Julgamento de Farah Jorge Farah é adiado pela quinta vez em São Paulo

Por iG São Paulo |

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Adiamento foi um pedido da defesa do médico que diz que suas testemunhas não foram localizadas pela Justiça. Nova data marcada para o julgamento é 12 de maio

O segundo julgamento do cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a paciente e amante Maria do Carmo Alves, em janeiro de 2003, foi adiado para o dia 12 de maio. A nova data já estava acertada entre o juiz do caso e a defesa de Farah, já que cinco das oito testemunhas de defesa não foram localizadas. Essa foi a quinta vez que o julgamento é adiado.

Paulo Preto/Futura Press
Advogado de defesa, Odel Mikael Jean Antun fala com jornalistas sobre o adiamento do julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah


"O juiz manteve a sessão desta segunda-feira para que todas as testemunhas já localizadas saiam cientes da nova data", disse, na sexta-feira, ao iG, o advogado Odel Antun, defensor de Farah.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo aceitou o pedido da defesa do réu para o adiamento. No ano passado já haviam sido quatro adiamentos. Segundo o Tribunal de Justiça, o júri deve ocorrer no dia 12 de maio.

Entenda

Em 2008, o médico já havia sido condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio e mais um ano por ocultação de cadáver. No entanto, segundo Antun, a defesa entrou com uma apelação para anulação do juri porque os jurados não levaram em consideração o laudo oficial do Instituto de Criminalística (IC) que atestava a semi-imputabilidade de Farah. Ou seja, segundo o laudo, o médico não tinha plena consciencia dos seus atos. Na ocasião do crime, Farah alegou que teve um “branco” e não se lembra dos fatos.

Cunha, porém, diz que para condenar Farah, os jurados se basearam em outros laudos, assinados por psiquiatras renomados, ressonância magnética do cérebro do médico e o laudo de Rorschach, que atestaram que Farah não tem problemas psiquiatricos.

“Para o MP, ele planejou tudo. Ele tinha plena consciencia do que estava fazendo”, disse Cunha. A defesa, no entanto, tenta provar que o médico matou Maria do Carmo por legítima defesa e não agiu em plena consciência.

Segundo a defesa, se ficar provada a semi-imputablidade de Farah, a pena poderia ser reduzida em um terço, para oito anos. Como ele já ficou preso por quatro anos, ele provavelmente cumpriria o resto da pena em liberdade.

O crime

O crime aconteceu no dia 24 de janeiro de 2003. Segundo a defesa, Maria do Carmo foi até o consultório do médico, no bairro de Santana, zona norte da capital, com uma faca e tentou agredir Farah. O médico conseguiu desarmá-la e golpear o pescoço da vítima. Nesse momento, o médico relata ter tido um “branco” e só retomou a consciencia no dia seguinte.

Segundo a polícia, após matar a mulher, Farah teria ainda retirado todo o sangue dos órgãos e cortado o corpo em nove pedaços, que escondeu em sacos de lixo dentro do próprio carro. Ele ainda retirou a pele das pontas dos dedos. Após o crime, ele foi para uma clínica psiquiátrica, onde se internou. Lá teria confessado o crime para uma sobrinha, que o denunciou. O corpo da vítima só foi encontrado três dias depois.

Farah ficou preso por quatro anos e meio e aguarda a decisão do julgamento em liberdade. Em 2006, o Conselho Regional de Medicina (CRM) o proibiu de exercer a profissão. Após sair da cadeia, ele se matriculou na Faculdade de Saúde Pública e mora em um sobrado na Vila Mariana, zona sul da capital, onde aguarda um novo julgamento.

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