Tropa de Choque entra na Ceagesp e controla protesto em São Paulo

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Agentes entraram no centro de distribuição de alimentos para controlar manifestação contra cobrança no estacionamento. Veículos e a sede da fiscalização foram queimados

O início da cobrança de estacionamento na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste de São Paulo, que começou a valer na quinta-feira (13), provocou um protesto de cerca de 300 caminhoneiros entre o fim da manhã e o início da tarde desta sexta-feira (14), na entrada do portão 3. Eles colocaram fogo na sede da fiscalização da companhia e usaram pedaços de materiais de construção, usados em uma reforma, para depredar o edifício. Um caminhão e várias caçambas de lixo foram incendiados. Cancelas e cabines de cobrança do estacionamento foram quebradas.

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Funcionários tentam nesta segunda-feira (17) retirar documentos que sobraram na sede da Ceagesp, que foi incendiada e depredada durante o protesto. Foto: Taba Benedicto/Futura PressManifestação contra cobrança de estacionamento na Ceagesp (14/03/2014). Foto: Edno Luan/Futura PressProtesto contra cobrança de estacionamento na Ceagesp (14/03/2014). Foto: Edno Luan / Futura PressCerca de 300 caminhoneiros quebraram cabines e cancelas, montaram barricadas e depredaram veículos durante o protesto  (14/03/2014). Foto: Edno Luan / Futura PressManifestantes consideram abusiva a cobrança de estacionamento (14/03/2014). Foto: Edno Luan/Futura Press

Dois pelotões da Tropa de Choque da Polícia Militar, reunindo 120 policiais, entraram pouco depois das 12h30 no local para controlar atos de vandalismo. Segundo a PM, a polícia só entrou nesse horário porque as cinco viaturas com dez policiais, que estavam nas proximidades, eram insuficientes para a intervenção e necessitavam de reforço da Tropa de Choque. 

O helicóptero Águia da Polícia Militar foi acionado. Os agentes da da Tropa de Choque lançaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Seis equipes do Corpo de Bombeiros foram moblizadas.

Por volta das 15h20, os bombeiros faziam uma vistoria nos prédios da Ceagesp. Estão no local 12 viaturas e 35 homens da corporação. Foram incendiados parcialmente o prédio do Departamento de Entrepostos e o prédio do setor de fiscalização. O fogo foi controlado.

De acordo com a assessoria de imprensa da companhia, seguranças particulares atiraram com arma de fogo para cima, “como uma medida extrema para conter o tumulto”. Quatro seguranças foram feridos por pedradas.

O trânsito no entorno da Ceagesp ficou congestionado esta manhã por conta da entrada, um a um, dos caminhoneiros, que precisavam pegar o cartão de pagamento do estacionamento. Como a medida foi implantada na quinta, muitos se surpreenderam com a cobrança. Além disso, há relatos de falha no sistema de validação do cartão para a saída, o que também teria provocado a revolta dos motoristas. 

Caminhoneiros que não quiseram se identificar consideram a cobrança absurda porque não nenhuma melhoria foi implementada no entreposto e, além disso, não há espaço suficiente para os caminhões. Eles dizem também que a única reforma realizada foi para instalação de câmeras de segurança. 

Maior entreposto de alimentos da América Latina, a Ceagesp recebe cerca de 60 mil pessoas por dia. As sextas-feiras são dias de intensa movimentação.

A fila do estacionamento afeta o trânsito na avenida Gastão Vidigal - alternativa para evitar a Marginal Tietê -, na pista local da Marginal Pinheiros e na ponte do Jaguaré, sentido Lapa. Onze linhas de ônibus também têm a circulação prejudicada. De manhã, passageiros cansados de esperar desceram dos coletivos e completaram o trajeto a pé.

Preço

A tarifa varia de acordo com o tempo de permanência e de acordo com o número de eixos dos caminhões. Por quatro horas, utilitários e caminhões de dois eixos pagam R$ 4 e de três a seis eixos, R$ 5. Os veículos de passeio, que só podem circular em horários e específicos pagam R$ 6 pela primeira hora de permanência.

A Ceagesp informou que a cobrança do estacionamento é a última etapa de um processo de modernização da unidade. O objetivo é tornar mais rígido o controle do acesso de veículos e pessoas, pois foram registradas denúncias de exploração sexual dentro do entreposto. Segundo a companhia, a área tem 700 mil metros quadrados, por onde circulam diariamente 12 mil veículos por dia.

O órgão nega que a cobrança traga impactos no preço dos alimentos. Um estudo da Ceagesp aponta que o custo do pedágio representaria, em média, um acréscimo de R$ 0,02 nos produtos comercializados.

O Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sincaesp) marcou um protesto contra a cobrança para a próxima segunda-feira (17) a partir das 3h, com concentração no portão 3. Eles afirmam que "o projeto de alteração viária, no qual está inclusa a cobrança do pedágio, não é viável e não comporta a demanda de movimentação dentro e fora da Ceagesp". O sindicato diz ainda que a cobrança vai impactar o consumidor final e reduzir a competitividade do mercado. Na avaliação da entidade, a diretoria do entreposto não dá abertura para negociações. 

*Com informações da Agência Brasil

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