Polícia Militar se desculpa e considera operações em protesto em SP "um sucesso"

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Dos cerca de mil manifestantes em ato contra a Copa do Mundo, 262 foram detidos pela PM

Vitor Sorano/iG
Coronel Celso Luiz Ferreira, da Polícia Militar de SP, em entrevista coletiva neste domingo (23)

A Polícia Militar considerou um sucesso a intervenção realizada ontem (22) durante a manifestação contra a Copa do Mundo no centro de São Paulo. A operação terminou com 262 pessoas retidas - havia 1.500 - e nenhum preso. Jornalistas também foram retidos e agredidos.

Assista: 'Tropa do braço' se antecipa a black blocs e acaba com protesto em SP

O protesto seguia pela Rua Xavier de Toledo, no centro da cidade, quando policiais militares começaram a fazer um cerco a alguns grupos de manifestantes. "Porque alí foi o exato momento em que tivemos informações de que haveria quebra-quebra", disse o coronel Celso Luiz Ferreira.

Segundo o coronel, a PM interpretou como sinal de que haveria quebra-quebra o momento em que os black blocs deram os braços e gritaram "uh, uh". 

Questionado se a intervenção policial é que desencadeou o quebra quebra, o coronel desconversou, mas reconheceu que algumas depredações ocorreram após o cerco. "Fizemos o cerco e uma parte conseguiu sair pela Rua 7 de Abril (e iniciar o quebra quebra)", contou o coronel.

Veja imagens do protesto contra a Copa no centro de São Paulo

Protesto contra Copa no centro de SP tem quebra-quebra

Centro de SP tem cenário de destruição após protesto

Veja fotos do protesto:

Manifestante é detida durante o protesto contra a Copa no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressBlack blocs atacam estabelecimentos comerciais no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de cem manifestantes foram detidos, segundo advogado . Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAo menos 25 manifestantes detidos no protesto ficaram sentados no chão, em frente ao 78 °DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGProtesto teve cerca de 120 detidos. Parte deles foi liberada ainda no centro. Na imagem, manifestantes levados ao 78° DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGParte dos manifestantes foi levada ao 78° Distrito Policial, dos Jardins. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes seguiram pelas ruas do centro após o confronto com a polícia. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia fecha quarteirão da Xavier de Toledo, onde houve o confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia cerca grupo de manifestantes detidos durante o confronto na rua Xavier de Toledo. Foto: Vitor Sorano/iGPM na rua Xavier de Toledo, onde houve confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares revistam manifestante detido. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGBlack blocs depredaram estabelecimentos no centro de São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes depredaram agência bancária do centro de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia Militar faz cordão de isolamento no centro de São Paulo após tumulto. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes vestidos de preto e mascarados lideraram o protesto. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se reuniram em protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentraram na praça da República. 'Pentacampeão, de injustiça e de corrupção', gritavam pelas ruas do centro. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentram na praça da República. Foto: Vitor Sorano/iGBlack blocs organizam cordão humano durante protesto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares reforçam segurança no cruzamento da praça da República com a avenida São Luís. Foto: Vitor Sorano/iGOs estudantes Lucas Crivelaro e Willians Mardegan participam do protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram na praça da República no segundo ato contra a Copa do Mundo (22/02/2014). Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de mil policiais reforçam a segurança na praça da República. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press"Sem educação, não vai ter Copa", diz um dos cartazes preparados por manifestantes do segundo ato contra a Copa em São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG"Eu gosto de futebol, mas temos que sacrificar nossos gostos. Eu sou contra investimento para maquiar corrupção", diz Beto Fontes (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG

A polícia mobilizou mais de 2 mil homens na operação - número superior, portanto, ao de manifestantes. Para Ferrerira, a operação foi bem sucedida porque houve menos depredações e menos manifestantes e policiais feridos (um e cinco respectivamente, segundo a PM). Apontados como principais responsáveis pelos atos de vandalismo, os adeptos da tática black bloc estavam em menor número que em manifestações anteriores, reconheceu o coronel.

A intervenção policial também foi criticada por ter resultado na agressão a jornalistas e advogados que atuavam em favor dos ativistas. Ferreira disse ser mto difícil identificar quem era ou não repórter durante a manifestação, pois alguns usavam máscaras e capacete - ao menos um dos jornalistas agredidos, Sérgio Roxo, do jornal O Globo, não portava este tipio de acessório. Sobre os advogados, que buscavam acompanhar as revistas feitas pelos policiais aos manifestantes, o coronel acusou alguns de "incitarem a violência e não permiterem o trabalho da PM".

A operação foi a primeira em que a Polícia Militar usou uma "tropa de braço", como são chamados os policiais desarmados e com treinamento em artes marciais. A mesma estratégia deve continuar a ser utlizada em outros eventos semelhantes.

As informações foram repassadas pelo coronel Ferreira em coletiva de impresna realizada neste domingo em um quartel do comando geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Antes do início do evento, o policial pediu um minuto de silêncio em memória ao cinegrafista Santiago Andrade, da Bandeirantes, e dos mais de dois mil pioliciais "mortos em serviço ou fora dele".

Ferreira também pediu desculpas aos jornalistas. "Venho de antemão pedir desculpas se eventualmente houve alguma falha com relação aos jornalistas", disse ele. As agressões sofridas por jornalistas durante os protestos de junho têm sido apontadas como um dos catalizadores da onda de manifestações iniciada no ano passado.

Leia tudo sobre: igspsão pauloprotestocopa do mundopolícia militarmanifestações

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas