Dia da Mulher: Delegada faixa preta vai lidar com manifestantes na Copa

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Vaidosa, Raquel Gallinati combate o preconceito no Dia das Mulheres: “Não existe trabalho de homem. Existe é aptidão”

O carnaval foi no Rio de Janeiro, sua cidade natal, mas durante a Copa do Mundo ela estará de plantão em São Paulo, de olho nos manifestantes que tentarem acabar com a festa no estádio do Itaquerão, palco de abertura do evento. Bailarina, boxeadora e faixa preta em taekwondo, a delegada de polícia Raquel Gallinati (37) estudou cinco anos para assumir o posto no 24º DP, na Ponte Rasa, zona leste da capital.

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Bailarina clássica, a delegada também é faixa preta em taekwondo e lutadora de boxe. Foto: Divulgação/Facebook"Nunca ensine uma mulher atirar! No final ela pode atirar melhor que você", brinca a delegada no Facebook . Foto: Divulgação/FacebookCarioca de nascença, delegada passou o Carnaval deste ano torcendo no Sambódromo. "Me mudei para Santos aos dois anos". Foto: Divulgação/FacebookRaquel, a segunda da direita para a esquerda, ao lado das amigas. Foto: Divulgação/Facebook

Crescida na cidade de Santos, a delegada desembarcou em São Paulo aos 18 anos já sonhando com a profissão. “Aprendi em casa que não existe trabalho de homem ou de mulher. O que existe é aptidão.”

Vaidosa, Raquel retoca a maquiagem entre uma pergunta e outra. Antes de nova olhada no espelho, assegura que não recebe gracinha dos colegas de trabalho. “Na polícia de São Paulo, as pessoas te tratam de acordo com suas atribuições, não pelo fato de você ser homem ou mulher. Estamos no século 21!”

Mas a delegada admite que, fora dali, as pessoas na rua se surpreendem quando descobrem sua profissão. “Mas como é possível?”, perguntam alguns. “Na minha sala, havia 178 homens e 22 mulheres.”

Vizinho de Itaquera, bairro em que o novo estádio do Corinthians foi erguido, o 24º D.P será um dos endereços de destino de quem “perturbar a ordem” durante a Copa, especialmente em caso de protestos.

Questionada sobre os preparativos de segurança para o evento, Raquel se esquiva. “Reuniões sigilosas estão cuidado do assunto. Esperamos atender poucas ocorrências, mas as que existirem passarão por este distrito e por outros da região.”

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Comemoração

A bailarina – que recentemente se apaixonou pelo boxe – lembra que o irmão, também lutador profissional, frequentou aulas de balé clássico com ela. “Nunca houve separação de gênero na minha família.”

Mesmo reservada quanto à vida pessoal, Raquel diz que gosta de comemorar o Dia da Mulher. Primeiro por representar “uma homenagem a quem assumi tantas atividades” e depois porque... “é gostoso receber flores, é gostoso receber parabéns pelo seu dia. Que mulher não gosta?”

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