Advogado que abandonou julgamento do Carandiru é multado e juiz marca nova data

Por Agência Brasil |

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Na decisão em que estabelece a punição do advogado, o magistrado marcou um novo júri para o dia 31 de março

Agência Brasil

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo aplicou multa de R$ 50,6 mil ao advogado Celso Vendramini por ter abandonado, na última terça-feira (18), o julgamento de oito acusados de participar do Massacre do Carandiru. Vendramini deixou o plenário durante o interrogatório de um dos 15 policiais causados da morte de oito detentos da extinta Casa de Detenção de São Paulo.

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2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

Julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressA nova fase do julgamento conta com 26 policiais no banco dos réus, dos 79 agentes acusados. Foto: Futura PressO massacre que aconteceu em 1992 foi o pior da história do sistema penitenciário brasileiro. Foto: Futura PressO Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo durante julgamento do massacre do Carandiru, no Fórum criminal da Barra Funda em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (29). Foto: Futura PressJulgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressHomem protesta pedindo reforma do sistema penitenciário em frente ao Fórum onde acontece o julgamento do massacre do Carandiru. Foto: Futura PressEm outubro do ano passado, cento e onze cruzes foram colocam em frente ao Largo São Francisco por alunos da Faculdade de Direito, em lembrança aos mortos do massacre ocorrido há 20 anos, onde morreram 111 presos. Foto: Futura Press

Na ocasião, o advogado alegou que não estava recebendo do juiz tratamento idêntico ao que era dado aos dois promotores responsáveis pela acusação. Com o abandono, o julgamento teve de ser suspenso. Na decisão em que estabelece a punição do advogado, o magistrado marcou um novo júri para o dia 31 de março.

No despacho, Tellini lembrou a importância do caso. “Cinquenta jurados foram intimados. Requisitou-se profissional médico a fim de avaliar os jurados sorteados. Diligências foram adotadas meses antes do julgamento, mobilizando funcionários de diversos órgãos, além do Poder Judiciário, sem mencionar o estreito acompanhamento da mídia que, invariavelmente, critica a demora na conclusão do caso”, disse o juiz.

Para ele, não havia justificativa razoável para a atitude do advogado. “Dentro desse contexto, no segundo dia de julgamento e após a oitiva de quatro testemunhas, dentre elas um procurador de Justiça, o defensor, sem motivos ou fundamento legal, enquanto se realizava o interrogatório do primeiro réu, de maneira desrespeitosa e acintosa, abandonou o plenário, ensejando a dissolução do conselho de sentença, e prejudicando o rápido deslinde da causa”, acrescentou Tellini.

O maior massacre ocorrido no sistema penitenciário brasileiro foi no dia 2 de outubro de 1992 e resultou na morte de 111 detentos, após invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 do Carandiru. Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de reclusão, cada um, pela morte de 13 detentos. Na segunda etapa, em agosto, 25 policiais foram condenados a 624 anos de reclusão, cada um, pela morte de 52 detentos que ocupavam o terceiro pavimento do Pavilhão 9.

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