Dos cerca de mil manifestantes em ato contra a Copa do Mundo, 262 foram detidos pela PM

Coronel Celso Luiz Ferreira, da Polícia Militar de SP, em entrevista coletiva neste domingo (23)
Vitor Sorano/iG
Coronel Celso Luiz Ferreira, da Polícia Militar de SP, em entrevista coletiva neste domingo (23)

A Polícia Militar considerou um sucesso a intervenção realizada ontem (22) durante a manifestação contra a Copa do Mundo no centro de São Paulo. A operação terminou com 262 pessoas retidas - havia 1.500 - e nenhum preso. Jornalistas também foram retidos e agredidos.

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O protesto seguia pela Rua Xavier de Toledo, no centro da cidade, quando policiais militares começaram a fazer um cerco a alguns grupos de manifestantes. "Porque alí foi o exato momento em que tivemos informações de que haveria quebra-quebra", disse o coronel Celso Luiz Ferreira.

Segundo o coronel, a PM interpretou como sinal de que haveria quebra-quebra o momento em que os black blocs deram os braços e gritaram "uh, uh". 

Questionado se a intervenção policial é que desencadeou o quebra quebra, o coronel desconversou, mas reconheceu que algumas depredações ocorreram após o cerco. "Fizemos o cerco e uma parte conseguiu sair pela Rua 7 de Abril (e iniciar o quebra quebra)", contou o coronel.

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A polícia mobilizou mais de 2 mil homens na operação - número superior, portanto, ao de manifestantes. Para Ferrerira, a operação foi bem sucedida porque houve menos depredações e menos manifestantes e policiais feridos (um e cinco respectivamente, segundo a PM). Apontados como principais responsáveis pelos atos de vandalismo, os adeptos da tática black bloc estavam em menor número que em manifestações anteriores, reconheceu o coronel.

A intervenção policial também foi criticada por ter resultado na agressão a jornalistas e advogados que atuavam em favor dos ativistas. Ferreira disse ser mto difícil identificar quem era ou não repórter durante a manifestação, pois alguns usavam máscaras e capacete - ao menos um dos jornalistas agredidos, Sérgio Roxo, do jornal O Globo, não portava este tipio de acessório. Sobre os advogados, que buscavam acompanhar as revistas feitas pelos policiais aos manifestantes, o coronel acusou alguns de "incitarem a violência e não permiterem o trabalho da PM".

A operação foi a primeira em que a Polícia Militar usou uma "tropa de braço", como são chamados os policiais desarmados e com treinamento em artes marciais. A mesma estratégia deve continuar a ser utlizada em outros eventos semelhantes.

As informações foram repassadas pelo coronel Ferreira em coletiva de impresna realizada neste domingo em um quartel do comando geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Antes do início do evento, o policial pediu um minuto de silêncio em memória ao cinegrafista Santiago Andrade, da Bandeirantes, e dos mais de dois mil pioliciais "mortos em serviço ou fora dele".

Ferreira também pediu desculpas aos jornalistas. "Venho de antemão pedir desculpas se eventualmente houve alguma falha com relação aos jornalistas", disse ele. As agressões sofridas por jornalistas durante os protestos de junho têm sido apontadas como um dos catalizadores da onda de manifestações iniciada no ano passado.

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