Protesto contra Copa no centro de SP tem quebra-quebra e confronto com a polícia

Por Vitor Sorano e Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Confusão começou quando manifestantes passavam pela rua Xavier de Toledo. PM lançou bombas para conter tumulto. Cerca de 120 pessoas foram detidas, incluindo jornalistas

Um confronto entre policiais e manifestantes marcou o protesto contra a Copa do Mundo realizado no centro de São Paulo neste sábado (22). Cerca de 120 pessoas foram detidas, de acordo com o comandante das operações da PM no protesto, major Larry Saraiva. Parte dos detidos foi liberada, incluindo cinco jornalistas. 

Confira fotos e vídeos do protesto em SP

'Tropa do braço' é usada pela primeira vez em protesto

"Vi prisões de forma arbitrária. Não pudemos acompanhar as revistas e houve agressões à imprensa", afirmou o advogado Igor Leone, que presta assistência aos manifestantes.

Manifestante é detida durante o protesto contra a Copa no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressBlack blocs atacam estabelecimentos comerciais no centro de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de cem manifestantes foram detidos, segundo advogado . Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAo menos 25 manifestantes detidos no protesto ficaram sentados no chão, em frente ao 78 °DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGProtesto teve cerca de 120 detidos. Parte deles foi liberada ainda no centro. Na imagem, manifestantes levados ao 78° DP. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGParte dos manifestantes foi levada ao 78° Distrito Policial, dos Jardins. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes em frente ao Theatro Municipal de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes seguiram pelas ruas do centro após o confronto com a polícia. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia fecha quarteirão da Xavier de Toledo, onde houve o confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia cerca grupo de manifestantes detidos durante o confronto na rua Xavier de Toledo. Foto: Vitor Sorano/iGPM na rua Xavier de Toledo, onde houve confronto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares revistam manifestante detido. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGBlack blocs depredaram estabelecimentos no centro de São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGManifestantes depredaram agência bancária do centro de São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGPolícia Militar faz cordão de isolamento no centro de São Paulo após tumulto. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes vestidos de preto e mascarados lideraram o protesto. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se reuniram em protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentraram na praça da República. 'Pentacampeão, de injustiça e de corrupção', gritavam pelas ruas do centro. Foto: Vitor Sorano/iGCentenas de manifestantes se concentram na praça da República. Foto: Vitor Sorano/iGBlack blocs organizam cordão humano durante protesto. Foto: Vitor Sorano/iGPoliciais militares reforçam segurança no cruzamento da praça da República com a avenida São Luís. Foto: Vitor Sorano/iGOs estudantes Lucas Crivelaro e Willians Mardegan participam do protesto contra a Copa. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram na praça da República no segundo ato contra a Copa do Mundo (22/02/2014). Foto: Gabriela Bilo/Futura PressCerca de mil policiais reforçam a segurança na praça da República. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press"Sem educação, não vai ter Copa", diz um dos cartazes preparados por manifestantes do segundo ato contra a Copa em São Paulo. Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iGManifestantes se concentram para o segundo ato contra a Copa na Praça da República, centro de São Paulo (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG"Eu gosto de futebol, mas temos que sacrificar nossos gostos. Eu sou contra investimento para maquiar corrupção", diz Beto Fontes (22/02/2014). Foto: Vitor Sorano/iG

A confusão começou por volta das 18h50, quando o protesto passava pela rua Xavier de Toledo. A polícia tentou dividir o protesto em dois grupos, isolando, à frente, os black blocs e, atrás, um grupo que carregava bandeiras de partidos. A partir daí, começou um corre-corre. Bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo foram lançadas contra os manifestantes. Eles colocaram fogo em lixo, atacaram portas e vidraças de estabelecimentos comerciais da região e jogaram objetos contra os policiais.

Após o tumulto, os manifestantes que estavam à frente se dispersaram. Outros grupos voltaram a se concentrar na praça da República, que estava cercada pela Tropa de Choque. "Um policial me disse que (a intervenção policial) começou porque um grupo de manifestantes começou a gritar 'quebra, quebra'", disse Leone.

Assista a vídeo com depoimento do advogado:

Um outro advogado que apoia os manifestantes, Luiz Guilherme Ferreira, disse que um dos membros da Tropa de Choque lhe tomou o celular das mãos durante a prisão dos manifestantes. "Tomei uma gravata", afirmou. Uma advogada que havia sido detida foi liberada. Um fotógrafo de um veículo de comunicação foi detido por volta das 20h, quando não praticava nenhum ato de vandalismo.

Parte dos manifestantes foi liberada por policiais,  entre eles uma advogada e três jovens que usavam camisetas vermelhas - dois deles da União Nacional dos Estudantes (UNE). "Estão levando principamente os que estão com roupa mais escura", afirma Michel Luiz, de 24 anos, estudanteda Unicamp, que saiu mancando do isolamento policial em razão de um tombo. "A gente estava andando pacificamente e a polícia chegou e cercou alguns grupos. Pegaram as pessoas aleatoriamente", conta o estudante, sobre o momento da intervenção policial na rua Xavier de Toledo. 

