Manifestação contra a Copa foi a primeira em dia útil realizada na capital. Ponto de maior tensão ocorreu na avenida Paulista

A terceira manifestação contra a Copa do Mundo, realizada nesta quinta-feira (13) em São Paulo, teve um princípio de tumulto entre manifestantes e a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM). Segundo a PM, 1.500 ativistas participaram do ato que começou no Largo da Batata, na zona oeste, e foi em direção à avenida Paulista, onde pelo menos uma agência bancária teve a frente depredada.

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Cerca de 1.700 policiais - 50 deles da chamada 'tropa do braço' - acompanharam a manifestação que passou pelas avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças, além de ruas da região da avenida Paulista. O comércio, incluindo postos de gasolina e centros comerciais, fechou as portas no trajeto do ato.

O tumulto entre manifestantes e policiais ocorreu próximo ao Masp. Segundo a PM, um coquetel molotov foi arremessado contra os agentes e um grupo de black blocs quebrou a frente de uma agência do Banco do Brasil. Ao todo, cinco pessoas foram presas.

Além do princípio de confusão na av. Paulista, dois manifestantes foram detidos e encaminhados ao 14º DP, em Pinheiros. A PM informou que um deles foi detido com um estilingue e esferas de aço e um adoelscente foi apreendido enquanto depredava o interior da Estação Faria Lima do Metrô. Não houve registro de feridos.

A manifestação encerrou após o ativistas percorrem os dois sentidos da avenida Paulista, quando o grupo foi se dispersando. Por volta das 23h, cerca de 200 manifestantes chegaram ao centro da cidade, na região da praça da Sé, onde a passeate terminou.

Para o comandante José Eduardo Bexiga, chefe do policiamento na região central de São Paulo, o protesto foi tranquilo e a PM só fez o trabalho de acompanhamento. "Quando não há violência para ser coibida, acontece como hoje, que foi acompanhar a manifestação para manter a ordem", afirmou.

A caminhada

O início da caminhada foi marcado pela leitura de um manifesto contra a falta da qualidade nos transportes e de convocação do próximo protesto, agendado para ocorrer no dia 27 de março, às 18 horas, na praça do Ciclista, na avenida Paulista. Poucos manifestantes estavam mascarados. Entre os gritos entoados pelos ativistas durante a marcha estavam "vem, vem pra rua contra o governo", "só olhar não adianta" e "enquanto a bola rola não tem escola".

Parte dos policiais militares que acompanhou os manifestantes estava sem identificação, o que é proibido. Em outros protestos essa cena ja foi vista e a PM afirma que os agentes são punidos se não tiveram identificação. Mas não há informações sobre quantos policiais já sofreram alguma advertência por agirem assim. Veja abaixo imagens da policiais não identificados na manifestação desta quinta-feira:

Antes dos manifestantes começarem a caminhar, o coronel Eduardo Almeida, comandante da operação policial no local, conversou com alguns dos organizadores do evento e afirmou que a polícia estava no local para manter a ordem durante o protesto. "A PM não vai impedir a mobilização do manifestantes. O que não pode é depredar, agredir pessoas. Se for feito tudo dentro da ordem a manifestação será pacífica".

"Nossa expectativa é positiva. Mas estamos preparados para tudo o que possa acontecer. A estratégia de contenção não será usada se não houver problemas. Agimos de acordo com a necessidade", completou o coronel..

De acordo com a polícia, as ouvidoria policiais acompanharam a manifestação para observar a ação da PM após denpúncia de abusos em outros protestos. No início da manifestação, três jovens foram revistados por policiais. Segundo Almeida, a abordagem ocorreu porque eles se "aproximaram da tropa com roupas pretas e mochila".

Paulo Spina, um dos organizadores da manifestação, afimou que a mobilização ocorre porque as pessoas estão indignadas. "O protesto não é partidário, mas partidos são bem vindos. Trinta coletivos se uniram pela pauta "Não vai ter Copa se não tiver direitos".

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Jose Freitas, 86 anos, participou da sua quinta manifestação
Ana Flávia Oliveira/ iG São Paulo
Jose Freitas, 86 anos, participou da sua quinta manifestação

Presente no protesto, José Freitas, de 86 anos, afirmou que participa da sua quinta manifestação por acreditar que pode melhorar o país. "Eu quero lutar um pouco por esse País. Lutei contra a ditadura e hoje me arrependo porque estamos em uma ditadura branca, dos empresários de mãos dadas com os corruptos. O Brasil é o rei da corrupção", afirmou.

Segundo os organizadores, o protesto, desta vez, teve como tema principal o transporte público, o mesmo que motivou as grandes manifestações do ano passado. “Nos reuniremos pelo direito ao transporte 24 horas, redução da tarifa para R$ 2,50 e pela abertura da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] do cartel nos transportes, além de mais transparência na elaboração e divulgação das planilhas de custo (apresentadas pelas empresas de ônibus para justificar a tarifa subsidiada), fiscalização mais rigorosa das empresas e novos critérios de licitação e contratação das empresas”, informou o grupo ao iG.

O último protesto contra os gastos da Copa em São Paulo, no dia 22 de fevereiro, foi dispersado com auxílio de uma tropa de policiais composta por agentes com treinamento em artes marciais. Ao final da ação, 262 pessoas acabaram detidas, entre elas, diversos jornalistas. Por isso, o grupo Advogados Ativistas entrou com um pedido de liminar para que a PM fosse proibida de usar a chamada tropa de braço no ato de hoje. A Justiça, no entanto, negou o pedido.

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