das falhas, mas de acordo com o relatório, das 133 falhas no ano passado, 45 foram diretamente relacionadas aos trens e outras 20 (também em trens) foram investigadas pela Comissão Permanente de Segurança (Copese), ou seja, colocaram em risco a segurança dos passageiros. O restante pode ser na via, como problemas elétricos, por exemplo. Entre as ocorrências com trens, no ano passado, a frota K foi a campeã, com nove falhas. A frota K roda na Linha -Vermelha (Corinthians-Itaquera/Palmeiras-Barra Funda) e é composta por trens antigos da empresa Cobrasma, que foram reformados pelo consórcio MTTrens, investigado pelo Ministério Público no caso de formação de cartel. O contrato de reforma está suspenso por causa das investigações. 

Temida pelas falhas, operadores evitam a frota K do Metrô de São Paulo

Em 2012, quando o sistema apresentou 119 falhas, foram 57 problemas em trens e oito que precisaram de um acompanhamento da Copese. Naquele ano, a frota H, que roda na Linha 3 e na Linha 1-Azul (Jabaquara/Tucuruvi), foi a mais problemática, com 14 ocorrências.

Histórico de falhas

O relatório compreende o histórico de falhas desde 2003. Até 2011, o número de problemas mantinha abaixo de cem por ano, com aquele ano registrando apenas 58 incidentes notáveis (INs).

“Notamos que desde as inclusões de trens novos e reformados ocorreram mais falhas graves com trens. Ainda considerando a teoria da companhia de que o início da operação de trens novos tem mais ocorrências, percebemos que nos casos dos trens novos após dois anos em circulação, houve redução drástica das ocorrências como essas, já com os trens reformados, percebemos que já estão chegando a três anos de circulação e, particularmente a frota K, continua numa ascendente de falhas”, conclui o relatório.

O sindicato informou que o relatório foi feito com base em dados oficiais comunicados pela companhia. No entanto, para o presidente do sindicato, Altino Melo Prazeres Junior, a companhia pode até “maquiar ou omitir” os números de falhas notáveis já que os dados são de natureza “técnicas e políticas”. “Um IN [incidente notável] é uma mistura de técnica com política. Quando o problema passa de seis minutos, ele é computado automaticamente. Mas na questão da repercussão é uma decisão política. Alguém com poder, que tem interesses, decide que aquele problema é um incidente notável. Ou seja, mesmo que sejam oficiais não significam que sejam reais”, disse Prazeres Junior.

Além disso, o presidente do sindicato disse que a quantidade de falhas tem aumentado por três fatores: “reformas mal feitas, superlotação e pouco funcionários”.

"Os pequenos episódios que são normais em qualquer sistema são agravados com a superlotação. Além disso, passamos de 1,5 milhão de usuários e 10 mil funcionários em 2008 para 4,6 milhões de usuários e 9,6 mil funcionários. A proporção de funcionário por usuário diminuiu muito. Neste período, a malha aumentou um pouco. Então, o sistema é superlotado. Estamos criando sistema feito para dar problemas. Estamos trabalhando com a sorte”, disse o presidente.

Resposta

Diferentemente do informado ao iG no começo do mês e dos números levantados pelo sindicato, o Metrô afirmou na última sexta-feira que no ano de 2013 foram registrados 71 incidentes notáveis, o mesmo número do ano anterior. “É mais do que importante considerar que todos os sistemas de Metrô do mundo estão sujeitos a falhas e que elas são proporcionais ao número de viagens realizadas, à quilometragem percorrida e à quantidade de passageiros transportados”, disse a companhia em nota.

Segundo o Metrô, são transportados 4,6 milhões de passageiros diariamente e os trens percorrem 74 mil km por dia e realizam 3 milhões de ciclos de fechamento e abertura de portas por dia.

Em relação as frotas novas ou modernizadas, o Metrô informou que “necessitam de um período de ajustes até que comecem a apresentar seu melhor desempenho”. Sobre a frota K, o Metrô informou que ela “apresenta desempenho semelhante às demais frotas novas ou modernizadas”.

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