Segundo julgamento de Farah Jorge Farah começa hoje, mas deve ser adiado

Por iG São Paulo |

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Júri de acusado de matar e esquartejar a amante em 2003, em São Paulo, está marcado, mas segundo a defesa, será adiado porque nem todas as testemunhas foram localizadas

O segundo julgamento do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a paciente e amante Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003, está marcado para começar nesta segunda-feira (10), na capítal paulista. Mas segundo a defesa do médico, o júri deve ser adiado.

Futura Press
Julgamento está marcado para o Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital

O advogado Odel Antun, defensor de Farah, afirma que a nova data do julgamento estaria agendada para 12 de maio porque cinco das oito testemunhas de defesa ainda não foram localizadas. Cada uma das partes tem direito a oito testemunhas.

“Na sexta feira passada, a defesa pediu para adiar o julgamento para maio. O juiz já concordou, mas vai manter a sessão desta segunda-feira para todas as testemunhas já localizadas saiam cientes da nova data, que será provavelmente no dia 12 de maio. O Farah foi, inclusive, dispensado”, disse Antun.

No entanto, o promotor de Justiça André Luiz Bogado Cunha, disse que a sessão está mantida e que o pedido de adiamento é “uma manobra da defesa para atrasar ainda mais um julgamento que já se arrasta há 12 anos”.

“O juíz ainda não decidiu [sobre o adiamento]. As testemunhas vão comperecer. A ideia do MP é fazer o juri e se faltar testemunha de acusação, vamos continuar sem elas. Até porque todas as testemunhas, tanto de acusação, quanto de defesa, já foram ouvidas no primeiro julgamento, na primeira fase do processo e na polícia”, disse Cunha.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a sessão está mantida, e que não há informações sobre o adiamento.

Entenda

Em 2008, o médico já havia sido condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio e mais um ano por ocultação de cadáver. No entanto, segundo Antun, a defesa entrou com uma apelação para anulação do juri porque os jurados não levaram em consideração o laudo oficial do Instituto de Criminalística (IC) que atestava a semi-imputabilidade de Farah. Ou seja, segundo o laudo, o médico não tinha plena consciencia dos seus atos. Na ocasião do crime, Farah alegou que teve um “branco” e não se lembra dos fatos.

Cunha, porém, diz que para condenar Farah, os jurados se basearam em outros laudos, assinados por psiquiatras renomados, ressonância magnética do cérebro do médico e o laudo de Rorschach, que atestaram que Farah não tem problemas psiquiatricos.

“Para o MP, ele planejou tudo. Ele tinha plena consciencia do que estava fazendo”, disse Cunha. A defesa, no entanto, tenta provar que o médico matou Maria do Carmo por legítima defesa e não agiu em plena consciência.

Segundo a defesa, se ficar provada a semi-imputablidade de Farah, a pena poderia ser reduzida em um terço, para oito anos. Como ele já ficou preso por quatro anos, ele provavelmente cumpriria o resto da pena em liberdade.

O crime

O crime aconteceu no dia 24 de janeiro de 2003. Segundo a defesa, Maria do Carmo foi até o consultório do médico, no bairro de Santana, zona norte da capital, com uma faca e tentou agredir Farah. O médico conseguiu desarmá-la e golpear o pescoço da vítima. Nesse momento, o médico relata ter tido um “branco” e só retomou a consciencia no dia seguinte.

Segundo a polícia, após matar a mulher, Farah teria ainda retirado todo o sangue dos órgãos e cortado o corpo em nove pedaços, que escondeu em sacos de lixo dentro do próprio carro. Ele ainda retirou a pele das pontas dos dedos. Após o crime, ele foi para uma clínica psiquiátrica, onde se internou. Lá teria confessado o crime para uma sobrinha, que o denunciou. O corpo da vítima só foi encontrado três dias depois.

Farah ficou preso por quatro anos e meio e aguarda a decisão do julgamento em liberdade. Em 2006, o Conselho Regional de Medicina (CRM) o proibiu de exercer a profissão. Após sair da cadeia, ele se matriculou na Faculdade de Saúde Pública e mora em um sobrado na Vila Mariana, zona sul da capital, onde aguarda um novo julgamento.

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