Para professor, apoio à violência policial em protesto reflete conservadorismo crescente da população brasileira. Veja abaixo o resumo de como foi o terceiro protesto contra a Copa

Depois das mais 260 prisões no segundo protesto contra a Copa do Mundo, em fevereiro, a Polícia Militar surpreendeu na manifestação da última quinta-feira (13) ao resistir às provocações e conduzir a marcha até seu final, na Catedral da Sé, centro de São Paulo . Veja abaixo como foi a manifestação:

Ao todo, 1.700 policiais tomaram conta dos cerca dos 1.500 manifestantes que passaram pelas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças, além de ruas da região da avenida Paulista.

2º protesto: 
Vídeo: 'tropa do braço' se antecipa a black blocs e acaba com protesto em SP

“Fascistas”, gritavam os manifestantes mais exaltados. “Vocês estão defendendo os interesses de quem?” Cantos de guerra pediam a extinção da PM e o direito de reivindicar nas ruas.

Professor de História da USP, Henrique Carneiro lembra dos 50 anos da ditadura, lembrados este ano, e da força de setores conservadores da população que apoiam as ações da polícia nos protestos. “Nas manifestações deste ano, a repressão não foi direcionada apenas contra quem comete vandalismo. Todos ficaram sujeitos à violência policial.”

A reportagem conversou com dois homens que afirmam ter sido espancados pela polícia, embora os confrontos não tenham se generalizado. O principal tumulto ocorreu próximo ao Masp. Segundo a PM, um coquetel molotov foi arremessado contra os agentes e um grupo de black blocs quebrou a vidraça de uma agência do Banco do Brasil. Ao todo, cinco pessoas foram presas.

Parte dos policiais militares que acompanhou os manifestantes estava sem identificação, o que é proibido. Em outros protestos essa cena já havia sido vista. A PM afirma que os agentes costumam ser punidos, mas até agora não há informações sobre quantos policiais assinaram alguma advertência.

A manifestação encerrou após o ativistas percorrem os dois sentidos da avenida Paulista, quando o grupo foi se dispersando. Por volta das 23h, cerca de 200 manifestantes chegaram ao centro da cidade, na região da praça da Sé, onde a passeata terminou.

Para o comandante José Eduardo Bexiga, chefe do policiamento na região central de São Paulo, o protesto foi tranquilo e a PM só fez o trabalho de acompanhamento. "Quando não há violência para ser coibida, acontece como hoje, que foi acompanhar a manifestação para manter a ordem", afirmou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.