Julgamento do Carandiru entra na fase de debates em São Paulo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotores pediram a condenação em apresentação de cerca de duas horas. Advogados fazem a defesa dos réus agora

O segundo dia da quarta etapa do julgamento do massacre do Carandiru segue com a fase de debates das teses entre a acusação e a defesa dos policiais que são julgados no Tribunal da Barra Funda, na capital paulista, pela morte de dez detentos, em 1992.

O júri:

Durante julgamento, perito diz que detentos não tiveram chance de reação

Quatro homens e três mulheres formam o Conselho de Sentença do júri do Carandiru

Futura Press
Segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru

Após os promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo falarem por cerca de duas horas, abordaram a atuação dos réus diante dos fatos e pedir a condenação, a defesa apresenta seus argumentos.

E sua sustentação, o advogado de desesa Celso Vendramini exibiu reportagens com atuação de criminosos e leu trechos de depoimentos de agentes penitenciários. Cada parte tem duas horas e meia para falar, com direto a réplica e tréplica. A expectativa é que a sentença possa ser dada ainda hoje.

De acordo com a assessoria do imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo, o dia começou com a exibição de um vídeo com reportagens sobre o episódio, que ocorreu no dia 2 de outubro de 1992 e deixou um saldo de 111 detentos mortos.

O advogado Celso Vendramini, que faz a defesa dos policiais disse, pouco antes do início do Tribunal do Júri hoje, que desistiu de pedir a dissolução do conselho de sentença a pedidos dos próprios réus.

Nesta segunda-feira (17), ao final do primeiro dia do julgamento, ele informou à imprensa que pediria o cancelamento do júri após os promotores do caso terem entregue dois livros para os sete jurados que, segundo ele, não constam nos autos do processo. Vendramini disse que pedirá apenas o registro do fato em ata.

“Eles querem que continue o julgamento. Meus clientes não suportam mais essa pressão psicológica em cima deles, [que dura] 22 anos”, declarou, antes de entrar no plenário. Segundo Vendramini, não é permitida a entrega de documentos aos jurados que não sejam juntados ao processo até três dias antes do julgamento.

“Se o resultado for negativo para os policiais hoje, se foram condenados, no recurso de apelação, eu peço a nulidade para um novo julgamento”, declarou. Ele avalia que os livros Pavilhão 9 e A História do Carandiru são tendenciosos e trazem uma visão negativa dos policiais.

Mais: 

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

3º juri: Advogado abandona plenário e julgamento do Carandiru é cancelado

Os promotores contestaram, no entanto, a versão do advogado. Eles disseram que os livros constam nos autos e que, portanto, não estão irregulares. Vendramini disse que, mesmo sem receber o pedido da defesa, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo pode optar pelo cancelamento do júri. “O juiz pode entender que isso vai prejudicar o julgamento e decidir anular. É uma nulidade absoluta isso”, apontou.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo declarou, na abertura dos trabalhos, que os dois livros entregues aos sete jurados fazem parte de todo o processo do Massacre do Carandiru, que foi desmembrado por envolver um grande número de réus.

Nesta quarta etapa do julgamento do Carandiru, foi ouvido como testemunha de defesa o perito criminal Osvaldo Negrini e, como acusação, o desembargador Fernando Antônio Torres Garcia, que era juiz da Corregedoria, à época, além de Maldiney Antonio de Jesus, funcionário da casa de detenção.

No primeiro dia, o juiz também interrogou os dez réus, que negaram ter estado no quinto pavimento (quarto andar) do Pavilhão 9, local onde ocorreram as mortes pelas quais são acusados. Os depoimentos dados ontem, no entanto, contradizem os que foram dados anteriormente à Justiça Militar e à Polícia Civil, nos quais confirmaram ter estado no local das mortes. Segundo o advogado, eles atuaram no quarto pavimento.

* Com infomações da Agência Brasil

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