Vitor Sorano/iG
Os estudantes Guilherme Borges (à esquerda) e Michel Luiz, detidos durante o protesto no centro de São Paulo

"Mandaram a gente calar a boca, disseram que a gente é de partido político e está fazendo arruaça", disse o colega de Luiz na Unicamp, Guilherme Borges, de 21 anos, que tinha sangue no rosto, mas não estava ferido. "Muitas pessoas caíram uma por cima das outras", detalhou. A tática de deter um grande número de pessoas já havia sido adotada pela PM no protesto anterior, em 25 de janeiro. Na ocasião, cerca de 60 foram mantidos em um hotel na rua Augusta, onde houve confronto.

Um ônibus com os manifestantes detidos deixou a rua Xavier de Toledo por volta das 20h em direção ao 78° Distrito Policial, dos Jardins. De acordo com a PM, dois deles terão de passar por atendimento médico antes de seguirem para o DP.

Outros quatro micro-ônibus da polícia partiram às 21h com manifestantes detidos. Cerca de 30 foram levados ao 4º Distrito Policial, da Consolação. Foram apreendidos ao menos um martelo, uma torneira e diversas toucas ninjas. Do lado de fora, um grupo de manifestantes aguardava a liberação dos companheiros. Entre eles, estava a funcionária pública Sonia Anastacio, de 48 anos. Ela esperava a saída do filho, de 17 anos. Sonia acompanhou o garoto nos protestos do ano passado, mas a escalada de violência nos eventos mais recentes a afastou das ruas. "A polícia está sendo muito violenta. será que tinha necessidade disso?", desabafa.

A PM informou que foram apreendidos com manifestantes máscaras, spray, estilingues, bolas de gude, correntes e porções de maconha.

Vitor Sorano/iG
"A polícia está sendo muito violenta. Será que tinha necessidade?", desabafa a mãe de um garoto de 17 anos detidos no protesto

Feridos

Cinco policiais militares ficaram feridos nos confrontos - um sofreu um corte no rosto, um no lábio, um levou uma garrafada no pescoço e outros dois tiveram fraturas no membro superior. O fotógrafo Bruno Santos, do portal Terrra, foi ferido na perna. O repórter do Globo, Sérgio Roxo, foi agredido e teve o celular quebrado por um integrante da "tropa do braço" da PM. A tropa tem treinamento em artes marciais e atuou pela primeira vez em protestos neste sábado.

De acordo com a PM, um manifestante abandonou uma mochila com um coquetel molotov na estação Ana Rosa do Metrô. A ação foi gravada pelo sistema de monitoramento. 

Protesto pacífico

A manifestação começou de forma pacífica. Aos gritos de "Não vai ter Copa", ao som de batucada, e com performances artísticas, manifestantes se reuniram na tarde na praça da República, para protestar contra os gastos públicos para a realização do evento no País. Mil policiais foram mobilizados para acompanhar a manifestação, chamada de segundo ato contra a Copa do Mundo. A estimativa da polícia às 17h era de mil parcipantes.

Às 17h50, o grupo sentou para ouvir e gritar palavras de ordem e lembrou do jovem baleado no primeito ato, em 25 de janeiro. Fabrício Chaves levou dois tiros de um policial quando caminhava pelo centro. Atingido no tórax e no pênis, ele ficou internado por 16 dias na Santa Casa.  "Contra a repressão, contra a Copa, pelo Fabrício, pelo poder popular", anunciaram os participantes. Por volta das 18h, eles subiram a avenida Ipiranga, e entraram na rua da Consolação com destino ao Vale do Anhangabaú.

Manifestantes pedem para a polícia recuar. Assista:

O emblemático Edifício Itália fechou as portas. Manifestantes vestidos de preto e mascarados lideravam o protesto, seguidos por um grupo que levava bandeiras do PSTU e da Liga Bolchevique Internacionalista.

O movimento contra a Copa reúne cerca de 15 coletivos, de acordo um dos organizadores do evento, que preferiu se identificar apenas como F.M.. "Queremos apontar o que o governo deixou de fazer para realizar a Copa", afirmou.

"Eu gosto de futebol, mas temos que sacrificar nossos gostos. Eu sou contra investimento para maquiar corrupção", diz Beto Fontes, de 43 anos, que tatuou a palavra revolução, em inglês, no braço, onde já ostentava uma bandeira do Brasil. 

Por volta das 17h30, um grupo com bandeiras do PSTU se juntou aos manifestantes, que ainda se organizavam para sair em marcha. Até então, apenas bandeiras do movimento anarquista eram vistas no protesto.

Os estudantes Lucas Crivelaro e Willians Mardegan, de 18 e de 20 anos, participam do protesto. "Se o brasileiro não se mexer, nada acontece", diz Mardegan, que pela primeira vez toma parte em uma manifestação. "A manipulação da mídia, assim como atitude de alguns manifestantes e da polícia acaba afastando as pessoas das ruas", afirmou Crivelaro.

Após o confronto com a polícia e a dispersão de parte dos manifestantes, um grupo subiu a rua da Consolação em direção ao 4º DP, outro foi para o 3º DP, de Campos Elíseos, e parte ficou no Vale do Anhangabaú, onde houve discussão com policiais por volta das 22h30 - manifestantes e uma jornalista sofreram agressões. Logo após a confusão na Xavier de Toledo, um dos grupo de manifestantes voltou a se reunir na praça da República e planeja ficar acampado no local até domingo (22).


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